O que é o 'Jeune Garde', movimento antifascista responsabilizado pela morte de estudante francês
O caso da morte do estudante Quentin Deranque, após um confronto entre grupos políticos rivais em Lyon, no centro-leste da França, tem forte repercussão no país. O partido França Insubmissa é cravejado de críticas por seus supostos vínculos com o "Jeune Garde", grupo antifascista suspeito de envolvimento na morte do universitário e ativista da extrema direita.
A morte de Quentin Deranque, de 23 anos, monopolizou os debates nos últimos dias na Assembleia Nacional francesa. Além de deputados da oposição, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu ao França Insubmissa para que faça "uma limpeza" dentro do partido.
No alvo das críticas está o deputado da esquerda radical Raphaël Arnault, que fundou em 2018 o movimento antifascista "Jeune Garde". Um dos assistentes do parlamentar, Jacques-Elie Favrot, faria parte do grupo e está entre as onze pessoas detidas no âmbito das investigações sobre a morte de Deranque.
Oficialmente o "Jeune Garde" foi dissolvido pelo governo francês em 2025. No entanto, segundo o jornal Le Figaro, o movimento seguia ativo, sobretudo na supervisão de eventos com a presença de membros do partido França Insubmissa. Foi o caso da conferência da deputada da esquerda radical Rima Hassan, na Sciences Po de Lyon, na última quinta-feira (12). As violências que resultaram na morte de Quentin Deranque tiveram início à margem do evento, quando militantes antifascistas e da extrema direita entraram em confronto.
O jornal Libération destaca que até seu desmantelamento, o "Jeune Garde" atuava dentro da filosofia de desmistificar o movimento antifa, com seus integrantes recusando o anonimato e figurando frequentemente nas mídias francesas. No entanto, em suas ações de campo, o grupo assumia o recurso à violência "para se opor fisicamente às agressões da extrema direita, principamente durante manifestações".
No outro extremo
A trajetória de Quentin Deranque se inscreve no outro extremo e detalhes sobre a sua militância chocam a opinião pública. O universitário de 23 anos é descrito pelo jornal Le Parisien como um católico integrista e ultranacionalista, tendo participado de movimentos de extrema direita e anti-imigração rastreados pela polícia.
Apesar de sua filiação ser reivindicada por algunss integrantes do coletivo identitário Némésis, atualmente o jovem não fazia parte de nenhum grupo. Amigos de Quentin contam que ele se apresentou voluntariamente para ajudar na segurança do protesto contra a conferência de Rima Hassan em Lyon. Le Parisien ressalta que o jovem também havia participado no ano passado de sessões de treinamento e protestos de uma organização neofascista de Lyon.