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Acordo entre EUA e Irã promete fim da guerra, mas ainda não está claro como isso vai funcionar

16 jun 2026 - 07h54
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Dúvidas pairavam sobre o acordo provisório entre EUA e Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio, enquanto as empresas de transporte marítimo afirmaram que pode levar semanas para que a confiança seja restaurada após a reabertura do Estreito de Ormuz, e questões fundamentais continuavam sem resposta.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ⁠nesta terça-feira que o acordo para interromper o conflito entre os EUA e o ‌Irã estava "fechado" e avançando para uma segunda fase, embora os detalhes ainda não tenham sido divulgados e ambos os países afirmem que uma trégua permanente ainda ‌precisa ser negociada.

O acordo provisório prorrogaria por mais 60 ‌dias o frágil cessar-fogo anunciado em abril e reabriria o Estreito de ⁠Ormuz, que o Irã bloqueou desde que EUA e Israel atacaram o Irã em fevereiro.

Os negociadores abordariam questões difíceis, como o futuro do programa nuclear do Irã, durante a próxima fase das negociações, que, segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, teria início na Suíça na sexta-feira, após a assinatura formal do acordo-quadro.

Outras ‌duas questões que Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu usaram para justificar a guerra — ‌acabar com o apoio ⁠do Irã a grupos ⁠armados regionais e conter seu programa de mísseis — não devem constar na agenda dessas negociações.

"Concluímos nosso ⁠acordo com o Irã, e ele deve ‌ser bem-sucedido; agora passa para ‌uma segunda fase, que acredito que será, na verdade, mais fácil", disse Trump a repórteres em uma cúpula do G7, grupo das grandes economias.

O vice-presidente norte-americano JD Vance e o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, devem ⁠comparecer à assinatura formal na sexta-feira, em Genebra.

ACORDO FINAL AINDA NÃO TOMOU FORMA

Os preços do petróleo caíram para novas mínimas de três meses na terça-feira, um dia depois de despencarem quase 5% após a notícia do acordo, embora autoridades do setor afirmem que a produção de petróleo e ‌gás do Oriente Médio levará meses para se recuperar totalmente.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, escreveu nas redes sociais na segunda-feira que o acordo provisório era um "passo importante" ⁠para interromper os combates, mas observou que um acordo final para uma trégua duradoura "ainda não tomou forma".

Vance disse à CNN que o memorando assinado é um "documento muito geral". Os detalhes seriam divulgados nos próximos dois dias, segundo autoridades norte-americanas.

Vance afirmou que o documento inclui "um pacote de alívio de sanções muito significativo" para o Irã. Mais tarde, ele disse à Fox News que Trump pode decidir divulgar o acordo antes de sexta-feira.

Ambos os lados ainda enfrentam pressões após um conflito que matou pelo menos 7.000 pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou os mercados globais de energia.

O acordo expõe Trump a críticas dentro de seu próprio partido, enquanto os líderes do Irã podem enfrentar o risco de novos protestos se não conseguirem aliviar as pressões econômicas após uma guerra destrutiva.

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