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Autoridade comercial de Cuba diz que EUA impedem reformas e nega negociações com associados de Trump

29 set 2026 - 09h32
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Resumo
O ministro do Comércio Exterior de Cuba, Oscar Pérez-Oliva Fraga, negou reuniões com empresas ligadas a Donald Trump e apontou o embargo dos EUA como o principal entrave às reformas de livre mercado na ilha. Segundo ele, as sanções norte-americanas, intensificadas por bloqueios ao petróleo, buscam recriar uma dependência colonial ao favorecer investidores dos EUA e pressionar parceiros internacionais, enquanto Washington exige eleições livres para flexibilizar as medidas restritivas.

A principal autoridade comercial de Cuba ‌desmentiu notícias de que empresas ligadas ao presidente dos EUA, Donald Trump, teriam ido a Cuba este ano para discutir negócios, ao mesmo tempo em que classificou o embargo comercial dos EUA como o maior obstáculo à implementação de reformas históricas de livre mercado.

O vice-primeiro-ministro e ministro do Comércio Exterior de Cuba, Oscar Pérez-Oliva ⁠Fraga, afirmou que nem ele nem qualquer outra autoridade cubana se reuniu com ‌representantes de empresas ligadas a Trump.

"Não tenho conhecimento de nenhuma empresa diretamente ligada ao presidente Trump que tenha entrado em contato com Cuba", disse Pérez-Oliva à ‌Reuters em uma entrevista abrangente em seu escritório no ‌nono andar em Havana, de frente para o Estreito da Flórida.

Sob crescente ⁠pressão do governo Trump, incluindo sanções renovadas que afetam duramente sua economia, Cuba anunciou em junho reformas de livre mercado sem precedentes que, se totalmente implementadas, representariam a maior mudança na economia socialista da ilha desde que o ex-presidente Fidel Castro assumiu o poder em 1959.

Mas, segundo Pérez-Oliva, para que haja mais avanços, Washington ‌precisa flexibilizar as sanções, que incluem um bloqueio ao petróleo imposto em janeiro, o ‌qual praticamente eliminou as importações ⁠do México, da ⁠Venezuela e de outros antigos principais fornecedores de combustível.

"Não é nossa política proibir que empresas norte-americanas invistam ⁠em Cuba, façam comércio com Cuba ou ‌conduzam negócios de qualquer tipo ‌com Cuba", disse Pérez-Oliva. "O que impede essa possibilidade é a existência do embargo comercial."

Washington afirma que as reformas da ilha não vão longe o suficiente e tem exigido eleições "livres e justas".

Ao longo dos anos, pessoas ligadas a ⁠Trump têm sido associadas a possíveis oportunidades de negócios em Cuba. Em 2016, parceiros de negócios de Trump visitaram Cuba e se reuniram com altas autoridades do setor de turismo para discutir oportunidades, de acordo com atas dessas reuniões analisadas pela Reuters.

As políticas do governo Trump distorceram ‌alguns setores da economia cubana em favor dos investidores norte-americanos, disse Pérez-Oliva à Reuters.

"Por um lado, empresas internacionais — parceiros tradicionais de Cuba em todo o mundo — ⁠estão sendo ameaçadas e pressionadas a interromper as relações econômicas e comerciais com nosso país", declarou. "Por outro lado, estão sendo feitos esforços para impulsionar as atividades de empresas norte-americanas."

Ele apontou uma política do Departamento de Estado dos EUA que permitiu que empresas norte-americanas exportassem combustível para o setor privado cubano, o que ele criticou como uma tentativa de fazer Cuba voltar à dependência dos Estados Unidos, como na era colonial.

"(A política) visa forçar a dependência econômica de Cuba", disse Pérez-Oliva, cuja avó materna, Ângela Castro, era irmã mais velha do ex-presidente cubano Fidel Castro. "Nunca mais seremos uma colônia de nenhum país."

O governo de Cuba tem mostrado poucos sinais de desmoronamento, apesar das graves dificuldades econômicas e das repetidas promessas de Trump de que ele entraria em colapso em breve.

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