Morre Jesse Jackson, líder ativista e pupilo de Luther King
Pastor batista foi uma das principais vozes contra o racismo e a segregação racial nos EUA. Ele morreu aos 84 anos.O ativista pelos direitos civis e reverendo Jesse Jackson morreu nesta terça-feira (17/02), aos 84 anos. Jackson foi duas vezes candidato à presidência dos Estados Unidos e era um dos pupilos de Martin Luther King Jr., cujo assassinato, em 1968, ele presenciou.
"Nosso pai foi um líder servil, não apenas para a nossa família, mas também para os oprimidos, os que não têm voz e os marginalizados de todo o mundo", disse a família em uma nota publicada no Instagram. As causas da morte não foram informadas.
Jackson revelou em 2017 que sofria de Parkinson. O pastor batista foi hospitalizado em novembro do ano passado para receber tratamento para a paralisia supranuclear progressiva (PSP), uma doença neurodegenerativa rara. Segundo Santina Jackson, filha dele, o ativista morreu em casa, cercado pelos familiares.
Nascido em Greenville, na Carolina do Sul, Jesse Jackson foi o principal herdeiro político de Martin Luther King Jr. após o assassinato de King, em 1968. Três anos depois, em 1971, Jackson fundou a organização Operation PUSH Coalition, em defesa dos direitos e da justiça internacional.
"Agente incansável de mudança, ele elevou a voz daqueles que não a tinham, desde suas campanhas presidenciais na década de 1980 até a mobilização de milhões de pessoas para incentivá-las a se registrarem para votar, deixando uma marca indelével na história", afirma o texto publicado pela família nas redes sociais.
Luta política e candidatura à presidência
Na escola, Jackson se destacou como quarterback do time de futebol americano da Sterling High School, em Greenville, e recebeu uma bolsa de estudos da Universidade de Illinois. Mas, depois de ter sido informado de que pessoas negras não podiam jogar na mais prestigiosa posição de uma equipe de futebol americano, ele se transferiu para a North Carolina A&T, em Greensboro, onde se tornou o quarterback titular. Estudou sociologia e economia e virou presidente do corpo discente.
Chegou ao campus em 1960, poucos meses depois de os estudantes negros terem protestado num restaurante exclusivo para brancos, e mergulhou no florescente movimento dos direitos civis.
Em 1965, juntou-se à marcha pelo direito ao voto liderada por Luther King, de Selma a Montgomery, no Alabama, com quem trabalhou diretamente para combater a segregação racial nos Estados Unidos. Jackson estava com King em 4 de abril de 1968, quando o líder dos direitos civis foi assassinado. Segundo Jesse Jackson, King morreu em seus braços.
Jackson também concorreu duas vezes à nomeação presidencial do Partido Democrata. Suas campanhas aumentaram a visibilidade das coligações políticas progressistas e minoritárias dentro do partido.
Nas decádas de 1980 e 1990, lutou pelo fim do apartheid na África do Sul, tendo sido enviado especial dos Estados Unidos para a África do então presidente Bill Clinton.
Além disso, participou de missões para libertar prisioneiros americanos em países como Síria, Iraque e Sérvia. No entanto, laços de Jackson com o presidente venezuelano Hugo Chávez, incluindo a sua presença no funeral de Chávez em 2013, suscitaram críticas.
Apesar dos problemas de saúde nos últimos anos, o ativista continuou a protestar contra a injustiça racial. Em 2021, ele esteve ao lado da família de George Floyd, após a Justiça condenar o policial branco Derek Chauvin pela morte do homem negro.
Em 2024, ele apareceu na Convenção Nacional Democrata em Chicago e numa reunião da Câmara Municipal para mostrar apoio a uma resolução que apoiava um cessar-fogo na guerra entre Israel e o Hamas.
Trump lamenta morte de Jackson
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou condolências pela morte de Jesse Jackson e elogiou o ativista, a quem chamou de "bom homem" que ele afirmou conhecer bem. O republicano insistiu que, apesar das "falsas" acusações de racismo contra ele, sempre manteve uma boa relação com o ativista afro-americano.
"O reverendo Jesse Jackson faleceu aos 84 anos. Eu o conhecia bem, muito antes de me tornar presidente. Ele era um bom homem, com muita personalidade, coragem e 'astúcia de rua'. Era muito afável, alguém que realmente amava as pessoas", escreveu Trump nas redes sociais.
O presidente afirmou que, "apesar dos canalhas e lunáticos da esquerda radical, todos democratas" o chamarem "racista", para ele "sempre foi um prazer ajudar Jesse ao longo do caminho".
As declarações de Trump ocorrem uma semana após a publicação de um vídeo, já removido, na sua conta do Truth Social, onde aparecem o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle caracterizados como macacos, o que provocou duras críticas tanto de democratas como de republicanos.
fcl/ra (ap, afp, efe, DW)