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Caso Henry Borel: perícia descarta acidente doméstico, réus deixam plenário, e depoimento do pai do menino ganha força

Laudos periciais descartam acidente doméstico, enquanto depoimento emocionante de Leniel Borel e saída dos réus do plenário marcam a sessão no Rio

30 mai 2026 - 11h03
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O quinto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e de Monique Medeiros trouxe revelações cruciais que fortaleceram a tese da acusação sobre a morte do menino Henry Borel. Em uma sessão extensa que começou na manhã de sexta-feira e se estendeu até a madrugada de sábado, depoimentos de peritos e médicos-legistas foram determinantes para afastar teorias levantadas pela defesa dos réus. Os especialistas analisaram de forma detalhada as condições do corpo da criança de quatro anos, que faleceu em março de 2021, apontando que o cenário real diverge completamente de um eventual incidente doméstico dentro do apartamento onde o garoto vivia.

O menino Henry Borel de Medereiros tinha 4 anos
O menino Henry Borel de Medereiros tinha 4 anos
Foto: Reprodução / Perfil Brasil

Peritos afastam tese de acidente

O perito criminal Luiz Carlos Leal Prestes apresentou conclusões contundentes aos jurados, descartando qualquer possibilidade de que os ferimentos tivessem origem acidental. Conforme as análises técnicas detalhadas no plenário, a variedade e a localização dos traumas indicam que o menor sofreu violência física em momentos distintos. O profissional foi categórico ao afirmar diante do tribunal que "O acidente doméstico está totalmente descartado. Não existe um acidente doméstico. Isso é uma coisa fantasiosa". As marcas na cabeça do menino chamaram a atenção pela gravidade e pela distribuição geográfica no crânio, sugerindo uma ação contundente e intencional. O especialista reforçou a gravidade do cenário dizendo que "São lesões independentes. Três momentos de agressão diferentes, produzindo três lesões em sítios diferentes".

Além de detalhar os pontos de impacto, o perito rebateu o argumento da defesa de que as manobras de socorro médico teriam agravado o quadro clínico ou causado as rupturas internas observadas no exame de necropsia. De acordo com o laudo pericial, os danos mais severos ocorreram quando a vítima ainda apresentava sinais vitais, o que desvincula o resultado trágico dos procedimentos padrões efetuados pela equipe de saúde do Hospital Barra D'Or. O perito explicou a dinâmica dos fatos aos presentes no julgamento afirmando que "A massagem cardíaca bem feita não provoca lesões no fígado. Houve a hemorragia interna, a laceração hepática, que produziu a morte e, portanto, a necessidade da massagem cardíaca".

O médico-legista Luiz Airton Saavedra corroborou integralmente a visão da perícia criminal durante sua manifestação no 2º Tribunal do Júri da Capital. Ele trouxe elementos baseados na temperatura do corpo e no estágio de rigidez cadavérica para demonstrar que o paciente já deu entrada sem vida na unidade hospitalar da zona oeste do Rio de Janeiro. As evidências reunidas pelos cientistas demonstram que o intervalo entre as agressões sofridas no imóvel e o atendimento médico foi definitivo para o desfecho do caso, invalidando as justificativas apresentadas pelos envolvidos logo após o ocorrido.

Réus deixam a sessão plenária

O ambiente no tribunal ficou ainda mais complexo quando os dois acusados alegaram problemas de saúde e foram autorizados a se retirar do recinto. Monique Medeiros sentiu-se mal no momento em que imagens da necropsia do próprio filho eram projetadas no telão para subsidiar os esclarecimentos dos peritos. Diante do quadro de mal-estar, a magistrada responsável pelos trabalhos autorizou sua saída definitiva daquela sessão. Horas mais tarde, o ex-vereador Jairinho também solicitou atendimento médico e deixou o plenário sob a justificativa de necessitar de medicação urgente.

A saída estratégica dos réus fez com que nenhum deles presenciasse o relato de Leniel Borel, pai da vítima, que foi a última pessoa a falar naquela jornada. O depoimento do engenheiro trouxe uma carga emocional elevada para o ambiente, alterando o foco técnico que havia dominado a maior parte do dia com debates sobre medicina legal. Usando uma vestimenta que homenageava o filho, o pai relembrou com detalhes o comportamento do garoto no período que antecedeu a tragédia, mencionando uma resistência incomum sempre que chegava o momento de retornar ao convívio da mãe e do padrasto. Ele relembrou a angústia do filho pontuando que "O Henry não estava querendo voltar para o apartamento. Ele queria voltar para a casa da avó, em Bangu, ou para o meu apartamento".

Durante o relato, foram descritos episódios de crises de choro e episódios de vômito que a criança apresentava no trajeto de devolução para o apartamento do casal. O depoente relembrou que chegou a notar pequenas marcas físicas no menino e que ouviu relatos sobre comportamentos estranhos do padrasto, mas que as queixas eram minimizadas pela mãe. Ao ser questionado de forma direta pela juíza sobre o motivo de insistir na entrega do filho mesmo diante dos sinais de sofrimento, o pai justificou que agia no estrito cumprimento do acordo de guarda compartilhada para evitar problemas jurídicos com a ex-esposa, mas desabafou emocionado afirmando que "Se eu soubesse o que sei hoje, eu teria sumido do país com o meu filho".

Perfil Brasil
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