Impulsionada por eleitores no exterior, Fujimori vira eleição e assume corrida presidencial
A candidata de direita nas eleições presidenciais do Peru, Keiko Fujimori, assumiu a vantagem na disputa contra o rival de esquerda, Roberto Sánchez, graças à apuração dos votos dos eleitores no exterior. Quatro dias após o pleito, realizado no domingo (7), a contagem de votos continua, sob alta expectativa.
Impulsionada pelo apoio de eleitores residentes nos Estados Unidos e no Japão, Fujimori agora detém uma vantagem de 561 votos sobre seu oponente, com 50,002% dos votos válidos até as 3h da madrugada desta quinta-feira (11). Sánchez está em segundo lugar com 49,998% das cédulas.
Mais de 18 milhões de cédulas foram apuradas, ou mais de 98%, segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). O processo pode se estender até o final de junho, dependendo das observações feitas em relação às atas de apuração, de acordo com o chefe do ONPE, Bernardo Pachas.
A demora para os resultados é típica no Peru. Até o momento, 1,76% das seções eleitorais -cerca de 400 mil votos - foram sinalizadas para revisão judicial. A maioria dos votos contestados vem da região metropolitana de Lima, reduto eleitoral de Keiko Fujimori.
Muitos eleitores esperam que a eleição permita ao país virar a página de anos de caos político, em que presidentes foram presos, destituídos e indiciados. A vencedora ou vencedor se tornará a nona pessoa a ocupar a presidência do Peru em dez anos.
Onda à direita
O segundo turno das eleições revela que a nação andina permanece profundamente dividida entre o litoral, que apoia Fujimori, e o sul rural, predominantemente indígena. Keiko Fujimori, de 51 anos, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) e espera capitalizar a onda de apoio a candidatos de direita na América Latina, que venceram eleições recentes na Bolívia, Chile e Equador, graças a uma postura linha-dura contra o crime.
Roberto Sánchez, deputado de 57 anos e ex-ministro, concorre pela primeira vez e obteve um aumento tardio de apoio que o impulsionou para o segundo turno. Sánchez, que liderava as pesquisas de boca de urna na segunda-feira, solicitou na quarta-feira uma reunião com observadores internacionais para discutir "desenvolvimentos estranhos, incomuns e questionáveis" na eleição.
Alguns de seus apoiadores se reuniram em frente à sede da Junta Nacional Eleitoral (JNE) do Peru, no centro de Lima, antes de serem dispersados por jatos de água.
Com Reuters e AFP
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