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Brasil condena ocupação israelense na Síria após queda de Assad

Centenas de ataques feitos pelo exército israelense ocorrem desde a última semana

13 dez 2024 - 13h00
(atualizado às 13h29)
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Soldados israelenses montam guarda perto da linha de cessar-fogo entre a Síria e as Colinas de Golã ocupadas por Israel , em 9 de dezembro de 2024.
Soldados israelenses montam guarda perto da linha de cessar-fogo entre a Síria e as Colinas de Golã ocupadas por Israel , em 9 de dezembro de 2024.
Foto: REUTERS/Ammar Awad

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou a ocupação israelense em uma área desmilitarizada da Síria, entre as Colinas de Golã,  após a queda do presidente Bashar al-Assad. Em um comunicado feito nesta quinta-feira, 12, o governo classificou a ação como uma violação. 

“O governo brasileiro condena a ocupação, a partir de 8 de dezembro, por efetivos das forças armadas israelenses, da zona desmilitarizada na Síria, em violação ao Acordo de Desengajamento de 1974”, afirmou. O acordo prevê que não haja atividades ou forças militares na zona de separação entre os territórios de Israel e da Síria. 

A pasta ainda pediu que Israel respeite o direito internacional e humanitário, bem como a independência, a soberania e a integridade territorial da Síria. 

Desde a última semana, o Exército israelense conduz centenas de ataques contra o país, com o objetivo de impedir que terroristas tenham acesso a armas químicas e mísseis de longo alcance. As Forças de Defesa de Israel (IDF da sigla em inglês) teriam destruído mísseis com alcance de até 190 quilômetros, caças, helicópteros de ataque, tanques e lançadores entre outras armas. 

Os ataques atingiram ainda instalações da Marinha Síria nos portos de Al-Bayda e Latakia, onde 15 navios de guerra estavam atracados. Até quarta-feira, 11, foram conduzidos pelo menos 350 ataques aéreos. 

O que aconteceu na Síria?

Grupos rebeldes que entraram em Damasco, capital da Síria, durante a madrugada deste domingo, 8, anunciaram que o "tirano" Bashar al-Assad, presidente do país, "fugiu" e apelaram aos cidadãos em países estrangeiros que regressassem para uma "Síria Livre". O primeiro-ministro sírio, Mohamed al-Jalali, já declarou estar pronto para "cooperar" com a liderança escolhida pelo povo e com qualquer transferência de comando.

Através do Telegram, os rebeldes declararam que "a cidade de Damasco (está) livre" após a fuga do "tirano Bashar al-Assad". "Após 50 anos de opressão sob o comando do (Partido) Baath e 13 anos de crimes e deslocamentos forçados, anunciamos hoje o fim deste período e o início de uma nova era para a Síria."

O primeiro-ministro, por sua vez, em discurso transmitido em sua conta no Facebook, afirmou que a Síria "pode ser um país normal que constrói relações com os seus vizinhos e com o mundo, mas isso depende da liderança eleita pelo povo sírio." Jalali completou pontuando que o governo está "pronto para cooperar (com a liderança) e oferecer todas as facilidades possíveis."

A queda do governo ditador trouxe de volta a busca por justiça contra os crimes cometidos pelo regime, permitindo que grupos de direitos humanos tenham a oportunidade de inspecionar prisões, entrevistar testemunhas livremente e construir casos jurídicos. 

No entanto, há também frustração, pois o objetivo era levar Assad ao banco dos réus, o que hoje parece fora de cogitação, uma vez que ele se exilou em Moscou, na Rússia.

Nesta quinta, o governo Israel afirmou que o Exército continuará no território sírio até que "uma nova força" seja estabelecida e atenda às suas demandas de segurança.

"O colapso do regime sírio criou um vácuo na fronteira de Israel e na zona desmilitarizada", disse o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu. Segundo ele, os soldados israelenses se deslocariam pelo território sírio apenas temporariamente, mas não deu um prazo para sua partida.

** Com informações do Estadão, AFP e AP.

Fonte: Redação Terra
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