Milhões de venezuelanos foram às ruas de Caracas na quarta-feira durante o cortejo fúnebre do presidente Hugo Chávez. Outras milhares de pessoas acompanham - aguardando em filas longuíssimas - o seu velório, que deve se estender até o final da próxima semana. Ao longo da história, poucos foram os líderes políticos mundiais que conseguiram atrair grandes multidões para se despedirem deles, veja a seguir alguns deles
Foto: AFP
Estima-se que cerca de três milhões de pessoas acompanharam o funeral do aiatolá Khomeini, em Teerã, em 1989. O religioso liderou o Irã após a revolução de 1979
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Acredita-se que entre 2 e 4 milhões de pessoas acompanharam o funeral do papa João Paulo II no Vaticano e em Roma no dia 8 de abril de 2005
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Apesar de não ser possível estimar quantas pessoas compareceram ao funeral do líder norte-coreano Kim Jong-il em 28 de dezembro de 2011, em Pyongyang, imagens de veículos oficiais do país mostravam centenas de milhares de pessoas, talvez milhões, acompanhado os serviços fúnebres
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Estima-se que cerca de 1,5 milhão de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre do ex-primeiro-ministro turco Necmettin Erbakan em Istambul no dia 1º de março de 2011. Erbakan, o primeiro islamita a ser premiê turco, ocupou o cargo por apenas um ano, entre 1996 e 1997, quando pressionado por militares a deixar o cargo e posteriormente foi proibido de disputar cargos políticos. No entanto, apesar da brevidade de seu regime, ele é considerado o mentor de lideranças com raízes islâmicas no país
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Uma das maiores concentrações de pessoas em um funeral na história aconteceu durante as cerimônia fúnebres para o presidente egípcio Gamel Abdel Nasser, no Cairo, em 28 de setembro de 1970. Acredita-se que cerca de 5 milhões de pessoas se mobilizaram para se despedir do líder, o mais carismático da história moderna do Egito
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Considerada a "mãe dos pobres" argentinos, Eva Perón atraiu multidões para o seu funeral em Buenos Aires em agosto de 1952. O corpo de Evita, como era conhecida a segunda mulher do presidente Juan Perón, foi embalsamado e passou três exposto à visitação pública
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Um mar de indianos acompanhou o funeral do líder do partido nacionalista hindu Shiv Sena, Bal Thackeray, em 18 de novembro de 2012, em Mumbai. Apesar de polêmico e ter sido acusado de promover violência étnica e religioso, Bal Thackeray era extremamente popular. Seu funeral atraiu cerca de 2 milhões de pessoas
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A maior aglomeração para um funeral de um presidente americano recente aconteceu para a despedida de John F. Kennedy, em novembro de 1963. Estima-se que pelo menos 300 mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre e 250 mil entraram em fila para o ver o corpo. Em comum a Chavez, acredita-se que pessoas chegaram a esperar mais de 10h para se despedir de Kennedy, que foi morto quando ocupava a Casa Branca
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Uma das maiores reuniões da história do Reino Unido ocorreu em razão do funeral do primeiro-ministro Winston Churchill em Londres, em 30 de janeiro de 1965. Churchill foi o líder do país durante a Segunda Guerra Mundial e depois nos anos 50
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Acredita-se que cerca de 1 milhão de pessoas acompanharam o funeral do líder chinês Mao Tsé-Tung na Praça da Paz Celestial, em Pequim, em setembro de 1976
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Multidão de pessoas se reúne nos arredores da Catedral de Notre Dame, em Paris, para o velório do presidente francês Charles de Gaulle, em 12 de novembro de 1970. Centenas de milhares de pessoas acompanharam os serviços fúnebres do líder que comandou a França durante e após a Segunda Guerra Mundial. A maior mobilização do tipo para um líder político da história do país
Foto: AP
Centenas de milhares de argentinos se reuniram em frente à Casa Rosada, palácio presidencial em Buenos, para se despedir de Nestor Kirchner em 28 de outubro de 2010. O corpo foi exposto para visitação por mais de 24 horas
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O escritor peruano Mario Vargas Llosa afirmou que a "revolução bolivariana" liderada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desaparecerá derrotada pela realidade do país, com altos índices de criminalidade e corrupção. Em coluna publicada neste domingo no jornal La República, Llosa diz que "esse híbrido ideológico que Hugo Chávez maquinou, chamado revolução bolivariana ou socialismo do século XXI, já começou a descompor-se".
Existe uma Venezuela antes e uma depois de Chávez, diz professora:
"E desaparecerá mais cedo que tarde, derrotado pela realidade concreta, a de uma Venezuela, o país potencialmente mais rico do mundo, a qual as políticas do caudilho deixam empobrecida, fraturada e inflamada, com a inflação, a criminalidade e a corrupção mais altas do continente", acrescentou o prêmio Nobel de Literatura de 2010.
O agraciado escritor assinalou em sua coluna intitulada "A morte do caudilho" que a morte de Chávez "põe um ponto de interrogação sobre essa política de intervencionismo no resto do continente latino-americano que, em um sonho megalômano característico dos caudilhos, o comandante morto se propunha a tornar socialista e bolivariano".
"O povo venezuelano parecia aceitar este fantástico desperdício contagiado pelo otimismo de seu caudilho, mas duvido que nem o mais fanático dos chavistas acredite agora que Nicolás Maduro (presidente interino) possa chegar a ser o próximo Simón Bolívar", apontou Vargas Llosa.
Na opinião do também comentarista político, "a grande tarefa da aliança opositora comandada por Henrique Capriles está em convencer esse povo que a democracia futura da Venezuela se livrará dessas taras que a afundaram".
Foi no Exército que, ainda jovem, Hugo Chávez Frias começou a cultivar o conceito do bolivarianismo, quando formou um grupo secreto, denominado Movimiento Bolivariano Revolucionario 200 (MBR). Quando foi eleito presidente do país pela primeira vez, ele propôs e conseguiu implementar uma nova constituição, na qual mudava o nome do país para República Bolivariana da Venezuela. Nesta foto, de 2001, o líder venezuelano posa em frente a um busto de Simón Bolívar em Bruxelas, na Bélgica
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Hugo Chávez segura espada do líder bolivariano Simón Bolívar durante cerimônia para marcar seu 219º aniversário, realizada em Caracas em 2002. Bolivar (1783-1830) é considerado um dos maiores generais da América do Sul
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Chávez (dir.) toma parte na inauguração de um busto de Simón Bolívar em Moscou na Rússia, antes de se reunir com Vladimir Putin, em 2006. Conhecido como "El Liberator", Bolívar obteve vitórias militares que levaram à independência de diversos países sul-americanos
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O presidente venezuelano tranca o caixão de Simón Bolívar, considerado herói da independência de vários países sul-americanos, durante cerimônia comemorativo a seu 227º aniversário, em Caracas, celebrado em 2010
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Mausoléu que vai abrigar os restos mortais do herói nacional venezuelano Simón Bolívar aparece nesta imagem de 2012: um tributo de Hugo Chávez ao seu ídolo, "O Libertador"
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Chávez revela imagem digital do rosto de Simón Bolívar, reconhecido como herói da independência venezuelana, em 2012. A imagem foi apresentada no palácio presidencial de Miraflores no dia do nascimento de Simón Bolivar, morto em 1830
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A divulgação do rosto de Simón Bolívar foi comemorada por Chávez, que considera seu projeto político como fruto direto do processo independentista de Bolívar. O presidente da Venezuela dizia que liderou uma 'revolução bolivariana' que o herói latino-americano deixou incompleta
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O presidente da Venezuela aplaude busto de seu herói durante inauguração realizada em 2004 em Pequim, na China. As vitórias de Simón Bolívar sobre os espanhóis levaram à independência da Bolívia, Panamá, Colômbia, Ecuador, Peru e Venezuela
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Chávez entrega uma espada cerimonial ao presidente boliviano Evo Morales em 2006, frente a um quadro que retrata Simón Bolívar
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No Brasil, Hugo Chávez aponta para um busto gigante do herói venezuelano, conhecido na América Latina como "o Libertador", durante visita ao País em 1999. O busto está localizado no Memorial da América Latina, em São Paulo