Em meio a tensões globais, Macron convida Trump para jantar em Versalhes após reunião do G7
Após a cúpula do G7 em Évian, realizada esta semana, o chefe da Casa Branca participará de um jantar no Palácio de Versalhes na quarta-feira (17). O Palácio do Eliseu confirmou o convite feito ao chefe da Casa Branca para o evento, que coincide com o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos.
A França intensificou os esforços nos últimos meses para incentivar Donald Trump a participar da cúpula, que reunirá os líderes das principais potências mundiais. O chefe da Casa Branca só confirmou tardiamente sua presença na reunião, programada de 15 a 17 de junho.
O governo francês chegou a alterar as datas do encontro para evitar coincidência com o aniversário de Donald Trump e, assim, garantir a presença do líder americano. Em janeiro, a cúpula foi transferida do dia 14 de junho, data em que Trump planejava assistir a uma luta de MMA organizada na Casa Branca para celebrar seu aniversário de 78 anos.
O jantar em Versalhes é apresentado como uma forma de celebrar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos em um local que simboliza a amizade franco-americana. "Foi nesse palácio que, em 1783, foi assinado o tratado que consagrou essa independência", destacou a Presidência francesa em nota.
Ao chegar a Évian, na segunda-feira (15), Trump terá uma reunião bilateral com o presidente francês, Emmanuel Macron. Ele também deverá realizar encontros bilaterais na terça-feira e na quarta-feira com os dirigentes do Catar, dos Emirados Árabes Unidos, do Egito e da Índia.
Reabertura do Estreito de Ormuz
Os europeus pretendem reduzir as divergências com o chefe da Casa Branca em relação aos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia durante o encontro em Évian. Ao longo de três dias, na cidade termal dos Alpes, Macron pretende abordar desequilíbrios econômicos globais e a regulação digital com o líder americano e os dirigentes da Alemanha, do Canadá, da Itália, do Japão e do Reino Unido. A França também convidou líderes do Brasil, da Coreia do Sul, da Índia e do Quênia para a reunião.
O encontro marca os primeiros contatos entre os líderes desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram um conflito contra o Irã no fim de fevereiro. Isso agravou relações já tensas devido às ambições americanas sobre a Groenlândia e à política comercial de Washington, baseada em tarifas. Europeus, canadenses e japoneses não apoiaram esse conflito e devem insistir na rápida reabertura do estreito de Ormuz, cujo bloqueio pressiona a economia global e eleva os preços dos combustíveis.
O Palácio do Eliseu destacou, na quinta-feira (11), a necessidade de "assegurar que podemos, com o presidente Trump, definir objetivos comuns e, antes de tudo, a reabertura de Ormuz", em um contexto de risco renovado de escalada entre o Irã e os Estados Unidos. Os presidentes egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, e emiradense, Mohammed bin Zayed, além do emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al-Thani, que foram chamados para reuniões sobre questões regionais, participarão das discussões na terça-feira (16).
Ucrânia e possíveis encontros paralelos
Os europeus também esperam que o chefe da Casa Branca, atualmente concentrado nas negociações com Teerã, seja convencido a apoiar o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em sua proposta de diálogo direto com Vladimir Putin. Além disso, pretendem dissuadi-lo de exigir que Kiev ceda à Rússia todo o território do Donbass, no leste da Ucrânia.
Zelensky participará, na terça-feira, de uma reunião de trabalho com os líderes do G7, na presença de Donald Trump. Um alto funcionário americano não descartou a possibilidade de um breve encontro entre ambos à margem da reunião, mas ressaltou que nenhum encontro bilateral formal está previsto.
(Com agências)
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