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América Latina

Tema de série de TV, Pablo Escobar ainda é admirado na Colômbia

12 jun 2012 - 18h30
(atualizado às 18h42)
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Uma série de TV sobre a vida de Pablo Escobar registra grande audiência na Colômbia e preocupa aqueles que acreditam que o programa reforça a admiração de muita gente pelo traficante mais famoso da História.

Filho do colombiano Pablo Escobar, um dos maiores narcotraficantes da década de 1980, morto em 1993, o arquiteto Sebastian Marroquín construiu uma vida completamente oposta a que viveu quando criança ao lado do pai
Filho do colombiano Pablo Escobar, um dos maiores narcotraficantes da década de 1980, morto em 1993, o arquiteto Sebastian Marroquín construiu uma vida completamente oposta a que viveu quando criança ao lado do pai
Foto: Edson Lopes Junior / Terra

Quase 20 anos depois da morte do fundador do Cartel de Medellín, milhões de colombianos sintonizam todas as noites na série "Escobar - O Chefe do Mal" para conhecer melhor o homem que simbolizou o poder do narcotráfico e semeou o terror na sociedade colombiana durante seu brutal confronto com o Estado.

"Todos nos lembramos de uma bomba de Escobar, de um atentado que vivemos e nos chocou. Mas o importante e revelador é ver todo o conjunto, como uma coisa levou à outra", argumenta Juana Uribe, produtora dessa ficção de 63 capítulos transmitida há duas semanas nas telas da rede Caracol.

Uribe defende que o propósito dessa ambiciosa produção, rodada em Bogotá, Medellín e Miami a um custo de cerca de 170.000 dólares por capítulo, é descrever "um Escobar em toda sua dimensão", assim como realçar "quem lhe enfrentou".

A própria produtora e Camilo Cano, o outro criador da série, são familiares de duas das vítimas mais emblemáticas de Escobar: o candidato à presidência Luis Carlos Galán e o jornalista Guillermo Cano, assassinados em 1989 e 1986, respectivamente.

"É um programa importante para as novas gerações, que não têm um conhecimento profundo sobre Escobar e dificilmente irão a uma livraria para ler quem foi ele", afirmou à AFP Andrés Parra, o ator que interpreta o traficante.

Mas em Medellín, onde Escobar ditou sua lei até ser morto em 1993 e ainda é tido como um benfeitor nos bairros pobres, trabalhadores sociais lamentam a exposição de seu mundo de luxo, poder e mulheres, que por anos contribuiu para a estigmatização da cidade e do país.

"Os jovens das zonas de conflito estão fascinados com esta série. Identificam-se com o personagem de Pablo", explicou por telefone à AFP o padre Juan Carlos Velásquez, que trabalha na ressocialização de jovens delinquentes.

"Até que uma jovem se aproximou de mim e me perguntou: ''padre, como Escobar era bom, né?'', relatou.

"O Chefe do Mal" baseia-se no livro-reportagem "A Parábola de Pablo" (2001) de Alonso Salazar, que elogiou o fato de a série adentrar nas contradições de Escobar.

"Nunca acreditei que as séries decidem o que acontece em uma sociedade, nem que os jovens serão delinquentes por assisti-las", disse Salazar à AFP, prefeito de Medellín entre 2008 e 2011.

Diferentemente de outros países afetados, a televisão colombiana já abordou problemas sociais espinhosos derivados do narcotráfico, como na série "Sin tetas no hay paraíso" (2006), e agora acredita ser necessário apontar os responsáveis.

"O que é grave não é o fato de contarmos essa história", diz a produtora Juana Uribe. "O que é grave é que isso tenha acontecido e que corremos o risco de voltar a acontecer".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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