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Após trauma, Elisabeth Fritzl luta para retomar vida normal

4 jun 2009 - 10h16
(atualizado às 10h26)
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A austríaca Elisabeth Fritzl, que passou 24 anos reclusa em um porão, desapareceu de novo, mas dessa vez voluntariamente para proteger sua privacidade e a de seus filhos, em uma tentativa de recuperar uma vida que lhe foi tirada quando tinha apenas 18 anos.

Mais de um ano após sua libertação e dois meses depois da condenação à prisão perpétua de seu pai, pouco se sabe da vida de Elisabeth e de seus filhos.

A mais recente informação, tornada pública pela imprensa austríaca, assegura que Elisabeth está tendo sucesso em seus esforços para reconstruir uma vida normal.

O diário Österreich publicou recentemente que a mulher mantém uma relação sentimental com um de seus seguranças.

Segundo essa informação, o casal vive junto aos filhos de Elisabeth em uma pequena localidade, onde ela se recupera a um ritmo tão surpreendente que já chegou a abandonar as sessões de tratamento e obteve licença para dirigir.

O artigo do Österreich é a primeira notícia sobre Elisabeth desde que em março passado terminou o julgamento que condenou seu pai por assassinato, estupro e escravidão, entre outras acusações.

Ao contrário de Natascha Kampusch, a menina seqüestrada durante 8 anos e que pouco após escapar de seu seqüestrador concedeu entrevista para televisão, Elisabeth decidiu se manter afastada da opinião pública.

A tarefa não foi fácil. Após vir à tona o caso de incesto e estupro, a mulher, de 43 anos, se refugiou em uma clínica com seus seis filhos, os três que viveram no porão com ela e os que foram adotados por seu pai.

Lá, suportaram o primeiro assédio da imprensa e agradeceu, a partir de um cartaz, pelo interesse da opinião pública e as mostras de solidariedade que chegaram de todo o mundo.

Mas esse foi seu único contato com o mundo. Elisabeth não deu entrevista, não tirou fotos, nem fez qualquer tipo de contato com a imprensa.

Em fevereiro, o tablóide britânico The Sun conseguiu uma foto de Elisabeth passeando com a filha. O periódico distorceu o rosto e a imprensa austríaca reproduziu a foto ocultando a cara das duas mulheres.

Após isso, se sabe que a mulher foi disfarçada à sala onde seu pai foi julgado. Assim, foi testemunha de como o criminoso enfrentou seu depoimento, em forma de vídeo de 11 horas em que ela relatou ao júri os 24 anos de "martírio inimaginável", como chamou a promotora do caso.

Uma presença que, segundo a própria defesa de Fritzl, acabou derrubando o acusado e o fez admitir culpa de todos os delitos.

O caso Fritzl gerou um forte debate na Áustria sobre o direito à informação e o respeito à intimidade.

Embora o julgamento fosse parcialmente aberto à imprensa, a vigiada divulgação da informação provocou críticas de dezenas de jornalistas que cobriram o processo e que tiveram acesso a pouco material do caso.

A família de Elisabeth, que mudou de nome e foi viver em outra região do país, conseguiu assim, por enquanto, manter mais ou menos em segredo sua intimidade.

Algo que pode mudar agora com a anunciada publicação das memórias de Josef, internado em uma instituição psiquiátrica para delinqüentes e que, segundo o Österreich, planeja vender o direito a quem melhor pagar.

Antes, terá que organizar sua mudança, já que as autoridades austríacas anunciaram ontem que o condenado será levado ao pavilhão psiquiátrico de uma prisão na região da Baixa Áustria, onde, em princípio, passará o resto da vida.

EFE   
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