Júri de Henry Borel chega ao 10º dia e sentença pode ser definida nesta quarta após debates entre defesa e acusação
Jairinho e Monique Medeiros prestaram depoimento no plenário do júri nesta terça-feira, 2
O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros, padrasto e mãe do menino Henry Borel, respectivamente, chega ao 10º dia nesta quarta-feira, 2. A expectativa é de que a sentença seja proferida ainda nesta sessão, quando defesa e acusação e acusação terminarem de debater suas teses.
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Esse é o júri mais longo no do estado do Rio de Janeiro desde a reforma do Código de Processo Penal que alterou as regras do Tribunal do Júri, em 2008. Ao todo, 22 testemunhas foram interrogadas nos nove dias, além dos dois réus.
A previsão é que a sessão desta quarta tenha duração de mais de 9 horas, já que o Ministério Público e os assistentes de acusação, assim como a defesa dos réus, terão 2h30 cada para apresentar aos jurados suas teses sobre o caso. Como há dois réus, os advogados de Monique e Jairinho irão dividir o tempo entre as duas bancas.
Após as sustentações iniciais, a acusação e a defesa poderão fazer uma réplica e um tréplica, com duração de duração de até 2h cada. Só então o Conselho de Sentença, formado por sete jurados, vão se reunir para decidir, por maioria, o destino dos réus. No último ato, a juíza Elizabeth Machado Louro anunciará a sentença.
Depoimento de Monique Medeiros e Jairinho
Nesta terça-feira, 2, os dois réus foram ouvidos pelo II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Por determinação do desembargador Sidney Rosa, da Sétima Câmara Criminal, Monique foi a primeira a prestar depoimento no plenário, enquanto Jairinho ouvia.
Segundo o Tribunal de Justiça, ela relatou como era o relacionamento. Na época em que começaram a namorar, o ex-vereador estava divorciado e tinha três filhos. Inicialmente, os dois moravam em casas separadas em Bangu e, meses depois, mudaram-se para um apartamento na Barra da Tijuca, onde contrataram a babá Thayná de Oliveira.
A mãe de Henry Borel relatou várias vezes que jamais desconfiou do comportamento do ex-companheiro, pois ele se mostrava educado, gentil e, constantemente, comprava brinquedos para o enteado.
Mas ao irem morar juntos, o comportamento do filho mudou. Ele chegou a se queixar sobre “abraços apertados” de Jairinho, dores no joelho depois de passar um tempo com o padrasto e pedidos para ficar mais tempo na casa dos avós, em Bangu.
Monique também mencionou ciúme excessivo de Jairinho, até com o ex-marido, e controle de sua localização, roupas e senhas do celular. “Achava que o ciúmes do Jairinho era amor, carinho, cuidado, o que eu não tive no meu casamento de 10 anos. Além de ter minha localização do celular, pediu que eu bloqueasse os amigos homens nas redes sociais”, declarou.
Sobre o dia da morte da criança, Monique alegou ter sido dopada pelo companheiro e que a acordou para contar que a criança tinha gritado e caído da cama. Até então, Monique diz que acreditava que o filho fosse vítima de um acidente doméstico, e que só soube da causa da morte do filho com o laudo do IML, que atestou laceração hepática por ação contundente.
Questionada pela juíza se acreditava que Jairinho seria o responsável pela morte de Henry, Monique respondeu: “Creio que foi o Jairo.”
Depois, foi a vez de Jairinho responder as perguntas elaboradas por sua defesa. Ele negou que tivesse cometido violência contra as ex-namoradas, testemunhas do júri, e acusou Leniel Borel de ser o responsável pelas falsas denúncias.
O ex-vereador também negou a acusação da babá Thayná Ferreira, que mencionou no depoimento que ele havia torturado o enteado.
“Eu não fiz isso com o Henry. A Monique sabe, o pai, a mãe, o irmão da Monique sabem. O pai do Henry sabe que eu não fiz nada com o menino. Ele dormia quatro vezes por semana na casa do avô. A avó, dona Rosangela, dormia na nossa casa. Todos tomavam conta do Henry. E a investigação contra mim tem como base a percepção abstrata da Thayná sobre agressões contra o Henry que nunca aconteceram. Minha vida está destruída por causa de prints que pegaram da babá”, declarou.
O réu também negou a acusação de omissão de socorro ao Henry. Em outra etapa do interrogatório, a defesa dele explorou o fato do hospital não fornecer as imagens desde a chegada do menino ao Barra D’Or, assim como sobre o raio-x feito antes do menino ter a morte declarada. A defesa sustentou que houve erro médico no atendimento ao menino.
Relembre o caso
Henry morreu na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 8 de março de 2021, aos 4 anos de idade. O então vereador Doutor Jairinho e a mãe da criança, Monique Medeiros, são apontados como os autores do crime. O casal alegava que havia encontrado ele desacordado. A perícia, no entanto, indicou que a causa da morte foi laceração hepática.
Segundo a Justiça, o ex-vereador responde por homicídio qualificado por meio cruel e que impossibilitou a defesa da vítima, além de coação no curso do processo. Já Monique é julgada por homicídio por omissão qualificado pelo motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima e coação no curso do processo.
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