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Justiça do Chile rejeita acusação contra Bachelet por mortes em tsunami

Parentes de algumas das vítimas pediram para apurar 'eventual responsabilidade' da ex-presidente nas mortes causadas pelo tsunami de 27 de fevereiro de 2010

25 mar 2013
18h43
atualizado às 18h55
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Em 2010, após deixar a presidência, Bachelet foi nomeada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, diretora da recém criada ONU Mulheres
Em 2010, após deixar a presidência, Bachelet foi nomeada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, diretora da recém criada ONU Mulheres
Foto: Reuters

Um tribunal do Chile negou nesta segunda-feira um pedido para acusar a ex-presidente Michelle Bachelet por sua "eventual responsabilidade" nas mortes causadas pelo tsunami que atingiu o país depois do terremoto do 27 de fevereiro de 2010. O pedido foi apresentado por Raúl Meza, advogado dos parentes de algumas das vítimas, com o argumento de que Bachelet, como presidente da República, "era o comando de autoridade".

No entanto, o tribunal da capital chilena negou a solicitação por não cumprir os requisitos estabelecidos pela lei. Bachelet depôs duas vezes - uma por escrito e outra pessoalmente - sobre o fracassado alerta de tsunami que seguiu ao terremoto e que, segundo a procuradoria, se tivesse sido executado corretamente, poderia ter evitado várias mortes.

Segundo dados oficiais, a tragédia deixou 526 mortos, 156 vítimas do tsunami que arrasou várias cidades litorâneas e insulanas, além de ter provocado os desaparecimentos de 25 pessoas, que até agora não foram encontradas.

A nova menção a Bachelet no caso foi feita poucos dias antes do retorno da ex-presidente ao Chile. Ela renunciou à direção executiva da ONU Mulheres possivelmente para se candidatar novamente ao governo do país nas eleições que serão realizadas em novembro deste ano.

Fontes do Partido Socialista (PS) disseram hoje que Bachelet chegará ao país na próxima quarta-feira, e que ainda mantém em segredo os primeiros compromissos após seu retorno ao Chile. No dia 17 de março, o presidente do PS, Osvaldo Andrade, disse que após sua chegada Bachelet deve emitir uma declaração sobre a disposição para concorrer a uma nova candidatura presidencial.

Na audiência judicial realizada nesta segunda-feira, a procuradora do caso, Solange Huerta, acusou novamente, desta vez por "quase-delito de homicídio culposo", oito pessoas, entre elas membros importantes do governo de Bachelet, que até agora só haviam sido acusados por negligência na divulgação do alerta de tsunami.

Patrício Rosende, ex-subsecretário do Interior, acusado por 105 "quase-delitos" de homicídio, declarou na audiência: "Não tenho dúvidas de que sou inocente". Além disso, garantiu que na madrugada da tragédia chegamos ao Onemi (Escritório Nacional de Emergência) para salvar vidas". Ele também disse que as acusações são consequência de um cenário político que tem como alvo principal Michelle Bachelet. 

A procuradora do caso também atribuiu 28 "quase-delitos de homicídio" à ex-diretora do Onemi, Carmen Fernández, e 77 ao ex-chefe de Alerta Antecipado do Onemi, Johaziel Jamett. Os outros cinco acusados também foram receberam novas acusações, que atribuíram a eles entre 31 e 14 mortes causadas pelo tsunami.

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EFE   
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