EUA deportam mais de 2.000 mexicanos para a Guatemala, apesar das objeções do México
Sob as duras políticas migratórias de Donald Trump, os EUA deportaram cerca de 2.300 mexicanos para a Guatemala este ano, além de enviarem outros a Honduras. A estratégia visa afastá-los da fronteira para dificultar a reentrada, contrariando as regras internacionais que priorizam o envio direto à nação de origem. O governo do México já manifestou forte oposição à prática e atua para repatriar seus cidadãos, enquanto defensores dos direitos humanos alertam para a insegurança gerada aos migrantes.
A Guatemala recebeu cerca de 2.300 mexicanos deportados dos Estados Unidos neste ano, informou o governo guatemalteco, que revelou novos detalhes sobre uma prática do governo Trump destinada a dissuadir a migração, à qual o México se opõe.
"Eles estão chegando em aviões com repatriados guatemaltecos", disse o presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, em uma entrevista televisionada na noite de quarta-feira.
Arévalo explicou que os mexicanos deportados são transferidos para seu país de origem em até 24 horas, com os custos de transporte cobertos pelo México ou pelos EUA.
O Ministério das Relações Exteriores do México afirmou em comunicado que se opõe à prática e está trabalhando para repatriar cidadãos deportados para a América Central, sem especificar o número de casos ou os custos.
"O governo do México informou às autoridades dos EUA sua rejeição a essa prática", afirmou a pasta.
O Departamento de Estado dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Pelas regras de acordos internacionais, geralmente os deportados são enviados diretamente para o país de que são cidadãos. Os migrantes podem ser enviados para terceiros países caso seu país de origem os recuse ou se as condições lá forem inseguras.
Mas, no âmbito da política de repressão à imigração do presidente dos EUA, Donald Trump, mais migrantes estão sendo deportados para terceiros países, às vezes por meio de acordos bilaterais. O México costuma aceitar diretamente os deportados dos EUA.
Especialistas em imigração afirmaram que o encaminhamento de mexicanos pela Guatemala ou por outros países pode ter como objetivo dificultar a reentrada ilegal nos EUA, afastando-os ainda mais da fronteira entre os EUA e o México.
Embora os EUA tenham historicamente priorizado a deportação de mexicanos por via terrestre para o norte do México, Savi Arvey, diretora de políticas da Human Rights First, afirmou que, desde maio, os EUA têm deportado "sistematicamente" mexicanos para Honduras e Guatemala.
A Human Rights First afirmou ter confirmado a deportação de cerca de 200 mexicanos para Honduras.
O Centro de Atendimento a Migrantes Repatriados do governo hondurenho informou à Reuters que não havia recebido cidadãos mexicanos deportados, e o Ministério das Relações Exteriores de Honduras afirmou não ter informações sobre o assunto.
Em entrevista ao canal de TV norte-americano em espanhol Telemundo, o deportado Arturo Trejo disse, de sua cidade natal no México, que estava entre dezenas de mexicanos transportados de avião dos EUA para Honduras antes de serem devolvidos ao México.
"Eles não nos disseram nada, apenas (disseram) para embarcarmos no voo", disse Trejo.
Ana Maria Mendez, diretora para a América Central do grupo de direitos dos migrantes Wola, disse que a tática de redirecionamento deixou os migrantes na incerteza quanto ao seu destino e se seus direitos seriam protegidos.
Ela citou relatos semelhantes de nicaraguenses sendo deportados para Honduras.
"O que estamos vendo parece fazer parte de uma tendência mais ampla em direção a uma política migratória muito severa dos EUA, na qual buscam instilar terror e medo nos migrantes a qualquer custo", afirmou.
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