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Irã é país multiétnico e com diversos conflitos internos

2 fev 2026 - 13h56
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Regime dos aiatolás jamais conseguiu encontrar respostas para os protestos recorrentes e as reivindicações das diversas minorias do país.O Irã é um Estado multiétnico, e seus vários povos compartilham uma longa história comum. O islamismo foi introduzido após a conquista árabe, no século 7. Mesmo assim, a população preservou a língua persa, que permanece um pilar central da identidade iraniana.

No século 16, o xá Ismail 1°, fundador da dinastia Safávida, declarou o islamismo xiita duodecimano a religião oficial do Estado. Com isso, o Irã se diferenciou deliberadamente do Império Otomano, dominado pelos sunitas e do qual defendia sua integridade territorial.

Durante séculos, essa potência central da região foi conhecida como Pérsia. Foi só em 1935 que o xá Reza Pahlavi renomeou oficialmente o Estado para Irã para promover uma identidade nacional moderna.

Até hoje, os sunitas constituem uma minoria religiosa no Irã, país predominantemente xiita, representando aproximadamente de 5% a 10% da população. Eles vivem principalmente nas regiões fronteiriças: nas áreas curdas, balúchis e turcomanas.

Há décadas que as minorias, particularmente nas regiões fronteiriças, têm se queixado de discriminação sistemática por parte do Estado.

O sistema político é sustentado por seguidores ideologicamente leais à República Islâmica, independentemente de sua etnia.

Por exemplo, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, é azerbaijano; o atual presidente, Masoud Peseshkian, é meio curdo e meio azerbaijano; e Ali Shamkhani, um conselheiro do líder supremo, vem de uma família de origem árabe.

Os atuais protestos demonstram que uma maioria cada vez maior da sociedade rejeita o sistema vigente, mas não existe uma alternativa política claramente definida que possa angariar amplo apoio entre todos os segmentos descontentes da sociedade.

Regiões curdas

Com uma população estimada entre 9 milhões e 12 milhões de pessoas, os curdos constituem uma minoria grande, predominantemente sunita.

Os curdos iranianos pertencem à população curda espalhada por quatro países: Irã, Iraque, Turquia e Síria. Desde o colapso do Império Otomano, muitos curdos sonham com um país próprio e independente: o Curdistão.

A efêmera República Curda de Mahabad, no Irã, fundada em 1946 com apoio soviético e que teve duração de apenas 11 meses, continua a inspirar a busca pela independência.

Todas as revoltas curdas no Irã foram reprimidas. Por exemplo, houve a revolta de 1967 do Partido Democrático do Irã (PKDI), de esquerda, que foi violentamente reprimida pelo xá Mohammad Reza Pahlavi.

Assim, muitos curdos participaram das manifestações contra o xá durante a revolução islâmica de 1979. Após a deposição dele, no entanto, os novos donos do poder lhes negaram qualquer autonomia, e uma revolta naquele mesmo ano foi brutalmente reprimida.

Ondas de protesto contra o regime dos aiatolás se espalham rapidamente nas áreas curdas, como os protestos ocorridos em 2022 em todo o país após a morte da curda Jina Mahsa Amini , de 22 anos, sob custódia policial, que foi presa em Teerã por uma suposta violação da obrigatoriedade de uso do véu islâmico. Cada vez mais mulheres, sobretudo jovens, não usam o véu islâmico em público.

Quando protestos irrompem nas áreas curdas, Teerã trabalha em estreita colaboração com os países vizinhos, especialmente a Turquia, oficialmente sob o pretexto de segurança nacional.

Azerbaijanos

Duas províncias iranianas na fronteira noroeste são chamadas de Azerbaijão Ocidental e Azerbaijão Oriental. O país Azerbaijão separou-se do Irã em 1828, após a Guerra Russo-Persa, e tem uma população de aproximadamente 10,2 milhões de habitantes.

No Irã, estima-se que o número de cidadãos com raízes azerbaijanas seja de cerca de 18 milhões. Teerã está preocupada com os grupos separatistas que lutam por um "Azerbaijão do Sul" independente. Ao mesmo tempo existem movimentos nacionalistas em Baku que defendem um "Grande Azerbaijão", que também incluiria as duas províncias iranianas.

A expansão das relações entre o Azerbaijão e Israel nos últimos anos é um incômodo para o regime em Teerã. Desde a revolução de 1979, o regime iraniano ameaça Israel com a aniquilação e tenta se apresentar como o protetor dos muçulmanos oprimidos no mundo islâmico.

Baluchistão

Cerca de 3 milhões dos aproximadamente 92 milhões de habitantes do Irã vivem na província de Sistão-Baluchistão, no sudeste do país. A maioria da população é sunita balúchi, um grupo étnico que também vive no Paquistão e no Afeganistão.

A coesão das tribos sunitas ao longo da fronteira é vista com suspeita pelo governo central de maioria xiita em Teerã. A região fronteiriça é considerada difícil de controlar e também uma das mais pobres do Irã. Muitas pessoas garantem seu sustento por meio do contrabando, principalmente de combustível e drogas.

O número de execuções por crimes relacionados a drogas é muito alto no Baluchistão. Das 975 execuções documentadas em 2024, 503 foram por condenações relacionadas a drogas.

Organizações de direitos humanos estão pedindo ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) que defenda com mais veemência a abolição da pena de morte para crimes relacionados a drogas.

A frustração e a raiva em relação ao governo central são amplamente disseminadas na região. Os protestos em todo o país , sob o lema "Mulher, Vida, Liberdade", que começaram após a morte de Jina Mahsa Amini em 2022, também chegaram ao Baluchistão.

A capital provincial, Zaedã, em particular, tornou-se um bastião dos protestos e da dura repressão estatal. Manifestantes foram presos e alguns foram posteriormente condenados à morte.

Devido às comunicações limitadas e aos repetidos cortes de internet, há poucas informações confiáveis disponíveis sobre os protestos atuais.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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