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Na França, líder de partido de extrema direita é acusado de comentários antissemitas

A polêmica sobre os supostos comentários antissemitas atribuídos a uma das principais figuras da extrema direita na França mobiliza a opinião pública nesta terça-feira (29). No centro do escândalo está Jordan Bardella, de 31 anos, presidente do partido Reunião Nacional (RN), em plena campanha para as eleições presidenciais de 2027.

29 set 2026 - 08h59
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Resumo
Uma investigação do site Mediapart revelou supostas mensagens antissemitas enviadas entre 2013 e 2015 por Jordan Bardella, presidente do partido francês de extrema direita Reunião Nacional. Os textos atribuídos ao político atacam judeus e apoiam teorias conspiratórias. Bardella e sua aliada Marine Le Pen negaram veementemente as acusações, alegando falsificação e motivação política para desestabilizá-lo, enquanto a comunidade judaica local criticou a violência dos comentários expostos.

As supostas declarações antissemitas de Jordan Bardella vieram à tona na segunda-feira (28) pelo site investigativo Mediapart. Segundo a reportagem, os comentários teriam sido feitos em chats online entre meados de 2013 e 2015, quando o atual presidente do RN era um jovem militante da então Frente Nacional (FN).

A investigação, conduzida ao longo de vários meses, baseia-se em conversas privadas que foram autenticadas "de forma independente" pelo veículo, além de testemunhos. As mensagens teriam sido escritas por Bardella quando ele tinha entre 17 e 18 anos. 

Entre os trechos citados pela reportagem, Bardella teria escrito que "o judeu tem que dominar outros povos, esmagá-los e roubá-los. Um sionista é necessariamente um judeu, e profundamente judeu". Em outras mensagens, teria acrescentado: "É isso que eles querem, uma Nova Ordem Mundial dominada por Israel, com Jerusalém, é claro, como capital" e que, na França, os "ministérios mais importantes" estão sob "a responsabilidade de pessoas que atuam em prol dos interesses de Israel".  

Bardella também teria atacado personalidades políticas da época. Em uma das mensagens, teria afirmado que Pierre Moscovici, então ministro da Economia do presidente socialista François Hollande, queria "salvar as empresas" para "vingar Moisés". Em outro trecho, teria escrito que "os ministérios mais importantes" estão sob "a responsabilidade de pessoas que atuam em prol dos interesses de Israel" e "os interesses bancários vêm antes dos interesses franceses", além de ter escrito que "todos os bancos são controlados por judeus".

As conversas também revelariam apoio ao humorista francês Dieudonné, já condenado naquela época por incitação ao ódio. De acordo com as mensagens reproduzidas pelo Mediapart, Bardella teria afirmado que ele travava "uma verdadeira batalha de ideias".

Bardella fala em difamação

Esta não é a primeira vez que o presidente do RN se vê em uma polêmica relacionada a declarações atribuídas a ele. Em 2024, o canal público France 2 trouxe à tona afirmações racistas e homofóbicas que Bardella teria feito entre 2015 e 2017, quando já ocupava o cargo de conselheiro regional do partido na região parisiense. 

Ele rejeita categoricamente as acusações e afirma que os documentos são "falsificações grosseiras". Na rede social X, o líder do partido de ultradireita rejeitou "formalmente" as acusações, classificando-as de "mentiras descaradas". Na noite de segunda-feira, ele afirmou à emissora CNews que seu advogado apresentou uma queixa por "difamação". 

Segundo ele, o fato de não ser um militante ativo da Frente Nacional durante meados de 2013 e de ser menor de idade deveria demonstrar o caráter falso das fontes utilizadas. Bardella afirmou que quaisquer documentos apresentados nesse sentido seriam necessariamente falsificados e fariam parte de uma "verdadeira operação clandestina". 

Bardella afirmou ainda que tudo estaria sendo feito para desestabilizar sua campanha presidencial e destruí-lo politicamente. Segundo ele, ou o Mediapart está por trás da operação ou está sendo manipulado por pessoas interessadas em prejudicá-lo.

Jordan Bardella ao lado de Marine Le Pen, em 6 de julho de 2026, em Liévin.
Jordan Bardella ao lado de Marine Le Pen, em 6 de julho de 2026, em Liévin.
Foto: RFI

Marine Le Pen denuncia "armação"

Já Marine Le Pen, candidata do RN à Presidência da França, denunciou uma suposta "armação" e saiu em defesa de seu aliado político. Durante uma feira do setor da construção em Paris, Le Pen afirmou que as acusações lhe pareciam tão absurdas que só poderiam ser falsas.

"Espero que todas as pessoas citadas entrem imediatamente com uma ação por difamação contra o Mediapart, que me parece estar fazendo acusações simplesmente insanas", afirmou a líder da extrema direita diante de jornalistas.

Le Pen disse ainda não ter lido a reportagem, mas classificou as revelações como uma "loucura".

Comunidade judaica critica RN

O presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (Crif), Yonathan Arfi, reagiu às revelações, afirmando que elas ilustram os limites da estratégia de "normalização" adotada pelo RN nos últimos anos.

"Estou, como todos, chocado com a violência dos comentários antissemitas atribuídos a Jordan Bardella. A juventude não pode justificar esse tipo de discurso", declarou à AFP. Para Arfi, o DNA do partido, que ele descreve como um refúgio para identitários e conspiracionistas, não mudou fundamentalmente.

Desde que assumiu o comando da legenda em 2011, Marine Le Pen tenta afastar o partido da imagem construída por seu pai, Jean-Marie Le Pen, várias vezes condenado pela Justiça francesa por declarações negacionistas e antissemitas.

Suposta admiração por Alain Soral

Outro aspecto da investigação aborda uma possível admiração do jovem Bardella por Alain Soral, ensaísta francês conhecido por suas posições antissemitas e que rompeu com a Frente Nacional em 2009.

De acordo com as mensagens reproduzidas pelo Mediapart, Bardella teria escrito quatro anos depois que "as análises de Soral são corretas, porque tudo se confirma nos fatos".

O site afirma ainda que o então militante do RN teria mencionado uma suposta "submissão da França a uma lógica sionista" e defendido que o sionismo e a dominação financeira estariam ligados, citando instituições e famílias financeiras como Goldman Sachs, Rothschild e Lehman Brothers.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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