Em gesto à Coreia do Norte, Trump decide reduzir manobras militares dos EUA com Seul
Os exercícios militares anuais entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul começaram nesta segunda-feira (17). Donald Trump usou sua rede social para anunciar que irá "reduzir consideravelmente" a participação americana nas manobras, citando especialmente sua "boa relação com Kim Jong-un", líder da Coreia do Norte, e o alto custo das operações.
A mensagem de Trump sobre a redução dos exercícios militares com a Coreia do Sul, publicada na Truth Social, integra uma longa lista de decisões e posicionamentos considerados constrangedores para aliados históricos dos Estados Unidos desde seu retorno à Casa Branca em 2025. No texto, o presidente americano criticou os exercícios. Segundo ele, as manobras são "caras" e "enviam um sinal inadequado e hostil" à Coreia do Norte.
No post, o republicano se refere a si mesmo na terceira pessoa e 'avalia que desde que "Trump é presidente, o regime de Pyongyang não se mostra ameaçador e é respeitoso".
Após a mensagem, a presidência sul-coreana afirmou que o país continuará "coordenando estreitamente" com os Estados Unidos os exercícios militares conjuntos. Seul também manifestou esperança de que a boa relação pessoal entre Donald Trump e Kim Jong-un conduza a um "diálogo construtivo" capaz de favorecer novas negociações.
Manobras conjuntas
A edição deste ano dos exercícios militares conjuntos entre os dois países está prevista para durar 11 dias. As manobras, batizados de "Ulchi Freedom Shield", deveriam mobilizar inicialmente cerca de 18 mil soldados sul-coreanos, além de parte dos 28.500 militares americanos estacionados na Coreia do Sul.
O Ministério da Defesa sul-coreano afirmou na segunda-feira que os exercícios começaram "como previsto".
As operações anuais tem o objetivo de fortalecer a defesa contra Pyongyang, que possui armas nucleares e realiza frequentes testes de mísseis. Este ano, elas também visam avaliar a experiência adquirida pelas tropas norte-coreanas após sua participação ao lado do exército russo na guerra da Ucrânia.
O coronel Ryan Donald, porta-voz do Comando Combinado das Forças dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, elencou como novas ameaças de Pyongyang o aprendizado do uso de drones, de ataques cibernéticos e de interferência em sistemas de GPS.
Recentemente, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou a Coreia do Norte de preparar o envio de entre 30 mil e 50 mil soldados adicionais para apoiar as forças russas, sem detalhar a origem dessas estimativas nem apresentar um cronograma.
No domingo, a imprensa estatal norte-coreana informou que Kim Jong-un declarou estar "orgulhoso" da relação entre seu país e a Rússia, em carta enviada ao presidente Vladimir Putin.
Guerra no Irã
Na rede Truth Social, Trump também mencionou a não participação de Seul nas operações militares americanas contra o Irã para justificar a redução do envolvimento dos EUA nos exercícios.
Já o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, acreditava que a redução das tensões entre Estados Unidos e Irã, observada em junho, permitiria a Trump concentrar seus esforços na resolução da "questão norte-coreana".
Considerado mais conciliador em relação à Coreia do Norte, Lee Jae Myung adotou uma postura diferente da de seu antecessor, conhecido pela firmeza diante de Pyongyang. Desde que assumiu o poder, em junho de 2025, ele tem defendido negociações sem pré-condições com o regime norte-coreano. Até o momento, porém, a Coreia do Norte não respondeu positivamente a essas iniciativas.
Condenação de Pyongyang
Na quinta-feira (13), Pyongyang condenou os exercícios militares conjuntos entre Washington e Seul. O regime alertou para possíveis medidas de "dissuasão" reforçadas como resposta.
A Coreia do Norte considera esses exercícios uma preparação para uma eventual invasão e, em protesto, lançou na quarta-feira (12) um míssil balístico sobre o Mar do Japão.
Para Leif-Eric Easley, professor de Estudos Internacionais da Universidade Ewha, em Seul, uma redução das manobras conjuntas "enfraquecerá a capacidade de dissuasão diante de possíveis conflitos na Ásia".
Segundo ele, eventuais economias financeiras seriam "marginais", enquanto os benefícios diplomáticos para as relações com a Coreia do Norte permanecem incertos.
Com AFP
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