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Massacre de 77 pessoas na Noruega completa 1 ano

21 jul 2012 - 10h05
(atualizado às 11h36)
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Em 22 de julho de 2011, o ultradireitista Anders Behring Breivik detonou explosivos em um quarteirão de prédios governamentais em Oslo, capital da Noruega, e, sem levantar suspeitas, se dirigiu para a ilha de Utoya, onde se fez passar por um segurança e abriu fogo contra dezenas de jovens reunidos para um acampamento de verão no local. No total, os atos de terror deixaram 77 pessoas mortas.

Confira a linha do tempo dos atentados na Noruega

O massacre ganharia contornos ainda mais inexplicáveis com a prisão de Breivik, um fervoroso nacionalista que alega ter levado a cabo seus atos para tentar salvar a Noruega do multiculturalismo. Breivik, um homem frio, que foi muitas vezes foi visto sorrindo em seu julgamento, atualmente aguarda em reclusão pela sua sentença, prevista para ser anunciada em 24 de agosto.

Noruega lembra os mortos na tragédia

Neste domingo, a Noruega lembra, com atos em todo o seu território, o primeiro aniversário do massacre, que deixou marcas profundas no país, considerado um modelo de sociedade aberta.

Os atos principais acontecerão nos cenários da tragédia: o complexo governamental de Oslo, onde Breivik detonou uma caminhonete bomba que matou oito pessoas; e na ilha de Utoya, a oeste da capital, onde ele abriu fogo com armamento pesado no acampamento de jovens do Partido Trabalhista, matando outras 69. Em ambos os locais haverá uma cerimônia privada para familiares das vítimas e sobreviventes, com discurso do primeiro-ministro do país, o social-democrata Jens Stoltenberg.

A Juventude Trabalhista (AUF, na sigla em norueguês) organizará o que é possivelmente o ato central do dia em Utoya, onde mil membros do partido, vindos de todas as federações regionais, além de várias autoridades, homenagearão as vítimas do massacre O líder da ala jovem da legenda, Eskil Pedersen, defende o direito de "recuperar" a ilha para não dar uma "vitória" a Breivik, uma ideia amplamente apoiada pela AUF, apesar das críticas de poucos sobreviventes, que consideram a ida a Utoya um desrespeito aos mortos.

A direção da AUF decidiu, por enquanto, apenas derrubar a lanchonete da ilha, onde Breivik assassinou 13 jovens, e construir em poucos anos um monumento, mas Pedersen cogitou a possibilidade de que em 2013 o local pode voltar a receber o acampamento de verão, que neste ano será realizado no norte do país. O lema "Recuperar Utoya", lançado por Pedersen no dia seguinte aos atentados, se encaixa bem com a ideia de Stoltenberg e a classe política de reagir com "mais democracia e mais abertura".

O debate após o massacre

A sociedade norueguesa, com sobreviventes e familiares das vítimas à frente, respondeu de forma majoritária a esse apelo, ignorando as provocações de Breivik durante o julgamento e se manifestando "pela união, a solidariedade e a diversidade", ao invés de se fecharem, segundo Stoltenberg.

Tanto o primeiro-ministro como Pedersen ressaltam que há mais gente envolvida nos debates, e põem como exemplo a ampla reação aos comentários racistas contra os ciganos romenos acampados nos arredores de Oslo, tema que atualmente domina o noticiário local na Noruega.

A defesa da democracia e da sociedade multicultural, contra as quais Breivik agiu, contrastam com a recuperação nas pesquisas do ultranacionalista Partido do Progresso, que parece ter superado a forte queda sofrida no pleito municipal de setembro do ano passado e lançou mão novamente do discurso anti-imigração.

Erros de segurança

Os atentados evidenciaram graves erros de coordenação das forças de segurança, muito criticados pelas famílias das vítimas, que tiveram que esperar oito meses para que a polícia admitisse algumas falhas e pedisse desculpas.

A comissão criada pelo parlamento norueguês sobre a atuação policial não deve apresentar seu relatório em menos de três semanas, mas esta já cobrou duas vítimas em forma de renúncias: o ministro da Justiça e a chefe dos serviços de inteligência, embora ambos tenham alegado motivos pessoais para deixar seus cargos.

O governo apresentou há poucos dias uma proposta de reforma da lei antiterrorista que dá amplos poderes para a investigação de potenciais atos terroristas de indivíduos isolados, embora tenha recebido uma chuva de críticas.

Mais duros e generalizados foram os protestos contra a nova lei para que autores de atentados como os do ano passado acabem na cadeia mesmo se forem condenados não à prisão, mas a permanecerem em um centro psiquiátrico - o que parece ter sido feito sob medida para Breivik.

Marcas físicas

Um ano depois, ainda resta uma marca física dos atentados no centro de Oslo: há poucos dias terminaram de ser retiradas as mais de 4,3 mil toneladas de escombros dos edifícios mais afetados pelos explosivos usados por Breivik, mas o complexo governamental de Hoyblokka, o centro de poder do país, continua inutilizado.

As autoridades ainda não decidiram se vão derrubar os nove edifícios e construir um novo complexo, que não ficaria pronto em menos de oito anos, enquanto vários departamentos funcionam em locais provisórios, incluído o do primeiro-ministro, cujo escritório está agora no Ministério da Defesa.

Em 22 de julho de 2011, Anders Behring Breivik cometeu um duplo atentado em Oslo e na ilha de Utoya que chocou a Noruega e o mundo. Em questão de horas, Breivik detonou uma bomba contra prédios do governo norueguês e abriu fogo contra jovens reunidos para um acampamento de verão, matando 77 pessoas em sua ações. Veja a seguir fotos da tragédia
Em 22 de julho de 2011, Anders Behring Breivik cometeu um duplo atentado em Oslo e na ilha de Utoya que chocou a Noruega e o mundo. Em questão de horas, Breivik detonou uma bomba contra prédios do governo norueguês e abriu fogo contra jovens reunidos para um acampamento de verão, matando 77 pessoas em sua ações. Veja a seguir fotos da tragédia
Foto: AP
EFE   
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