Al Ahly e Al Masry empatam, 3 anos depois da tragédia que deixou 72 mortos
Em partida com forte carga emocional, os times egípcios Al Ahly, e Al Masry empataram em 1 a 1, neste sábado, no primeiro confronto entre as duas equipes desde a briga entre torcedores que deixou 72 mortos em 2012.
O duelo foi disputado de portões fechados, na cidade de Guna, na região do Mar Morto, longe de Port Said, onde ocorreu a tragédia há pouco menos de três anos.
Em 1º de fevereiro de 2012, 72 torcedores do Al Ahly morreram, alguns com lesões provocadas por arma branca, em duelo muito tenso por conta das tensões políticas que se somaram à rivalidade esportiva.
A torcida do Al Ahly, clube mais popular do país, sempre foi na linha de frente na revolução da Primavera Árabe, enquanto boa parte dos fãs do Al Masry apoiavam o regime de Hosni Mubarak.
Antes da partida deste sábado, jogadores do Al Ahly, que usavam camisas pretas em homenagem a vítimas da tragédia, não saudaram os rivais e exibiram uma faixa com a menção: "nossos mártires são um escudo pregado ao nosso uniforme".
As famílias dos torcedores mortos em 2012 chegaram a fazer um apelo para boicotar o jogo, mas a direção do clube resolveu mantê-lo.
"Esta partida será disputada pelo interesse do futebol egípcio, e os direitos das vítimas serão respeitados", justificou na véspera Mahmud Taher, presidente do Al Ahly. Depois da tragédia, o campeonato egípcio foi suspenso durante um ano inteiro.
"Para mim, não faz diferença se jogam ou não. Perdi todo o interesse por futebol, agora só quero que os assassinos do meu filho sejam castigados", disse à AFP o pai de uma vítima, Metualy Abdel Aziz.
Este sábado também foi marcada por mais uma audiência do caso que envolve 73 pessoas, entre elas nove policiais, acusadas de ter matado os torcedores do Al Ahly.
Os incidentes de Port Said são os mais sangrentos da história esportiva do Egito, e há suspeitas de que façam parte de uma ação premeditada por partidários de Mubarak, que tinha sido deposto um ano antes, em 2011.
Desde 2012, a disputa da primeira divisão egípcia era divida em dois grupos, para impedir que os dois clubes rivais se enfrentem antes de uma eventual final, que acabou não acontecendo.
O formado convencional, com apenas um grupo, voltou nesta temporada, por isso a partida foi realizada, mas em campo neutro, de portões fechados.
Torcidas organizadas são praticamente proibidas de assistir a partidas da primeira divisão e apenas um número limitado de espectadores tem direito de comparecer a jogos da seleção nacional.