Cristina Kirchner depõe e denuncia "abuso" do Judiciário
A ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, denunciou nesta quarta-feira um "exercício abusivo do poder jurisdicional" na causa que a obrigou a comparecer hoje a um tribunal de Buenos Aires ligação e depor por supostas irregularidades em operações do Banco Central durante seu governo.
"Depois de ser informada sobre os fatos pelos quais pretendem me acusar, entendo e confirmo claramente que só através de um exercício abusivo do poder jurisdicional esta causa pôde ser levada adiante", declarou a presidente em um documento divulgado em seu perfil no Facebook e entregue ao juiz do caso.
"Cada vez que um movimento político de personalidade nacional e popular foi derrubado ou finalizou seu mandato, as autoridades que o sucederam utilizaram de forma sistemática a desqualificação de seus dirigentes, atribuindo-lhes a comissão de graves crimes, sempre vinculados com abusos de poder, corrupção generalizada e bens mal havidos", acrescentou.
Em sua opinião, os "verdadeiros motivos sempre foram os mesmos", e estes são, segundo indicou, "varrer as conquistas conseguidas e os direitos adquiridos pela sociedade em seus diferentes estamentos e atividades" e "impor" programas de ajuste e endividamento "utilizando a suposta corrupção para ocultar ambos objetivos".
A causa, liderada pelo juiz Claudio Bonadio, começou pela denúncia de parlamentares da coalizão Cambiemos, liderado pelo atual presidente da Argentina, Mauricio Macri, e investiga milionárias perdas ocorridas na instituição bancária supostamente por operações realizadas na última parte do mandato de Cristina.
Segundo os denunciantes, através da realização de contratos futuros de dólar, o Banco Central teria vendido dólares a um preço que rondava os 10,65 pesos por unidade, abaixo do preço estabelecido na Bolsa de Nova York para este tipo de contrato (cerca de 14 pesos por unidade na época).
No último dia 26 de fevereiro, Bonadio ordenou a convocação de Cristina para prestar depoimento, assim como, entre outros, do ex-ministro da Economia, Axel Kicillof, e do ex-titular do Banco Central, Alejandro Vanoli.
De acordo com Cristina, cabe assinalar como algo "absolutamente inovado e surpreendente" em termos judiciais ter sido citada para prestar depoimento quando "não existe nenhuma menção, e muito menos acusação" contra ela, nem na denúncia efetuada, "nem por parte do promotor".
Neste sentido, considera que a resolução ditada por Bonadio para convocá-la a depor "resulta contrária à lei e fundada em fatos absolutamente falsos", e destacou que "assim ficará credenciado na esfera judicial competente".
"Como já disse publicamente e reitero mais uma vez: não tenho medo deles. Enfrentarei este processo e qualquer outro que queiram fabricar", concluiu a ex-presidente.