Águas subterrâneas do Sena refrescam monumentos durante forte onda de calor em Paris
Enquanto Paris atravessa mais uma onda de calor nesta semana, uma rede pouco conhecida de tubos subterrâneos resfria o museu do Louvre e outros monumentos históricos graças às águas do rio Sena.
Enquanto Paris atravessa mais uma onda de calor nesta semana, uma rede pouco conhecida de tubos subterrâneos resfria o museu do Louvre e outros monumentos históricos graças às águas do rio Sena.
A Cidade Luz possui a maior rede de resfriamento urbano da Europa: 110 quilômetros de tubos subterrâneos, que ajudam a reduzir o uso de sistemas de ar-condicionado que consomem muita energia.
"É como no 'Batman'!", exclama um pedestre no elegante e turístico oitavo distrito de Paris, quando uma escada em espiral que leva à rede subterrânea de resfriamento emerge do chão.
A tecnologia não é nova. A sede das Nações Unidas em Nova York tem usado a água do East River para resfriamento desde a década de 1950.
Mas é necessário muito planejamento e construção, por isso esses sistemas eficientes e sustentáveis de resfriamento ainda são relativamente pouco comuns. Em Paris, porém, a rede cresceu consideravelmente nos últimos anos para enfrentar ondas de calor mais intensas e frequentes.
O processo funciona de maneira semelhante a uma rede de aquecimento urbano, mas ao contrário: o calor é transferido do ar para a água fria que é bombeada através dos tubos para os edifícios da cidade.
Mas, diferentemente do ar-condicionado convencional, não libera ar quente nas ruas, explica a Fraîcheur de Paris, que administra a rede de resfriamento do Sena e outras em Barcelona, Singapura e Dubai.
Economia
A empresa, copropriedade da companhia energética francesa Engie, afirma que o sistema também oferece economias significativas em consumo de eletricidade, uso de produtos químicos e emissões de dióxido de carbono.
Para Nayral, a cidade precisa de uma solução mais sustentável do que o ar-condicionado, que carrega consigo uma alta demanda de calor e energia. "Caso contrário, tornaremos esta cidade completamente inabitável", diz.
Estudos têm demonstrado que um extenso uso de sistemas de ar-condicionado pode aumentar o calor nos centros urbanos em até 0,5º C, valor que cresce à medida que mais unidades são instaladas.
Esse tipo de climatização também representa 7% das emissões globais de gases de efeito estufa, estima a ONU. Isso se deve em parte ao uso de energia e aos gases refrigerantes que tendem a vazar.
Na rede de Paris, 12 estações de resfriamento bombeiam água resfriada do Sena para 867 locais em toda a cidade, incluindo o edifício da Assembleia Nacional, onde os deputados debatem as leis.
Mesmo no inverno, o rio pode ser útil para resfriar salas de servidores e centros comerciais.