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Milionário Jeffrey Epstein é acusado de tráfico sexual

Empresário americano que manteve laços de amizade com Bill Clinton e Donald Trump teria criado rede de abuso sexual de menores

9 jul 2019
09h14
atualizado às 12h04
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O Ministério Público Federal do Distrito Sul de Nova York acusou o milionário empresário Jeffrey Epstein de criar uma rede para abusar de meninas em suas mansões nos estados de Nova York e da Flórida entre 2002 e 2005, segundo um documento judicial divulgado na segunda-feira (08/07).

Detido no sábado no aeroporto de Teterboro, em Nova Jersey, Epstein foi acusado de tráfico sexual e de conspirar para cometer esse crime, de acordo com o texto de acusação da promotoria americana. A pena pode chegar a 45 anos de prisão.

Procurador-geral do Distrito Sul de Nova York, Geoffrey Berman, apresenta as acusações contra Jeffrey Epstein
Procurador-geral do Distrito Sul de Nova York, Geoffrey Berman, apresenta as acusações contra Jeffrey Epstein
Foto: DW / Deutsche Welle

No documento, a acusação afirmou que Epstein "explorou sexualmente e abusou de meninas menores de idade em suas casas em Manhattan [Nova York] e Palm Beach [Flórida], entre outros lugares, durante muitos anos", além de alegar que, após cometer os atos, pagava às vítimas "centenas de dólares".

Além disso, Epstein foi acusado de "criar uma ampla rede de vítimas menores de idade para explorá-las sexualmente" - ele teria pagado algumas garotas para recrutar outras meninas com cerca de 14 anos que seriam vítimas de abusos similares.

Os promotores afirmaram que as evidências contra Epstein incluem centenas ou mesmo milhares de fotografias obscenas de jovens mulheres ou meninas, que foram descobertas no fim de semana numa operação de busca em sua mansão em Nova York.

As autoridades também encontraram documentos e registros telefônicos que corroboram os supostos crimes, além de uma sala de massagem montada nos moldes que os acusadores relataram, disseram os promotores.

Trata-se de uma reviravolta surpreendente. O empresário de 66 anos foi acusado de abusar de dezenas de garotas há mais de uma década, mas conseguiu evitar acusações federais formais mediante a um polêmico acordo extrajudicial no qual admitiu ter solicitado serviços de prostituição.

Em 2008, Epstein chegou a um acordo com a promotoria do sul da Flórida para pôr fim a uma investigação que poderia lhe render uma condenação à prisão perpétua. Ele se declarou culpado de acusações menores, foi condenado a 13 meses de prisão e chegou a um acordo financeiro com as vítimas.

O acordo foi supervisionado pelo então promotor de Miami, Alexander Acosta, que agora é o secretário de Trabalho do governo de Donald Trump e que defendeu esse tratamento como "apropriado" por conta das circunstâncias, especialmente com "muitas das vítimas relutantes a testemunhar".

O caso mudou depois que, em fevereiro, um juiz da Flórida decidiu que a promotoria estadual violou a lei ao ocultar o acordo, que afetava mais de 30 mulheres que o denunciaram por terem sido vítimas de abusos sexuais quando eram menores de idade.

O procurador-geral do Distrito Sul de Nova York, Geoffrey Berman, afirmou que o acordo selado na Flórida que poupou Epstein de uma pesada sentença de prisão há uma década é compulsório apenas para promotores federais na Flórida, e não para autoridades em Nova York.

Epstein manteve laços de amizade com figuras influentes ao longo dos anos, como o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, o príncipe Andrew, do Reino Unido, que chegou a ser acusado por vítimas de ter participado do esquema de abuso sexual de Epstein, além de Trump.

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