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América Latina

Escassez em Cuba tira até os preservativos das prateleiras

Farmácias e cafés estatais que vendem camisinha estão há quase três meses sem tê-las; parece que o artigo entrou em falta, assim como outros produtos básicos como sabonete e papel higiênico

25 abr 2014 - 18h49
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<p>Um pacote com três preservativos, fortemente subsidiado pelo serviço público de saúde, geralmente custa um peso cubano. Mas agora eles são raros</p>
Um pacote com três preservativos, fortemente subsidiado pelo serviço público de saúde, geralmente custa um peso cubano. Mas agora eles são raros
Foto: Flickr

Os cubanos se acostumaram a conviver com escassez. Sabonete, papel higiênico e até mesmo a cerveja nacional Cristal são alguns dos produtos básicos que, recentemente, sumiram das prateleiras.

Rumores tomam as ruas na busca por explicações - a fábrica está contaminada, o Estado não pode pagar seus fornecedores - até que os produtos, silenciosamente, reaparecem.

Mas ao menos você sabia que encontraria preservativos nas prateleiras. Até agora.

Um pacote com três preservativos, fortemente subsidiado pelo serviço público de saúde, geralmente custa um peso cubano (US$ 0,04).

Mas uma mulher que esperava um ônibus em Havana reclamou que tentou recentemente buscar o produto na farmácia e não o encontrou.

O problema parece ser generalizado.

Há quase um mês, o jornal sindical Trabajadores noticiou a escassez de preservativos na província de Santiago de Cuba, no leste do país. 

Farmácias e cafés estatais que vendem preservativos estão há quase três meses sem tê-los.

"(A falta) gera grande preocupação, pelo nível de infecção de doenças sexualmente transmissíveis e Aids", disse o jornal, ao informar que as contaminações estavam aumentando.

Depois veio o jornal Vanguardia, de Villa Clara, que destacou "as ausências perigosas", citando o desabastecimento completo de preservativos. 

Segundo o jornal, houve um ligeiro aumento de casos de sífilis na região neste ano.

A explicação oficial

Ao contrário de papel higiênico, sabão ou cerveja, agora há pelo menos uma explicação oficial para a escassez. De acordo com a mídia estatal, um grande carregamento de preservativos chineses "Momentos" chegou com data de validade de 2012.

No entanto, de acordo com o fabricante, os produtos eram, na verdade, válidos até 2014, o que foi confirmado pelos controladores de qualidade de Cuba.

Uma operação foi iniciada para alterar a data de cada pacote – um processo lento e responsável pela falta dos produtos nas prateleiras.

O que não foi explicado é por que levou-se tanto tempo para iniciar o processo de correção das embalagens, se, como o Vanguardia disse, o erro foi detectado em 2012. 

E, agora, os problemas de abastecimento chegaram a Havana.

No bairro central de Vedado, nenhuma das três farmácias ou dos três cafés estatais visitados pela BBC tinha preservativos à venda.

Todos os estabelecimentos disseram que a falta já durava "algum tempo".

Educação sexual

A educação sexual nas escolas cubanas começa cedo, e cubanos não têm vergonha de abordar o tema.

O fornecimento de preservativos em eventos públicos é bastante comum e consultórios médicos estão cobertos com cartazes anunciando mensagens de sexo seguro.

Portanto, há grande demanda por preservativos.

"As campanhas de conscientização sobre o HIV tiveram um grande impacto em particular", disse Yadira Alvarez, especialista do Centro de Educação Sexual (Cenesex), que diz que a escassez de preservativos é "um grande motivo de preocupação".

"Até agora a situação é estável. (Mas) esta situação (de escassez) gera um alarme".

A mídia estatal disse que o Ministério da Saúde ordenou que farmácias vendam os preservativos "Momentos" sem a mudança nas embalagens e que informem os clientes sobre o erro.

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