Gripe suína atinge o mundo todo e expõe fragilidade global
Febre alta, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, cansaço, fadiga, tosse, diarreia e vômito. Em algum momento desde ano, grande parte da população mundial teve medo de apresentar esses sintomas. Afinal, a gripe suína já matou 6.770 pessoas em 206 países, segundo relatório publicado no dia 20 de novembro pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No mesmo mês, o Brasil registrava 1.528 óbitos em consequência da doença.
A semelhança com a gripe normal e - em função disso - a inexistência de um tratamento específico ajudaram a elevar a preocupação mundial em torno do vírus H1N1. A origem ainda da doença ainda não está clara, mas foi no México, em meados de abril, que ela começou a assustar o planeta.
Até agora, a informação mais precisa é que a gripe suína teria aparecido no município de La Gloria, de três mil habitantes, no Estado mexicano de Veracruz, em março. Lá, uma região de criação de suínos, o menino Edgar Hernández, 5 anos, foi identificado como o "paciente zero" pelo governo do México. "Eu estava muito mal. Mas agora já me sinto bem", disse Edgar à época. O menino superou a doença, mas dois dos moradores de La Gloria não tiveram a mesma sorte quando a doença se espalhou pela cidade. Com os sintomas muito parecidos com os da gripe comum, a gripe suína não chamou a atenção das autoridades, o que pode ter sido o estopim para a contaminação mundial.
No final de abril, 60 pessoas haviam morrido no México. No início de maio, o número já havia quase dobrado, e mais de 10 mil casos haviam sido identificados. Àquela altura, todos os continentes já tinham casos registrados, fazendo com que a OMS elevasse o nível de alerta para a doença de 4 para 5, o que significa que o mundo estava a beira de uma pandemia (uma epidemia de alcance global). Com o H1N1 circulando por todos os lugares, as pessoas rapidamente incorporaram novos hábitos de higiene às suas rotinas. O consumo de álcool gel disparou e máscaras se tornaram comuns em alguns locais, como aeroportos e hospitais. Isso sem falar nos conselhos para evitar multidões.
Apesar dos cuidados, os números continuaram aumentando. Enquanto isso, dezenas de estudos tentavam prever o alcance o vírus, sua capacidade de mutação e o quanto ele é prejudicial ao sistema respiratório. Uma pesquisa chegou a afirmar que a gripe suína impediria o mundo de se recuperar da crise econômica no próximo ano. Outra disse que uma em cada três pessoas do planeta seria infectada. No centro das atenções, a OMS emitia comunicados quase diários sobre a situação do H1N1 no mundo. No começo de julho, durante um fórum internacional sobre a doença, realizado no México, a diretora-geral da organização, Margaret Chan, disse que a dispersão vírus não poderia ser mais contida.
Enquanto Margaret anunciava que pouco se podia fazer para conter o vírus, a doença começava a afetar o continente sul-americano, onde o inverno estava começando. Com o frio, que faz as janelas ficarem fechadas, prejudicando a circulação do ar, Argentina, Chile, Uruguai, Equador e o Brasil, principalmente os do sul e do sudeste, viram o número de casos disparar. No dia 14 de julho, com 137 mortes registradas, a Argentina superou o México e se tornou o segundo país com o maior número de vítimas fatais, atrás apenas dos EUA, que tinha 211. Um mês depois quem ocupava a segunda colocação era o Brasil, que contabilizava 488 vítimas. O número de casos - e de mortes - começou a baixar à medida que a temperatura subiu.
Nos últimos meses, ainda que exista a possibilidade de uma "segunda onda" da doença no hemisfério sul, a preocupação maior voltou-se para o hemisfério norte, principalmente a Europa, onde o número de casos continua aumentando. O boletim da OMS do dia 20 de novembro informou que "a transmissão pandêmica do vírus influenza H1N1 foi observada no continente inteiro", mas que a "mais intensa circulação ocorre no norte, leste e sul da Europa". Enquanto países como Islândia, Irlanda, Reino Unido e Bélgica veem o número de casos diminuir, Noruega, Lituânia, Geórgia, Bulgária, Romênia e Ucrânia vivem uma "intensa transmissão". A esperança em controlar a doença está depositada na vacina contra o H1N1, que terminou de ser desenvolvida em setembro e já está sendo distribuída pelo planeta.
Gripe suína no Brasil
A chegada do vírus da gripe suína ao Brasil foi confirmada no dia 7 de maio, quando o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, informou que quatro pessoas provenientes do México e dos Estados Unidos estavam infectadas. No mês seguinte, a primeira morte foi registrada no Rio Grande do Sul: um caminhoneiro de 29 anos que pegou a doença na Argentina. Em 16 de julho, Temporão anunciou que a transmissão do vírus H1N1 era "sustentada". Ou seja, o vírus já circulava em território nacional.
Por causa da pandemia, os hospitais brasileiros tiveram que se adaptar para fazer a triagem de pacientes infectados. A doença também causou transtornos nos calendários escolares, com o adiamento do retorno das férias de inverno. Até o último boletim, divulgado em novembro, o Ministério da Saúde registrava 1.528 óbitos, a maior parte em São Paulo, com 530 vítimas fatais. Paraná e Rio Grande do Sul confirmaram 186 e 208 vítimas fatais, respectivamente.