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Mandela 'lutou pela liberdade de todos os povos', diz mídia árabe

Ex-presidente sul-africano é reverenciado por imprensa e líderes do mundo árabe, especialmente entre os palestinos

6 dez 2013 10h27
| atualizado às 10h44
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Jornal libanês Al Joumhouria destacou esforços de Mandela para solucionar conflitos entre povos
Jornal libanês Al Joumhouria destacou esforços de Mandela para solucionar conflitos entre povos
Foto: Reprodução

Imprensa, líderes e público em geral no mundo árabe reverenciaram a vida de Nelson Mandela como um líder que lutou pela liberdade e igualdade de todos os povos, incluindo os árabes, e especialmente os palestinos.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, declarou um dia de luto oficial nos Territórios Palestinos e disse que Mandela ficaria para sempre com a "Palestina e com todos os palestinos".

"Mandela é um símbolo de liberdade contra a colonização e ocupação. Os palestinos perderam um pai e um apoiador. O povo palestino jamais esquecerá de sua declaração histórica de que a revolução na África do Sul não atingiria seus objetivos até que os palestinos se tornassem livres", declarou Abbas.

Como presidente sul-africano, Mandela visitou Israel e os Territórios Palestinos em 1999 e se declarou um forte simpatizante da causa palestina e um advogado pela paz no Oriente Médio. "Mandela foi o mais corajoso e importante de todos aqueles que nos apoiaram. Muitos palestinos se inspiraram na luta dele contra o apartheid em suas lutas de décadas para pôr fim à ocupação israelense e os assentamentos na Cisjordânia", completou o presidente palestino.

O ex-presidente e líder histórico da luta contra a segregação racial da África do Sul Nelson Mandela morreu nesta quinta-feira, 5 de dezembro de 2013. A notícia foi transmitida à nação e ao mundo pelo presidente sul-africano, Jacob Zuma.

Jornais árabes destacaram o legado de Nelson Mandela como um homem que lutou incansavelmente pela igualdade em seu país e negociou a paz em países flagelados por guerras civis, especialmente na África. "Seu governo focou em desmantelar o legado do sistema do apartheid, em combater e desafiar o racismo institucional, a pobreza e desigualdade. Por tudo isso recebeu mais de 250 prêmios, incluindo o Nobel da Paz", disse em seu editorial o jornal libanês Al Joumhouria.

Veja momento em que presidente sul-africano anuncia morte de Mandela:

Outro jornal libanês, o An Nahar, salientou uma das últimas intervenções de política externa de Mandela, quando se opôs à invasão dos Estados Unidos ao Iraque, em 2003. "Em uma de suas declarações, ele criticou duramente o então presidente americano George W. Bush às vésperas da invasão do Iraque, em 2003, chamando-o de 'um presidente sem visão, que não pode pensar propriamente e agora está querendo jogar o mundo em um holocausto'".

O jornal egípcio Al Masry Al Youm salientou o carisma de Mandela com povos de todas as culturas, etnias e religiões. "Ele pregava a união entre os povos, a justiça e liberdade sem vingança contra o opressor, mas o entendimento e o perdão. A África do Sul e o mundo perdem um de seus maiores tesouros, um homem digno de todas as honrarias", disse o jornal em um breve editorial.

Nas redes sociais, internautas árabes prestaram homenagem ao ex-líder sul-africano, definindo Mandela como "uma inspiração para gerações futuras e um homem sem alguém à altura no mundo árabe".

"Não há um só líder árabe ou estadista que chegue à altura de Mandela. Tudo que tivemos ou temos são ditadores, demagogos e corruptos, que pregam ou pregaram o ódio, a vingança e a desigualdade. Muitos, como islamitas fanáticos, perseguem as minorias. Tudo contra o que Mandela pregava", disse um internauta em um comentário no Twitter.

"Somente as lições de Mandela poderão tirar o mundo árabe nesta situação de conflitos e perseguições mútuas em que vivemos. Deus abençoe Nelson Mandela", disse outro internauta.

Luta contra o apartheid
Em 1991, Mandela foi eleito o presidente do Congresso Nacional Africano, principal partido negro do país que fora banido nos anos 60 e recém retomava as atividades. Engajou-se de corpo e alma ao fim do regime segregacionista e, em 1993, conquistou o prêmio Nobel da Paz ao lado do presidente Frederik Willem de Klerk por seus esforços conjuntos pela reconciliação do povo sul-africano.

Em 27 de abril de 1994, foi eleito presidente nas primeiras eleições multirraciais do país, colocando um ponto final no regime segregacionista que governara a África do Sul por 46 anos.

Mandela tinha 95 anos e há muito lutava contra doenças decorrentes do período em que permaneceu preso por conta de sua luta contra o Apartheid, regime segregacionista que imperou durante décadas no seu país. Ele passou 27 anos preso para depois se eleger presidente da África do Sul, de 1994 a 1999.

Durante o último ano, Mandela havia passado muitos meses internado em condições críticas, mas recentemente retornara para seu lar, onde permaneceu até a quinta-feira, ao lado de familiares e amigos.

Fonte: Especial para Terra
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