Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

As Principais Notícias da Europa

Papa pede aos bispos humildade na aproximação com vítimas

19 set 2010 - 14h33
(atualizado às 19h33)
Compartilhar

Depois de quatro dias de visita, o papa despediu-se neste domingo do Reino Unido assinalando que os casos de padres pedófilos "minaram seriamente a credibilidade moral dos responsáveis" da Igreja e lembrou aos bispos que a melhor maneira de reparar os "pecados" é se aproximar "com humildade" das vítimas e dar-lhes o apoio necessário.

O Papa assistiu a uma missa em Londres
O Papa assistiu a uma missa em Londres
Foto: Reuters

O último ato de sua visita ao Reino Unido foi um encontro com os prelados da Inglaterra, Escócia e Gales, antes de dar mais um passo para tentar solucionar os casos de sacerdotes pedófilos, que sacudiram a consciência dos fiéis e as bases de muitas estruturas eclesiásticas. "O vergonhoso abuso de crianças e jovens por parte de sacerdotes e religiosos atingiu gravemente a credibilidade moral dos pastores da Igreja. Falei em muitas ocasiões das profundas feridas que causa esse tipo de comportamento, em primeiro lugar nas vítimas, mas também nas relações de confiança entre os sacerdotes e o povo, entre os sacerdotes e seus bispos e entre as autoridades da Igreja e as pessoas em geral", disse o papa.

Reconheceu que nos últimos tempos os bispos adotaram "sérias medidas" para solucionar essa situação e garantir que as crianças estejam "protegidas contra os danos" e para enfrentar de forma "adequada e transparente" às denúncias que se apresentem. Mas ressaltou os "efeitos devastadores" desses abusos e a necessidade de proporcionar um correto apoio às vítimas.

"Que melhor maneira poderia haver de reparar estes pecados que se aproximar, com um espírito humilde de compaixão, às crianças que seguem sofrendo abusos em outros lugares? questionou o papa. O Pontífice acrescentou que se queremos ser pastores cristãos eficazes, "devemos levar uma vida com a maior integridade, humildade e santidade".

Bento XVI voltou a referir-se à crise financeira no mundo e denunciou que o espectro do desemprego projeta sua sombra sobre as vidas de muitas pessoas e que o custo a longo prazo das práticas de investimentos "imprudentes" está sendo muito evidente. O encontro com os prelados colocou fim a uma visita que o levou a Edimburgo, Glasgow, Londres e Birminghan e que se viu denegrida pela detenção de seis homens, em sua maioria argelinos, em Londres em relação com uma possível ameaça terrorista contra Bento XVI aproveitando sua estadia. Hoje foram postos em liberdade sem acusações.

A viagem começou em Edimburgo, onde o papa reuniu-se com a rainha Elizabeth II, mas já no avião que o levava a partir de Roma admitiu pela primeira vez que a Igreja em seu conjunto, os bispos e o Vaticano, não foram suficientemente "atentos, velozes e decididos" na maneira de enfrentar os abusos sexuais a menores e tomar as medidas necessárias. Em Londres disse que se sentia "envergonhado e humilhado" e reuniu-se com cinco vítimas britânicas, com as quais se "comoveu" escutando suas histórias e expressou sua profunda dor com seus sofrimentos.

Enquanto mantinha encontro com as vítimas, milhares de pessoas se manifestaram no centro de Londres contra ele, acusando-o de ultraconservador e de ter escondido os abusos. Durante a viagem denunciou o "secularismo agressivo" que "não aprecia ou sequer tolera" os valores tradicionais e que se tenta relegar a religião da esfera pública.

A visita teve um marcado caráter ecumênico, como a reunião que manteve com o arcebispo de Canterbury e primaz da Igreja Anglicana, Rowan Williams, diante de quem reiterou o compromisso de Roma em prol da unidade dos cristãos, mas ressaltou que a Igreja "está ligada a ser inclusiva, embora nunca às custas da verdade cristã". O encontro aconteceu um ano depois de o Vaticano abrir suas portas aos fiéis tradicionalistas anglicanos contrários às medidas demais vanguardistas da Comunhão Anglicana, como a ordenação de mulheres e de homossexuais como bispos.

Durante esta viagem, considerado "um êxito" pelo Vaticano, viveu um momento histórico: pela primeira vez um papa pisava no mais importante templo do anglicanismo, a londrina Abadia de Westminster. Segundo o Vaticano, 600 mil pessoas acolheram ao papa nos diferentes atos, sendo o maior deles o de Hyde Park de Londres, ao qual assistiram, segundo o porta-voz Federico Lombardi mais de 200 mil pessoas.

O motivo da visita foi a beatificação em Birmingham do cardeal John Henry Newman (1801-1890), um converso do anglicanismo, considerado um dos "pais espirituais" do Concílio Vaticano II, reconhecido intelectual que influenciou na formação do papa Ratzinger.

EFE   
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra