A polícia francesa invade o Instituto do Mundo Árabe em Paris, enquanto as repercussões do caso Epstein se ampliam
A polícia francesa realizou uma busca no Instituto do Mundo Árabe, em Paris, na segunda-feira, como parte de uma investigação sobre seu ex-diretor, o ex-ministro da Cultura Jack Lang, e suas ligações com o falecido criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein, segundo informaram os promotores.
O Ministério Público Financeiro Nacional da França (PNF) disse em um comunicado que o Instituto do Mundo Árabe estava entre vários locais que foram alvo de buscas.
Os promotores abriram este mês uma investigação preliminar sobre Lang e sua filha Caroline por suspeita de fraude fiscal, após a divulgação de documentos sobre Epstein nos EUA.
Lang, que foi ministro da Cultura durante o governo do falecido presidente socialista François Mitterrand, renunciou este mês à direção do Instituto do Mundo Árabe, que liderava desde 2013.
Ele afirmou que não tinha conhecimento dos crimes de Epstein, apesar de ter mantido correspondência com ele entre 2012 e 2019, 11 anos após o financista ter sido condenado por solicitar serviços de prostituição a uma menor. Epstein morreu na prisão por suicídio em 2019.
O Instituto, supervisionado pelo Ministério das Relações Exteriores da França, disse que não poderia comentar imediatamente sobre a ação policial.
Tanto Jack quanto Caroline Lang negaram repetidamente qualquer irregularidade e recebimento de benefícios financeiros de Epstein. Seu advogado, Laurent Merlet, disse à emissora francesa BFMTV este mês que "não houve movimentação de fundos".
As repercussões da divulgação de milhões de novos documentos relacionados a Epstein se espalharam pela Europa. No sábado, os promotores de Paris criaram uma equipe dedicada para analisar os arquivos, em coordenação com o promotor financeiro e a polícia nacional.
O gabinete afirmou que estava analisando vários casos potenciais decorrentes dos arquivos de Epstein.
Um deles diz respeito ao diplomata francês Fabrice Aidan, acusado de ter transferido documentos das Nações Unidas para Epstein.
Aidan, que trabalhou na ONU de julho de 2006 a abril de 2013, rejeitou as acusações por meio de seu advogado.