EUA estarão 'fortemente envolvidos' na indústria de petróleo da Venezuela, diz Trump após captura de Maduro
Após o ataque contra a Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estarão "fortemente envolvidos" na indústria venezuelana de petróleo. A declaração foi dada à emissora Fox News neste sábado (3), horas depois da operação, a qual Trump classificou como "brilhante".
Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York
Segundo Trump, empresas norte-americanas, "as maiores e melhores do mundo", devem atuar no setor. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, mas enfrenta queda acentuada na produção após anos de má gestão, corrupção e o impacto das sanções impostas por Washington.
A operação militar também levantou questionamentos legais. Trump não informou ter buscado autorização prévia do Congresso, e aliados do governo afirmam que a ação se enquadra nos poderes do presidente para proteger interesses e agentes norte-americanos.
O vice-presidente JD Vance classificou a ofensiva como "uma operação verdadeiramente impressionante" e disse que os EUA agiram diante do que chamou de tráfico de drogas e da necessidade de "recuperar o petróleo roubado", argumentos usados pela Casa Branca para justificar meses de pressão militar sobre a Venezuela.
O presidente Donald Trump fará um pronunciamento às 11h, a partir de Mar-a-Lago na Flórida, para comentar a operação e os próximos passos do governo em relação à Venezuela.
Retirados à força
Os ataques foram feitos com helicópteros a partir da 1h50 da manhã (2h30 de Brasília) na capital Caracas, no estado Aragua (região central) e em La Guaira, costa central da Venezuela.
Segundo informações da correspondente da CNN no Pentágono, Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram retirados à força do quarto onde dormiam por militares dos Estados Unidos durante a operação que levou à captura do presidente venezuelano.
A ação, descrita como extraordinária e de caráter noturno, foi confirmada publicamente por Donald Trump, que anunciou os acontecimentos nas redes sociais e, horas depois, detalhou a ação em um pronunciamento à nação.
Em entrevista telefônica ao jornal The New York Times logo após o anúncio inicial, Trump comemorou o resultado da missão. Segundo ele, a captura de Maduro foi fruto de "muito planejamento" e da atuação de "tropas e profissionais excepcionais".
"Foi uma operação brilhante", afirmou Trump.
Trump declarou ainda que Maduro e a esposa estariam a bordo de um navio de guerra dos Estados Unidos e que ambos serão processados judicialmente em Nova York. O julgamento poderia começar já na próxima semana, na United States District Court for the Southern District of New York.
Maduro já havia sido indiciado em 2020 por narcoterrorismo, sob a acusação de tentar "inundar" os Estados Unidos com cocaína como forma de arma política. Em agosto, o Departamento de Justiça elevou para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levassem à sua prisão.
O processo aberto contra Maduro em Nova York afirma que o presidente venezuelano teria participado de uma "conspiração corrupta e violenta de narcoterrorismo", envolvendo o chamado Cartel de los Soles e a guerrilha colombiana FARC, segundo documentos do Departamento de Justiça dos EUA.
A secretária de Justiça dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que Maduro e Cilia Flores enfrentarão acusações criminais em tribunais americanos em um novo processo. Em uma publicação nas redes sociais, Bondi disse que o casal "em breve enfrentará toda a força da justiça dos Estados Unidos, em solo americano".
Nicolas Maduro and his wife, Cilia Flores, have been indicted in the Southern District of New York. Nicolas Maduro has been charged with Narco-Terrorism Conspiracy, Cocaine Importation Conspiracy, Possession of Machineguns and Destructive Devices, and Conspiracy to Possess…
— Attorney General Pamela Bondi (@AGPamBondi) January 3, 2026
Autoridades americanas também indicaram que o navio que transporta Maduro poderia atracar na base naval de Guantánamo, em Cuba, como ponto de transferência, antes do deslocamento para Nova York. Informações preliminares apontam que uma aeronave do FBI teria partido da Flórida para apoiar a logística da operação. O desembarque em Nova York pode ocorrer ainda na tarde deste sábado ou no domingo, segundo informações preliminares de autoridades americanas.
O senador republicano pelo estado de Utah, Mike Lee, afirmou ter conversado com o secretário de Estado Marco Rubio, que teria confirmado a prisão de Maduro por agentes americanos. Segundo Lee, a ação militar teria como objetivo proteger as forças responsáveis pelo cumprimento do mandado de prisão, dentro da autoridade constitucional do presidente dos Estados Unidos.
Reação do Congresso dos EUA
A operação provocou forte reação no Congresso dos Estados Unidos. Parlamentares democratas classificaram a ação como ilegal, por não ter passado pelo Congresso. O senador Andy Kim acusou o governo Trump de mentir ao Legislativo e afirmou que a ofensiva "coloca americanos em risco" e prejudica a credibilidade internacional do país.
Já o senador Ruben Gallego disse que se trata de uma "guerra injustificada", enquanto o deputado Jim McGovern questionou o uso de recursos militares sem autorização formal.
Entre os republicanos, houve apoio à decisão da Casa Branca. O senador Tom Cotton afirmou que Nicolás Maduro "precisa responder por seus crimes" e elogiou a atuação das forças norte-americanas, defendendo que a Venezuela agora escolha entre continuar isolada ou se reintegrar à comunidade internacional.
Outro presidente latino-americano julgado em NY
O caso de Nicolás Maduro não é inédito. Outro presidente latino-americano já foi julgado pela Justiça de Nova York por crimes ligados ao narcotráfico. O ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández foi condenado nos Estados Unidos a 45 anos de prisão por facilitar o envio de centenas de toneladas de cocaína ao país em troca de propinas.
Hernández foi extraditado em 2022, julgado e sentenciado em Nova York em 2024, além de condenado a pagar US$ 8 milhões em multa.
Em dezembro de 2025, no entanto, ele foi libertado após receber um perdão presidencial concedido por Donald Trump, segundo anunciou sua esposa nas redes sociais.