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Berlusconi desiste de tentar Presidência da Itália

Medida foi tomada para 'unidade nacional', segundo político

22 jan 2022 16h11
| atualizado às 16h17
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O ex-primeiro-ministro e líder do Força Itália (FI) Silvio Berlusconi desistiu de tentar ser presidente da Itália no pleito que começará na próxima segunda-feira (24), informam seus aliados mais próximos - em notícia posteriormente confirmada pelo próprio político.

Berlusconi desistiu de concorrer à Presidência
Berlusconi desistiu de concorrer à Presidência
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Neste sábado (22), o italiano havia participado de uma reunião com expoentes de sua sigla e deveria participar de um encontro dos líderes do bloco "centro-direita", que reúne os partidos ultranacionalistas Liga, de Matteo Salvini, e Irmãos da Itália (FdI), de Giorgia Meloni.

No entanto, Berlusconi não se reuniu com os aliados políticos e, pouco depois, enviou uma nota oficial ao encontro em que anunciava o "passo atrás".

Entre as justificativas, o ex-premiê afirmou que quer manter a "unidade nacional" e que o atual primeiro-ministro, Mario Draghi, deve "continuar no Palazzo Chigi" porque está fazendo um "ótimo trabalho".

A nota ainda agradece aos parlamentares que apoiaram sua candidataram e destaca que ele sempre serviu ao país.

Segundo o presidente do FI, é preciso que a centro-direita - que, segundo as pesquisas eleitorais têm quase metade dos votos dos italianos - ofereça um nome conjunto e com o máximo de consenso possível para a Presidência do país.

Carta à população

Após o anúncio aos aliados, Berlusconi divulgou uma carta oficial sobre sua decisão.

"A Itália tem a necessidade de união, para além da distinção maioria-oposição, para manter o esforço de combater a gravíssima emergência sanitária, para fazer o país sair da crise. A nação pode retomar nos momentos difíceis se todos souberem encontrar, como ocorreu no pós-guerra, um senso comum de pertencimento à nossa democracia, superando as feridas e para além das legítimas e também necessárias diferenças", diz o texto.

Segundo o ex-premiê, "decidi dar um novo passo sobre a estrada da responsabilidade nacional, pedindo a quem propôs que desista de indicar meu nome para a Presidência da República".

"Continuarei a servir meu país de outra maneira, como fiz nesses anos, como líder político e parlamentar europeu, evitando que sobre o meu nome se consumam polêmicas ou lacerações que não encontram justificativas que hoje a nação não pode se permitir", diz ainda o documento.

Após a divulgação, Salvini também se manifestou publicamente elogiando Berlusconi e confirmando que o bloco de centro-direita indicará um nome em consenso.

"Berlusconi está fazendo um grande serviço pela Itália e pela centro-direita, que agora terá a honra e a responsabilidade de avançar as suas propostas sem mais vetos da esquerda", disse referindo-se, especificamente, ao Partido Democrático (PD) e aos populistas de centro Movimento 5 Estrelas.

No entanto, segundo fontes do encontro, Meloni não concordou com o pedido de Berlusconi de que Draghi continue no poder até o fim da legislatura. Como as pesquisas de opinião indicam o FdI como a sigla que teria mais votos em um eventual adiantamento das eleições, a representante continua com o desejo de assumir o cargo de premiê.

Sucessão

Atualmente, Draghi consegue manter sem grandes sustos uma coalizão que vai da extrema-direita à esquerda passando pelos populistas.

Entre as negociações dos partidos para a disputa que começará nesta segunda-feira no Parlamento, há correntes que querem que o atual premiê vá para a presidência substituir Sergio Mattarella. Outros defendem que Draghi deve permanecer até o fim da legislatura, em 2023.

Porém, o cenário ainda está bastante indefinido, com ao menos sete pessoas com chances reais de assumir o posto.

Ao ser lançado pela centro-direita, o nome de Berlusconi encontrou grandes resistências, especialmente, do PD e do M5S, que disseram publicamente que não apoiariam a escolha. A justificativa é de que o cargo de presidente deve ser ocupado por uma pessoa mais institucional e não por alguém envolvido diretamente na política partidária.

Para ser eleito presidente da Itália, um candidato precisa obter dois terços dos 1009 votos possíveis (673), mas esse patamar vale apenas para os três primeiros escrutínios. Se o pleito chegar até a quarta votação, passa a ser necessária apenas a maioria simples (505).

Essa diferença é uma maneira de incentivar os partidos a buscar um consenso o mais amplo possível. .
   

Ansa - Brasil   
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