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Cientistas e pesquisadores dos EUA perseguidos por Trump já buscam refúgio na França

Diante dos ataques do governo federal americano contra seus próprios organismos de pesquisa científica, vários países europeus, incluindo a França, se preparam para acolher cientistas privados de verbas ou expulsos pelo governo de Donald Trump.

23 abr 2025 - 13h20
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Diante dos ataques do governo federal americano contra seus próprios organismos de pesquisa científica, vários países europeus, incluindo a França, se preparam para acolher cientistas privados de verbas ou expulsos pelo governo de Donald Trump

A médica pediatra Bana Jabri, diretora do Instituto Imagine de doenças genéticas.
A médica pediatra Bana Jabri, diretora do Instituto Imagine de doenças genéticas.
Foto: © RFI / RFI

Em poucas semanas, o mundo da ciência foi desmantelado nos Estados Unidos. Esta guinada política do governo republicano tem impacto global, uma vez que a pesquisa se internacionalizou nas últimas décadas e avança de maneira complementar entre equipes de vários países.

Em entrevista à RFI, a pediatra e imunologista Bana Jabri, diretora do Instituto de Doenças Genéticas Imagine, no campus do Hospital Infantil Necker, em Paris, conta que desde que Trump iniciou o expurgo de cientistas e estudantes de doutorado de agências federais e universidades, a instituição que ela dirige recebeu 30% de candidaturas adicionais de americanos em busca de um laboratório para dar continuidade aos seus trabalhos.

Ex-professora da Universidade de Chicago, a médica de dupla nacionalidade franco-síria relata que já esteve nos EUA duas vezes desde a posse de Trump, em janeiro. "As pessoas se sentem atacadas. Existe uma depressão e um temor muito grande. Os jovens que estão em busca de um primeiro laboratório para desenvolver suas pesquisas encontram as portas fechadas. Em ciência, todos sabem, não é possível esperar dois, três, quatro anos", explicou Jabri. "Nós temos que assumir a responsabilidade de acolher esses talentos, essa juventude, e oferecer a eles uma atmosfera de liberdade científica", destaca.

Em 18 de abril, o presidente Emmanuel Macron se dirigiu aos pesquisadores perseguidos por Trump para aconselhá-los a escolher a França ou outro país da Europa para trabalhar. O governo francês criou uma plataforma na internet onde os cientistas já podem depositar seus projetos. A iniciativa é um primeiro passo para preparar o acolhimento dos pesquisadores internacionais nos próximos meses e anos. 

A diretora do Instituto Imagine considera que a França está diante de uma oportunidade única para aumentar seus investimentos na área da ciência, que correspondem atualmente a 2,2% do PIB, contra 3% na Alemanha e 3,4% nos EUA. "É uma questão de defesa nacional", diz ela, salientando que os investimentos devem ser distribuídos de forma estratégica, principalmente nas áreas censuradas por Trump, como clima, reprodução humana, saúde da mulher, doenças infecciosas e vacinas.

"Ódio da liberdade de expressão"

Questionada por que razão Trump tem tanto ódio da academia, a médica é enfática. "Ele tem ódio da liberdade de expressão e de outras atitudes típicas de cientistas, que são capazes de manifestar dúvidas, de se questionar se estão no caminho certo", aponta. 

Segundo a pediatra, a liberdade que caracteriza a atividade científica é o oposto da personalidade do republicano, "um homem que gosta de ter o controle de tudo". Ela também acredita que Trump guarda um ressentimento contra os cientistas desde a época da pandemia de Covid. Ele atribui sua derrota para Joe Biden, em 2020, às críticas feitas por Anthony Fauci, médico que foi seu conselheiro na Casa Branca, e condenou a rápida abertura da economia, quando os americanos ainda estavam morrendo por causa da doença.  

Os expurgos têm se multiplicado de maneira "imprevisível e brutal" nas universidades, agências especializadas e nos laboratórios americanos, destaca o jornal francês Libération nesta quarta-feira. A publicação relata centenas de demissões na Agência de Estudo da Atmosfera e dos Oceanos dos Estados Unidos (NOAA), em departamentos subitamente fechados na Nasa e na agência NIH, que reúne os Institutos Nacionais de Saúde. Pós-doutorandos estão sendo expulsos dos Estados Unidos, cientistas renomados têm sido obrigados a se aposentar antes da hora; outros são proibidos de participar de conferências no exterior sem autorização prévia. 

Refugiado científico

O ex-presidente François Hollande, agora deputado, apresentou um projeto de lei na Assembleia Nacional para criar o estatuto do "refugiado científico". O projeto parlamentar, composto de um único artigo, é destinado aos americanos privados de verbas e da ciência nos Estados Unidos.  

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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