Acordo com EUA é 'histórico', diz presidente do Irã; navio sob bandeira francesa passa por Ormuz
O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, considerou o acordo com os EUA para pôr fim à guerra no Oriente Médio "histórico". "Trata-se de um documento histórico e de uma mensagem de um Irã forte: a paz será estabelecida com respeito mútuo", declarou o chefe de Estado iraniano nas redes sociais, nesta quinta-feira (18).
O memorando foi assinado eletronicamente pelo presidente americano Donald Trump, em Versalhes, nesta quarta-feira (17). O texto divulgado por Washington e Teerã prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e a suspensão simultânea do bloqueio americano aos portos iranianos.
Um primeiro navio de transporte de gás natural liquefeito (GNL), sob bandeira francesa, deixou o Golfo nesta quinta ao atravessar o estreito, após semanas de interrupção do tráfego, segundo dados da MarineTraffic e da Kpler.
O Mraikh, pertencente à filial francesa, com sede em Nantes, do grupo norueguês Knutsen OAS Shipping, transportava 76.535 toneladas de GNL, embarcadas em Ras Laffan, no Catar, com destino a Port Qasim, no Paquistão, segundo a plataforma de monitoramento de cargas Kpler. Desde o início da guerra, incluindo o Mraikh, apenas 15 navios transportadores de GNL deixaram o Golfo com carga, segundo a Kpler.
Segundo os sinais AIS disponíveis na MarineTraffic, o tráfego no estreito de Ormuz parece ter se intensificado nesta quinta, com diversos navios atravessando a passagem estratégica em ambos os sentidos. Às 10h30 GMT (início da tarde no local), a Kpler já havia confirmado seis travessias de navios de carga, número próximo da média diária registrada nos sete dias anteriores.
"O acordo deve permitir uma retomada gradual das exportações de petróleo do Golfo, especialmente com o retorno do petróleo bruto iraniano aos mercados globais e um aumento da produção dos produtores regionais", destaca Soojin Kim, analista do MUFG. A perspectiva de uma oferta adicional "eliminou, assim, a maior parte do prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços do petróleo durante o conflito, embora os estoques globais continuem apertados", acrescenta.
Por volta de 11h45 GMT (13h45 em Paris), o preço do barril de Brent do Mar do Norte caía 1,37%, a US$ 78,46. Ele estava em torno de US$ 73 no fim de fevereiro, antes do início da guerra. Para o equivalente americano, o WTI, o barril recuava 1,98%, a US$ 75,27, também se aproximando do nível antes da gierra, em torno de US$ 66.
Irã ainda não exclui pedágio
O acordo assinado entre os dois países prevê a reabertura total do estreito, sem pedágio, por 60 dias. O Irã deu a entender que poderia voltar a cobrar para navios circularem na passagem, o que deve ser discutido na segunda etapa das negociações. Essa fase deve durar 60 dias e começa nesta sexta-feira (19) na Suíça, quando ocorre a cerimônia oficial que marca a assinatura do compromisso.
As conversas ocorrerão em um hotel de luxo no Bürgenstock, uma montanha com vista para o lago de Lucerna, segundo o ministério das Relações Exteriores da Suíça. A presença do principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e do vice-presidente americano, JD Vance, havia sido anunciada no início da semana, mas as autoridades suíças não deram detalhes sobre o andamento, os participantes ou a duração do encontro.
Trump rebate críticas
Donald Trump rebateu nesta quinta as críticas após a assinatura do acordo, considerado favorável ao Irã e sem detalhes sobre a questão nuclear. "Esses idiotas, que acham que não fui duro o suficiente com o Irã, enquanto a Bolsa acaba de atingir um RECORDE HISTÓRICO e os preços do petróleo estão caindo, são invejosos, desonestos ou estúpidos", escreveu em sua rede Truth Social.
Para a Fox News, emissora preferida de Trump, o documento "oferece ao Irã enormes vantagens financeiras, sem exigir a desativação de sua infraestrutura nuclear". Para o Wall Street Journal, Donald Trump "cede muito mais do que obtém". Já o senador republicano Bill Cassidy considera tratar-se "do maior erro de política externa em décadas".
Com agências
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.