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América Latina

Colombianos temem que campanha eleitoral seja contaminada pelo intervencionismo americano

A conversa telefônica entre os chefes de Estado Gustavo Petro e Donald Trump, na quarta-feira, 7 de janeiro, pôs fim a várias semanas de tensões diplomáticas. Mas, sobretudo, embaralhou o cenário político a três meses das eleições legislativas de março e a seis meses da eleição presidencial de maio de 2026.

12 jan 2026 - 17h21
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Najet Benrabaa, enviada especial da RFI a Bogotá

O presidente Gustavo Petro durante um evento em defesa da soberania da Colômbia em 7 de janeiro em Bogotá.
O presidente Gustavo Petro durante um evento em defesa da soberania da Colômbia em 7 de janeiro em Bogotá.
Foto: © RFI / Najet Benrabaa / RFI

Bandeiras colombianas e estandartes com a imagem de Simón Bolívar, vuvuzelas nas cores nacionais, cantos patrióticos e slogans inflamados contra uma eventual intervenção americana: na quarta-feira, 7 de janeiro, a praça Bolívar vibrava com fervor nacionalista. Mais de 30 mil pessoas, segundo estimativas, entoavam "Es Colombia, no colonia" ("É Colômbia, não colônia"). Elas defendiam a soberania do país diante das ameaças de Washington, reiteradas na noite do sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Mas, algumas horas depois, do alto da tribuna, o presidente Gustavo Petro anunciou que havia falado por telefone com Donald Trump. Foi o primeiro contato direto desde o início do segundo mandato do presidente americano. A ligação diplomática permitiu atenuar uma crise que havia surgido e se alimentado nas redes sociais, onde os dois dirigentes trocaram ameaças, insultos e críticas públicas. Durante a conversa, o esquerdista Petro chegou a aceitar um convite de Trump para uma reunião na Casa Branca.

O episódio, porém, ocorreu em momento oportuno para a oposição colombiana, já que o país vive uma intensa campanha eleitoral. As eleições legislativas estão previstas para março e a presidencial para maio. Os adversários de Petro não perderam a oportunidade de atacar duramente não apenas sua gestão, mas também a forma como ele conduziu a crise com Washington.

Muitos colombianos agora se perguntam qual será o impacto desse episódio sobre as próximas disputas eleitorais. Eles temem que a sequência de acontecimentos acirre ainda mais o debate político e leve os eleitores a fazer escolhas guiadas pelo medo, e não pela razão.

Edgar Helou, um libanês-franco-colombiano instalado no país há quinze anos, diz ter voltado a sorrir, embora permaneça cauteloso. "Eu me sinto mais tranquilo, mas ainda há um pouco de preocupação", confessa. "Estamos em um ano eleitoral e nos perguntamos se as eleições vão ser realmente livres, se o discurso não vai ser monopolizado pela intervenção de Donald Trump na Venezuela. Para ser honesto, ainda não sei em quem votar. Vou ver na hora", admite.

Yineth Lopez trabalha como vendedora no centro de Bogotá. A moradora da capital segue apreensiva. "Eu tenho medo o tempo todo porque não dá para confiar em Trump. Ele pode mudar de ideia a qualquer momento", opina. "Então o que garante que ele não vai fazer nada durante as eleições na Colômbia? Nada!"

"Ainda não decidi meu voto, mas isso me empurra para candidatos que consigam oferecer uma opção muito mais diplomática e que, em seus programas políticos, consigam reduzir a tensão e evitar os riscos de uma intervenção violenta na Colômbia", resume Ana María Parra, outra moradora da capital. "Acho que meu voto vai nessa direção."

"Isso pode favorecer tanto a esquerda quanto a direita"

Para Yann Basset, professor de ciência política da Universidade del Rosario, em Bogotá, o episódio mudou os rumos da campanha. "De fato, isso provoca bastante medo. E, quando há medo, podemos pensar que o eleitorado, em um reflexo um pouco conservador, vai se direcionar para um candidato mais aceitável para os Estados Unidos, portanto um candidato de direita", analisa. "Mas isso também provoca indignação. E isso pode beneficiar a esquerda", pondera em entrevista à RFI.

Segundo o cientista político, esse fenômeno pode ser intensificado pelo sistema de desinformação adotado pela oposição, em especial nos Estados Unidos. "Há também uma parte da oposição que tem suas próprias conexões em Washington, nos Estados Unidos, especialmente no Congresso. Ela se encarrega de difundir uma imagem negativa do governo colombiano. Foi justamente isso que Gustavo Petro denunciou com frequência, ao afirmar que é vítima de uma campanha de desinformação da oposição, que tenta deteriorar as relações com os Estados Unidos", lembra.

Diante desse contexto, à medida que a campanha avança, temas como a insegurança, o narcotráfico, a guerrilha do ELN e a fronteira com a Venezuela deixam de ser os únicos a pautar o debate. As relações entre Bogotá e Washington entram no centro da disputa política que vai marcar os próximos pleitos colombianos.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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