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Áustria aguarda destino de Fritzl; conheça possíveis prisões

23 mar 2009 - 14h15
(atualizado em 23/3/2009 às 08h47)
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Leandro Demori

Direto de Viena


Culpado por escravidão, incesto, violação e seqüestro. Condenado à prisão perpétua por assassinato depois de deixar um dos sete filhos que teve com a filha Elisabeth, mantida em cativeiro por 24 anos, morrer sem auxílio médico com poucos dias de vida. O caso de Josef Fritzl, engenheiro aposentado da pequena Amstetten, a oeste de Viena, chocou o mundo. Agora, resta saber o destino do protagonista daquilo que a imprensa mundial classificou como "o crime do século".

A prisão-clínica de Mittersteig é a mais cotada para os primeiros meses
A prisão-clínica de Mittersteig é a mais cotada para os primeiros meses
Foto: Leandro Demori / Especial para Terra

A polêmica pode se estender por até seis semanas, prazo estipulado para a formalização da pena. Segundo as leis do país, o preso precisa ser notificado por escrito. Hoje, Fritzl permanece encarcerado solitário em uma cela para duas pessoas no mesmo prédio em que foi julgado, na cidade de St. Pölten, sob olhos de policiais durante 24 horas por dia. A vigília ininterrupta não se deve pela periculosidade do preso - segundo o chefe de polícia local, Fritzl tem sido "exemplar". O medo é que ele tente se suicidar.

Dependendo da decisão judicial sobre seu destino, Josef Fritzl talvez tenha menos a temer do que seus crimes poderiam sugerir. Jornais austríacos especularam durante toda a semana os possíveis paradeiros do "monstro de Amstetten", hoje reduzidos a três principais: hospital psiquiátrico de Göllersdorf, a 45 km ao norte de Viena, a penitenciária de Graz-Karlau, no sul do país, ou a prisão-clínica de Mittersteig, na capital - a mais cotada para os primeiros meses, nos quais ele passará por avaliações médicas e psíquicas. Saiba mais sobre as prisões

Mittersteig

Entre os três locais nos quais Josef Fritzl pode passar o resto de seus dias, o número 25 da rua Mittersteig, em Viena, é o que menos se assemelha a uma prisão. O acesso ao prédio se dá pela calçada. Na parte externa não há guardas ou sistemas especiais de segurança - a vigia é feita por câmeras instaladas na entrada e na quina do edifício, olhos eletrônicos que monitoram o passear tranqüilo dos vienenses e seus cachorros em direção aos muitos parques da redondeza. Mittersteig fica em um quarteirão essencialmente residencial, cercado por edifícios baixos típicos da capital do país e próximo a uma das mais importantes avenidas da cidade. Dali, se pode chegar ao centro histórico e aos principais monumentos de Viena em 15 minutos de uma agradável caminhada.

O interior do edifício, apesar de limitar a liberdade individual, pode proporcionar mordomias pouco comuns em penitenciárias. Estão à disposição jornais, revistas, televisores à cabo, internet. Há um jardim para exercícios físicos e alguns apenados têm direito a animais de estimação como parte do tratamento, além de poderem fazer trabalhos manuais e aprenderem uma língua estrangeira.

O cenário pode parecer luxuoso para o homem que manteve a filha trancada em um porão por um quarto de século e, por diversas vezes, a deixava com os filhos sem luz ou comida durante dias. Ao que tudo indica, no entanto, Fritzl não poderá usufruir das benesses de Mittelsteig. Durante sua estada no local, ele vai passar por tratamentos e avaliações para saber exatamente quais os motivos que o levaram a cometer os crimes. Não haverá contatos extremos com o mundo exterior ou tempo para atividades lúdicas. Além disso, a estadia em Viena deve ser curta. Em poucos meses o criminoso deve ser encaminhado a uma prisão definitiva para passar o resto de seus dias.

Göllersdorf

A cidade 45 km ao norte da capital abriga um dos principais presídios psiquiátricos do país. Göllersdorf é considerado de alta segurança e abriga apenados de alta periculosidade, mas com distúrbios mentais que necessitam de tratamento especializado. É nela que está encarcerado Robert Ackermann, alemão conhecido como o "Canibal de Viena".

Ackermann foi preso em agosto de 2007 em um abrigo para moradores de rua na capital da Áustria depois que uma faxineira o encontrou ao lado do corpo mutilado de Josef Schweiger, um colega de quarto de 49 anos.A polícia informou que o jovem, então com 19 anos, tinha "sangue na boca e pode ter ingerido pedaços do corpo da vítima". Partes do cérebro de Schweiger estavam em um prato.

Göllersdorf é um antigo castelo renascentista que pertencia a uma família de nobres da região. Começou a ser usado como prisão durante a primeira guerra mundial, quando abrigava presos políticos. Hoje, apesar do esquema para evitar fugas, a penitenciária chama os apenados de "pacientes", e tem como lema "deter, mas não trancafiar". De fato, Göllersdorf tem ares de clínica. Os cerca de 120 detentos recebem tratamentos e acompanhamentos psiquiátricos, incluindo terapias de grupo.

Eles podem ouvir música, recebem visitas de peças teatrais, podem fazer Tai Chi, jogar volley ou tênis de mesa e freqüentar aulas de artes. Há TV na área comum, e os apenados que se mostrarem seguros podem trabalhar na cozinha, na lavanderia, na cafeteria ou nos jardins da instituição. Dentre todos os condenados que cumprem pena lá, no entanto, poucos são classificados como "sãos", conforme o boletim médico de Göllersdorf.

Graz-Karlau

Das três instituições de detenção, a da cidade de Graz (ao sul deViena) é a que mais se assemelha a uma penitenciária tradicional. A princípio, seria aqui o destino final de Josef Fritzl. Com capacidade para 552 presos, é a terceira maior prisão da Áustria. Construída em estilo renascentista no final dos anos 1500, Graz-Karlau foi utilizada como casa de verão onde uma família de nobres praticava a caça.

Começou a servir de prisão em 1794 pelos franceses e em 1803 se transformou em penitenciária para presos com mais de 10 anos de sentença. Nos anos 1940, a prisão chegou a praticar a pena de morte por enforcamento, método depois abolido no país.

Em Graz, Fritzl dificilmente terá à sua disposição as benesses de Mittersteig ou Göllersdorf. Aqui as regras são mais rígidas e o número de presos é maior, o que torna difícil o abrandamento individual nos moldes das outras duas casas de detenção. Muitos permanecem em celas individuais devido à sua periculosidade. Há rotinas e tratamentos médicos e psiquiátricos, mas o contato com o mundo externo é limitado.Os presos de Graz-Karlau são de alta periculosidade.

Aqui foi encarcerado até a morte Udo Proksch, rico industrial austríaco condenado pelo assassinato de seis pessoas em um de seus navios. As mortes teriam sido causadas por uma bomba-relógio em um caso intrincado que levou à condenação até mesmo um ministro de Estado.

Outro detento notório foi Johann "Jack" Unterwege, serial killer condenado por onze homicídios em 1974. A história de Jack Unterwege pode servir de parâmetro para uma possível libertação de Josef Fritzl, que pode deixar a prisão, se reabilitado, em 15 anos. Depois de uma forte campanha nacional por sua soltura, que incluiu nomes famosos, intelectuais e até um vencedor do Prêmio Nobel, Jack foi solto em 1990 como "exemplo de reabilitação para o convívio social". Participou de programas de televisão, discutiu o sistema penitenciário do país e se tornou jornalista.

Poucos meses depois, no entanto, voltou a matar - estrangulou seis prostitutas nos anos seguintes à sua libertação. Em 29 de junho de 1994, Johann "Jack" Unterwege foi novamente condenado à prisão perpétua, desta vez sem possibilidade de soltura. Naquela mesma noite, ele se matou por enforcamento. "Jack" Unterwege utilizou um cordão de sapatos e fez o mesmo nó característico que utilizava para assassinar prostitutas.

Fonte: Redação Terra
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