Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

América Latina

Em meio ao conflito no Oriente Médio, Trump faz campanha em Kentucky e Ohio

Em meio à escalada militar no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nesta quarta-feira (11) sua agenda política interna com viagens aos Estados de Kentucky e Ohio. O objetivo é reforçar alianças dentro do Partido Republicano, pressionar adversários internos e consolidar apoio para a eleição legislativa de novembro, que definirá o controle do Congresso americano.

11 mar 2026 - 07h39
Compartilhar
Exibir comentários

Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York

A viagem ocorre um dia depois de duas disputas eleitorais importantes no sul do país: uma eleição especial na Geórgia e as primárias no Mississippi. Os resultados são vistos como um primeiro termômetro do cenário político antes do pleito nacional que vai renovar todos os assentos da Câmara dos Representantes e parte do Senado.

Na Geórgia, o resultado trouxe sinais ambíguos para o presidente. A eleição especial era para preencher a vaga deixada pela republicana Marjorie Taylor Greene, que renunciou ao cargo no início do ano após um rompimento político com Trump.

O candidato apoiado pelo presidente, o ex-promotor republicano Clay Fuller, conseguiu avançar para a próxima fase, mas não alcançou a maioria necessária para vencer no primeiro turno. Ele agora enfrentará o democrata Shawn Harris, general aposentado do Exército, num segundo turno marcado para 7 de abril.

A disputa teve 14 candidatos, incluindo nove republicanos, o que fragmentou o voto conservador. Ainda assim, analistas políticos observam que o resultado representa um revés parcial para Trump, já que seu endosso não foi suficiente para garantir uma vitória imediata.

A eleição ganhou ainda mais relevância por causa do rompimento entre Trump e Greene, que até recentemente era uma das vozes mais influentes da ala conservadora do partido. A relação começou a se deteriorar depois que Greene passou a criticar publicamente decisões do governo, incluindo a postura de Trump em relação ao Irã.

A congressista também pressionou a Casa Branca pela divulgação completa dos arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein e entrou em conflito com o governo durante negociações orçamentárias envolvendo subsídios de saúde. O desgaste político entre os dois cresceu ao longo de meses, com trocas de críticas públicas. Greene renunciou ao cargo em janeiro para evitar uma disputa interna que poderia aprofundar as divisões dentro do partido.

Cenário mais previsível no Mississippi

No Mississippi, o cenário foi mais previsível. A senadora republicana Cindy Hyde-Smith confirmou o favoritismo nas primárias e será a candidata do partido na tentativa de reeleição em novembro. Ela enfrentará o democrata Scott Colom na disputa pelo Senado. O resultado reforça a estabilidade republicana no Estado, tradicionalmente conservador. Apesar disso, a disputa na Geórgia recebeu mais atenção nacional, justamente por envolver um teste direto da influência política de Trump dentro do Partido Republicano.

Enquanto os resultados eleitorais ainda repercutem, Trump decidiu levar outra disputa interna diretamente ao campo eleitoral. Nesta quarta-feira, o presidente participa de um evento em Hebron, no Estado de Kentucky, reduto eleitoral do deputado republicano Thomas Massie, que está no Congresso há sete mandatos.

Massie se tornou um dos principais críticos de Trump dentro do partido. A Casa Branca chegou a classificá-lo como "o republicano favorito dos democratas", por suas posições independentes em votações importantes.

Trump agora apoia abertamente Ed Gallrein, adversário de Massie nas primárias republicanas, numa tentativa de tirá-lo do cargo. Gallrein deve participar do evento ao lado do presidente. O conflito entre os dois se intensificou recentemente depois que Massie votou contra a operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, tornando-se um dos poucos republicanos a desafiar publicamente a posição da Casa Branca.

Massie não participará do evento porque já tinha um compromisso oficial previamente marcado. A Casa Branca afirma que a viagem de Trump ao Kentucky e também ao Estado de Ohio servirá para destacar resultados econômicos do governo e iniciativas voltadas à redução do custo de vida.

A ofensiva política de Trump também está ligada a outra prioridade de sua agenda no Congresso: a aprovação do SAVE America Act. O projeto prevê regras mais rígidas para o registro eleitoral, incluindo a exigência de comprovação mais robusta de cidadania americana para que uma pessoa possa se registrar e votar em eleições federais.

Trump tem afirmado que essa é sua "prioridade número um" no Congresso no momento. Segundo aliados, o presidente chegou a dizer que não pretende sancionar outras leis enquanto o projeto não for aprovado. Como parte da estratégia de pressão política, Trump decidiu adiar um endosso importante na disputa republicana para o Senado no Texas, buscando incentivar parlamentares do partido a apoiar o projeto.

Guerra no Oriente Médio afeta eleições

Enquanto o presidente se movimenta politicamente no país, a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã também começa a influenciar o debate interno. Pesquisas recentes mostram que a sociedade americana está dividida sobre a decisão de atacar o Irã. Um levantamento do instituto Quinnipiac indica que 53% dos eleitores registrados se opõem à ação militar, enquanto cerca de quatro em cada dez apoiam os ataques.

Outras pesquisas, como as do instituto Ipsos, apontam tendência semelhante, com mais desaprovação do que apoio. Além do impacto político, cresce a preocupação econômica — fator decisivo em ano eleitoral. O preço da gasolina já começou a subir, há temor de alta nos alimentos e a volatilidade do mercado financeiro levanta dúvidas sobre aposentadorias e investimentos.

Outro ponto de preocupação entre eleitores é a duração do conflito. No início das operações militares, Trump afirmou que a guerra poderia durar entre quatro e cinco semanas. Nas últimas semanas, porém, o presidente passou a admitir que o confronto pode se estender por mais tempo. Também cresce o temor de uma escalada militar mais ampla. Segundo pesquisa do instituto Quinnipiac, cerca de três em cada quatro eleitores são contra o envio de tropas terrestres americanas ao Irã.

Apenas cerca de 20% apoiam essa possibilidade. Mesmo entre republicanos, a oposição é maior do que o apoio: 52% são contra o envio de tropas, enquanto 37% se dizem favoráveis. A sondagem foi realizada depois de o governo confirmar a morte de seis militares americanos no conflito. Posteriormente, um sétimo caso foi registrado.

Com a guerra no exterior e disputas internas no Partido Republicano, Trump entra numa fase decisiva de seu mandato enquanto se aproxima a eleição legislativa de novembro, um pleito que pode redefinir o equilíbrio de poder em Washington.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade