Acordo UE-Mercosul avança em meio à crise política na França
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia será apresentado nesta quarta-feira (3) à Comissão Europeia. A adoção pelos comissários europeus é o primeiro passo antes de submeter o texto aos Estados-membros e aos eurodeputados nos próximos meses. O assunto ganha destaque na imprensa francesa, principal país a bloquear o tratado.
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia será apresentado nesta quarta-feira (3) à Comissão Europeia. A adoção pelos comissários europeus é o primeiro passo antes de submeter o texto aos Estados-membros e aos eurodeputados nos próximos meses. O assunto ganha destaque na imprensa francesa, principal país a bloquear o tratado.
O executivo europeu recoloca esta questão sensível de volta à mesa em um momento em que a França está novamente envolvida em uma tempestade política, diz Le Figaro. O governo francês pode cair na segunda-feira (8), durante um voto de confiança muito difícil para o primeiro-ministro François Bayrou.
Enquanto o drama orçamentário se alastra na França, Bruxelas aprovará o acordo com o Mercosul nesta quarta-feira. Uma proposta impulsionada pela Alemanha, à qual a França sempre se opôs, diz o texto no site da revista Marianne.
O jornal econômico Les Echos lembra que este é o maior acordo comercial já negociado pela Comissão Europeia. Ele abriria para as empresas europeias um mercado de 270 milhões de pessoas, com um PIB conjunto de € 2,5 trilhões. Além disso, o tratado representaria a redução ou eliminação de tarifas sobre 91% dos produtos exportados pela UE, como automóveis, produtos químicos, roupas e fármacos, bem como a maior abertura para serviços (financeiros, telecomunicações, transporte marítimo) e acesso a mercados públicos e matérias-primas, com menos restrições e taxas.
No mercado de alimentos, a França poderia se beneficiar do reconhecimento de 357 indicações geográficas protegidas (IGP), incluindo 33 francesas. No entanto, encontra forte resistência no país, principalmente do setor agrícola, por questões de reciprocidade regulatória, segurança alimentar e soberania produtiva.
Bruxelas tem pressa
A pressão política deve continuar intensa, especialmente em Bruxelas e Paris, nos próximos dias, salienta o jornal. Bruxelas avalia incluir cláusulas de salvaguarda para proteger os setores mais sensíveis e quer agir rapidamente para obter um acordo dos países-membros antes do final do ano, enquanto o Brasil estiver na presidência rotativa do Mercosul, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é favorável ao acordo.
O Ouest France sublinha que a Comissão Europeia e países a favor do acordo, como Alemanha e Espanha, estão promovendo o texto como uma forma de se libertarem da dependência da China, principalmente de minerais raros. Outro argumento é de compensar o impacto das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.