Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Maioria dos alemães acha que o país era melhor nos anos 1980

12 fev 2026 - 16h11
Compartilhar
Exibir comentários

Sensação de que a vida piorou na Alemanha é maior para mais velhos e eleitores do partido de ultradireita AfD. Infraestrutura, segurança e mobilidade social são temas de maior declínio para todos os grupos.A nostalgia dos anos 1980 é uma realidade para a maioria dos alemães - e ainda maior para os eleitores dos partidos de direita. De acordo com uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (12/02), 52% dos entrevistados afirmam que a Alemanha era "melhor" há quarenta anos, contra os apenas 23% que responderam que a última década em que o país ficou dividido era "pior" que hoje em dia.

O levantamento do instituto Infratest Dimap, feito a pedido da emissora pública alemã ARD, consultou 1.319 pessoas com mais de 18 anos no país. O questionário pedia para que os entrevistados comparassem a República Federal da Alemanha de hoje, que representa todo o país, com aquela da década de 1980, quando o termo englobava apenas a parte da Alemanha Ocidental.

Quanto mais velho, maior a saudade

Quanto mais velhos os entrevistados, maior a saudade daquela época. Entre os maiores de 50 anos, foram 60% os que declararam que a vida era melhor nos anos 1980. Abaixo dessa faixa etária, no entanto, essa parcela é a minoria: 44% dos 35 aos 49 anos; 33% dos 34 aos 18 anos.

As diferenças de visão sobre o passado, no entanto, são ainda mais explícitas quando se analisa as preferências políticas dos cidadãos do país, que celebrou a reunificação em 1990. Quanto mais à direita, maior as chances de que as lembranças daquela época sejam positivas. Supera os dois terços (68%) para a parcela dos apoiadores do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), e ultrapassa a maioria (55%) entre os eleitores da CDU, sigla de centro-direita do atual chanceler federal, Friedrich Merz.

Já do outro lado do espectro, os anos 1980 foram melhores para 47% dos entrevistados identificados com o Partido Social-Democrata (SPD) e 38% dos que votam no socialista A Esquerda, agremiação formada, em parte, por remanescentes do antigo partido que comandava a Alemanha Oriental, país que foi englobado pela República Federal após a queda do Muro de Berlim. Por último vêm os eleitores do Partido Verde, com 31%.

Segurança, infraestrutura e melhores chances

Ferrovias, estradas e pontes. A infraestrutura é, para 63%, o aspecto que mais piorou no país - independentemente da orientação política dos entrevistados. Nos últimos anos, trens atrasados e rodovias em manutenção se tornaram uma realidade na vida dos alemães.

Mas, de acordo com o presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, Marcel Fratzscher, essa piora tem uma explicação. "A razão é que, nos últimos 30 anos, o Estado alemão teve investimentos líquidos negativos quase todos os anos", afirma Fratzscher à emissora pública alemã ARD. Ou seja, o valor gasto pelo governo ficou abaixo do valor necessário para reparar os danos na infraestrutura pública. Além disso, devido à reconstrução após a Segunda Guerra Mundial, grande parte das estradas e das ferrovias no país ainda eram relativamente novas na década de 1980.

A percepção de segurança também motiva a nostalgia alemã pelos anos 1980. Pouco mais da metade (52%) acredita que o país combatia melhor a criminalidade há 40 anos.

Já as chances de ascensão social são consideradas piores hoje por 59% dos alemães. Além disso, 50% acreditam que a desigualdade era menor nos anos 1980. Era uma época, durante o governo do chanceler Helmut Kohl, em que o imposto de renda alcançava alíquotas de até 56% para os cidadãos mais ricos, lembra Fratzscher. Havia também maior mobilidade social. "Hoje, a capacidade de um jovem obter um bom diploma, uma boa formação e um bom emprego com um salário decente depende muito mais da renda e da educação dos pais do que há 40 anos", diz o pesquisador.

Nostalgia como estratégia política

A narrativa de que a vida era melhor no passado vem sendo cada vez mais utilizada por políticos da ultradireita alemã. Björn Höcke, um dos líderes da AfD, chegou a afirmar que quer "sua antiga Alemanha de volta".

De acordo com o pesquisador Thomas Kliche, professor de psicologia política na Universidade Magdeburg-Stendal, a idealização do passado é um comportamento natural do ser humano. "As pessoas se sentem bem quando se lembram de coisas boas", disse ele à ARD.

O especialista, no entanto, aponta a estratégia por trás do discurso político que apela para a ideia de que o "passado era melhor". "Para a direita, a nostalgia é um veículo formidável porque atinge aquelas pessoas que são emocionalmente mais calmas e menos agressivas. É uma fantasia que leva a crer que, naquela época, a sociedade ainda era fechada", explica Kliche. "É uma formulação retrógrada que vivenciamos hoje como uma reação autoritária às ameaças", conclui.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade