Europa tenta se proteger da 'enxurrada' de produtos chineses e evitar guerra comercial
Mais de € 1 bilhão por dia, em média. Esse é o déficit colossal registrado pelos países da União Europeia em relação à China. Um déficit que afeta a indústria europeia e preocupa os líderes políticos da UE. Esse será um dos principais temas do Conselho Europeu que começa na noite desta quinta-feira (18), em Bruxelas.
Em abril, o déficit comercial com a China ultrapassou a marca de € 30 bilhões. Um nível considerado insustentável pela própria Comissão Europeia, que propõe dotar a União de instrumentos para reequilibrar sua relação comercial com Pequim.
Entre as medidas estudadas está um mecanismo que excluiria determinados produtos dos mercados públicos europeus e limitaria a aquisição de empresas europeias por grupos chineses. A França, em particular, defende a criação de um equivalente europeu da "Seção 301" dos Estados Unidos, que permite impor sobretaxas direcionadas a produtos de países acusados de práticas comerciais desleais.
"Devemos assumir medidas de defesa", argumentou o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmando que os europeus têm o direito de reagir "quando nossa soberania está em jogo".
Temor de uma guerra comercial
Desde 2024, com a imposição de tarifas adicionais sobre os carros elétricos chineses, a relação comercial entre a UE e a China tornou-se um tema extremamente sensível. Alguns países europeus temem o início de uma guerra comercial cujas consequências para a UE são incertas.
Após as sobretaxas europeias sobre os veículos elétricos chineses, Pequim respondeu atingindo setores como o conhaque, a produção suína e os produtos lácteos europeus.
Outra grande preocupação é a forte dependência da UE em relação à China, que detém terras raras e matérias-primas estratégicas, essenciais para as indústrias de alta tecnologia. As restrições impostas por Pequim no ano passado a determinadas exportações serviram como um alerta aos europeus.
"Isso mostra o quanto é importante diversificar nossas fontes de abastecimento", declarou Ursula von der Leyen durante a cúpula do G7 em Évian.
Mudança de postura da Alemanha
Há ainda um novo elemento a ser considerado: a Alemanha, que tradicionalmente resistia à ideia de uma política comercial mais agressiva em relação à China, está começando a mudar de posição.
Prova disso foram as declarações feitas na semana passada por Friedrich Merz. Sem citar diretamente a China, o chanceler alemão criticou a passividade diante de países que não respeitam as regras comuns em matéria de indústria e comércio.
Essa evolução é acompanhada de perto por Paris. Do lado francês, celebra-se uma crescente convergência com a Alemanha, embora Berlim continue insistindo na necessidade de não apontar oficialmente um país específico.
Reequilibrar sem romper
Para os europeus, o desafio é encontrar um equilíbrio delicado: proteger-se melhor contra os subsídios e os excessos de capacidade produtiva chineses sem chegar a uma ruptura econômica com Pequim.
"Desvincular nossas economias não é desejável nem realista", lembrou o comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, diante dos eurodeputados. O objetivo declarado é, antes, "reequilibrar" as trocas comerciais e restabelecer condições de concorrência justas.
O debate promete ser intenso em Bruxelas. Embora uma maioria dos Estados-membros pareça agora favorável a um endurecimento da política comercial europeia, a UE continua exposta a possíveis represálias chinesas. Entre a defesa de sua indústria, a dependência de matérias-primas estratégicas e o receio de uma guerra comercial, a Europa ainda busca a resposta adequada para lidar com a crescente potência econômica chinesa.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.