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Coreia do Norte ameaça retomar programa nuclear

Regime de Kim acusou EUA de adotar 'postura arrogante' e voltou a pedir o fim das sanções para cumprir acordo

3 nov 2018
15h13
atualizado às 15h23
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PYONGYANG - A Coreia do Norte ameaçou retomar seu programa de armas nucleares, a não ser que os Estados Unidos suspenda as sanções e pare de se comportar de modo "arrogante", segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores divulgado neste sábado, 3, pela agência pública KCNA.

"Se os EUA mantiverem o comportamento arrogante sem demonstrarem nenhuma mudança de postura, a Coreia do Norte pode acrescentar modificações na linha da estratégia econômica adotada em abril", afirma na nota o diretor do Instituto de Estudos Americanos do ministério, Kwon Jong-gun.

"Como resultado, a palavra 'pyongjin' surgiria de novo e a mudança de linha seria seriamente reconsiderada", acrescenta o comunicado, em alusão à política de desenvolver simultaneamente seu programa de armas nucleares e crescimento econômico.

Kim Jong-un tenta passar imagem de um reformador econômico na Coreia do Norte
Kim Jong-un tenta passar imagem de um reformador econômico na Coreia do Norte
Foto: AFP / BBC News Brasil

As negociações entre Washington e Pyongyang estagnaram em junho, após o encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, no qual os Estados Unidos e comprometeram a garantir a sobrevivência do regime em troca da desnuclearização.

Desde então, o regime norte-coreano reivindica a assinatura de um tratado de paz e da suspensão das sanções para continuar o processo de por fim ao programa nuclear. O regime de Kim sempre exigiu um processo de desnuclearização feito em etapas, e que incluísse o fim das sanções.

No entanto, o governo Trump insiste que as sanções e outras pressões permanecem até que a Coreia do Norte acabe de vez com seu programa nuclear. O retrocesso poderia reacender as tensões entre os países.

O Ministério das Relações Exteriores pediu a Washington que abandonasse seu "devaneio tolo" de que sanções e pressões levarão à desnuclearização. Segundo o ministro, os EUA estariam cometendo um "grande erro" ao acreditar que os norte-coreanos concordariam com o desarmamento unilateral mesmo sob sanções, e ressaltou que a negociação deveria ser baseada em reciprocidade e igualdade.

"Os EUA serão capazes de evitar um futuro lastimável que pode prejudicar a si mesmo e ao mundo somente quando desiste do desejo elevado e do ponto de vista unilateral", segue o comunicado.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse a jornalistas que se encontrará com seu "correspondente" norte-coreano para mais conversações na próxima semana para discutirem a possibilidade de inspetores internacionais entrarem na Coreia do Norte para examinarem centros de testes nucleares.

No início de novembro, Trump disse que a segunda reunião de cúpula com o líder norte-coreano será realizada após as eleições parlamentares americanas de 6 de novembro.

Coreia do Sul apoia. Os vizinhos do sul demonstraram apoio ao pedido do norte para o alívio de sanções e interesse em seguir adiante em um programa ambicioso de desenvolvimento econômico e cooperação, incluindo a construção de ligações rodoviárias e ferroviárias através de sua fronteira fortemente militarizada. 

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Estadão
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