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África

Al Jazeera divulga imagens de corpos mutilados em Benghazi

21 fev 2011 - 18h55
(atualizado às 20h53)
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A rede de televisão Al Jazeera divulgou nesta segunda-feira fotos e vídeos de corpos mutilados que pertencem a civis assassinados no último domingo em Benghazi, segunda maior cidade da Líbia.

Foto: AFP

Algumas dessas imagens foram feitas em lugares que parecem necrotérios, enquanto outras mostram corpos ou partes de corpos em uma espécie de floresta.

Um dos corpos, jogado em uma maca, apresenta grandes feridas no abdômen e a vítima parece ter sido estripado. Outras imagens mostram corpos totalmente carbonizados, crivados de balas, mutilados e esquartejados.

Segundo Al Jazeera, as vítimas morreram neste domingo em Benghazi, a cerca de 1,2 mil km de Trípoli, durante os enfrentamentos entre manifestantes que pedem a queda do regime de Muammar Kadafi e membros de uma brigada de forças especiais denominada Abu Ammar, encarregada da proteção do líder líbio.

A TV garantiu que possui outras fotografias e vídeos, mas que não pode divulgá-los devido à "extrema atrocidade".

Horas antes, um médico do hospital Jala, em Benghazi, afirmou que pelo menos 350 pessoas morreram e mais de duas mil ficaram feridas nos últimos cinco dias nesta cidade do leste de Líbia.

Indicou que os manifestantes que invadiram no domingo um quartel de Benghazi encontraram 11 corpos de oficiais e soldados que poderiam ter sido executados por se negar a abrir fogo contra os civis.

De acordo com a organização Human Rights Watch (HRW), mais de 200 pessoas morreram desde a última quinta-feira em várias regiões da Líbia.

Mundo árabe em convulsão

A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muamar Kadafi, a população entra em sangrento confronto com as forças de segurança; em meio à onda de violência, um filho de Kadafifoi à TV estatal do país para tirar a legitimidade dos protestos, acusando um "complô" para dividir o país e suas riquezas. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

EFE   
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