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América Latina

Campanha eleitoral chega ao fim no Peru, com recorde de 35 candidatos à presidência

A campanha eleitoral para a presidência do Peru chegou ao fim nesta quinta-feira (9), marcada por discursos radicais dos principais candidatos. Na eleição de domingo (12), nenhum dos 35 candidatos - um recorde - está perto de garantir metade dos votos necessários para evitar um segundo turno, previsto para junho.

10 abr 2026 - 07h11
(atualizado às 07h53)
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Em um país onde os eleitores estão cansados da violência e de uma crise política marcada pela posse de oito presidentes em 10 anos, os pretendentes à chefia do Executivo prometeram reprimir o crime - com frequência, associando-o à imigração irregular.

As pesquisas favorecem Keiko Fujimori, líder da direita e filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000). A disputa pelo segundo lugar deve ocorrer entre o humorista Carlos Álvarez, o ultraconservador Rafael López Aliaga, o centrista Ricardo Belmont e o representante de esquerda Roberto Sánchez.

"O cenário eleitoral deste ano está fragmentado: nenhum candidato tem uma vantagem convincente e uma parcela significativa do eleitorado permanece indecisa", obse rva Nicolas Saldias, cientista político da Economist Intelligence Unit.

Herdeira de Alberto Fujimori

"Todos os dias temos mortes. Queremos dar a uma mulher a oportunidade de assumir o comando neste caos", disse a artesã Silvia Arenas, de 37 anos e eleitora de Keiko Fujimori.

Em um complexo esportivo em um bairro operário da zona sul de Lima, a candidata fez um discurso pontuado de referências ao seu pai, condenado por corrupção e violações de direitos humanos. "Por onde passamos, há lembranças, memórias e gratidão pelo melhor presidente que o Peru já teve: Alberto Fujimori", disse ela, que concorre pela quarta vez.

Centenas de militantes agitaram bandeiras laranjas, as cores de seu partido, Força Popular, entoando "Chino, Chino", apelido de seu pai, que era descendente de japoneses.

Keiko Fujimori promete controlar as fronteiras para conter a imigração irregular e exigir que os presos trabalhem em troca de comida.

Candidato propõe volta da pena de morte

Perto do centro de Lima, os eleitores de Rafael López Aliaga, de 65 anos, apelidado de "Porquinho", reuniram-se para o seu último comício. Membro da direita cristã, ele promete expulsar imigrantes irregulares e levar os criminosos para prisões isoladas na floresta.

"Qualquer venezuelano que esteja em situação irregular no Peru deve ir embora, deve retornar à Venezuela", declarou, referindo-se ao que afirma ser sua primeira medida, se for eleito.

"Ele trará as mudanças que o Peru precisa", disse o militante Alex Huaman, de 49 anos.

Na zona leste da capital, de 10 milhões de habitantes, o candidato Carlos Álvarez, de 62 anos, se posiciona como um outsider do cenário eleitoral. "Queremos um país com melhor educação, com segurança, sem criminosos", declarou ele, apresentando propostas de extrema direita, como a volta da pena de morte no país.

Conhecido pelas paródias que faz na TV sobre os protagonistas de escândalos políticos das últimas décadas, Álvarez leva ao palanque ironias e críticas contra seus oponentes.

"O Peru está cansado daqueles que se agarram ao poder e não fazem nada pelo povo", salientou o eleitor Mario Guerra, um advogado de 55 anos.

Já Ricardo Belmont, de 80 anos, encerrou sua campanha em Lima na terça-feira, em um comício no qual conclamou seus eleitores a "eliminar os políticos miseráveis" nas urnas.

O candidato da esquerda democrática, Roberto Sánchez, encerrou sua campanha na zona norte da capital. Ele promete conceder indulto ao ex-presidente Pedro Castillo (2021-2022), que está preso.

Com AFP 

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