Israel começa a abrir caminho para eleição antecipada
Projeto de lei para dissolver o Knesset, o Parlamento israelense, apresentado pelo governo Netanyahu, passa em votação preliminar. Data para possível nova eleição ainda não está marcada.Uma proposta para dissolver o parlamento de Israel foi aprovada numa votação preliminar nesta quarta-feira (20/05).
Na votação, 110 dos 120 parlamentares do Knesset apoiaram a proposta da coalizão governista, dando assim um primeiro passo para uma possível eleição antecipada.
A medida, que conta com o apoio da oposição, ainda precisa passar por mais três leituras antes de entrar em vigor.
Quais os próximos passos?
Após ser aprovado na votação preliminar desta quarta-feira, o projeto de lei segue agora para uma comissão, na qual será definida a data da eleição.
Em seguida passará por mais três votações parlamentares até a aprovação final, sendo que a terceira exige uma maioria de 61 votos entre os 120 membros do Knesset. O processo pode ser rápido ou levar muitas semanas.
Caso o projeto seja aprovado em definitivo, isso desencadearia automaticamente a realização de eleições após 90 dias.
A eleição já tem data?
Uma data para a próxima eleição ainda não foi definida.
Israel deve realizar uma eleição a cada quatro anos, mas eleições antecipadas têm ocorrido com frequência. A última eleição foi em novembro de 2022, e a próxima votação está prevista para ocorrer, no máximo, em 27 de outubro.
Se os parlamentares votarem pela dissolução do parlamento, uma comissão parlamentar ainda teria que determinar a data.
De acordo com reportagens da imprensa israelense, os parceiros de coalizão ultraortodoxos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu favorecem uma data de eleição no início de setembro, enquanto Netanyahu preferiria uma votação mais tardia.
Comentaristas políticos em Israel afirmam que a eleição pode ocorrer entre a primeira quinzena de setembro e o final de outubro.
Por que o parlamento votou pela dissolução?
A votação ocorreu neste momento porque uma facção judaica ultraortodoxa (tradicionalmente uma aliada política próxima de Netanyahu) anunciou, este mês, que já não vê o primeiro-ministro como um parceiro e buscará uma eleição antecipada.
Os líderes ultraortodoxos declararam que estavam agindo assim porque a coalizão de Netanyahu não cumpriu a promessa de aprovar uma lei que isentaria sua comunidade do serviço militar obrigatório.
A questão tornou-se um ponto de atrito em Israel, em meio a uma grave escassez de soldados de combate e a uma mudança no sentimento público após os ataques terroristas liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
Aproveitando o racha governista, partidos da oposição anunciaram sua intenção de apresentar projetos de lei para dissolver o Knesset. Há muito que os partidos de oposição tentam derrubar o governo de Netanyahu. Uma tentativa nesse sentido, realizada em junho passado, fracassou. Desta vez, porém, o sucesso - ainda que, na prática, apenas antecipe a eleição em algumas semanas - poderia dar novo impulso à campanha da oposição e limitar a capacidade da coalizão de promover qualquer legislação controversa até lá.
Na tentativa de controlar o processo, a coalizão apresentou, em 13 de maio, seu próprio projeto de lei para dissolver o Knesset.
Quais as chances de Netanyahu?
Menos de um ano após seu retorno político, em 2022, à frente do governo mais à direita da história de Israel, a credibilidade da política de segurança de Netanyahu foi estraçalhada pelo ataque surpresa do Hamas em 7 de outubro de 2023. Muitos israelenses culpam Netanyahu pela falha de segurança que possibilitou o ataque.
Desde então, as pesquisas de opinião têm mostrado consistentemente que a coalizão governista de Netanyahu fica muito aquém de uma maioria parlamentar.
Mas existe também a possibilidade de que os partidos de oposição não consigam formar uma coalizão, deixando Netanyahu à frente de um governo interino até que o impasse político seja rompido.
Isso já aconteceu antes. Antes das eleições de 2022, Israel ficou preso em uma série de eleições inconclusivas, realizando cinco pleitos em menos de quatro anos.
Quem mais está concorrendo?
O principal adversário de Netanyahu é Naftali Bennett, um ex-assessor que destituiu o líder com o mandato mais longo da história de Israel nas eleições de 2021 e tornou-se, ele próprio, primeiro-ministro.
Bennett, de direita, uniu forças com o líder da oposição de centro-esquerda, Yair Lapid, para formar uma aliança política, Juntos, que agora disputa voto a voto com o Likud, de Netanyahu.
Outro candidato que vem ganhando força nas pesquisas é o ex-chefe militar e ministro de centro Gadi Eizenkot.
Todos eles concorrem com plataformas de campanha semelhantes, buscando mobilizar os eleitores indecisos e decepcionados com Netanyahu, por meio de mensagens que visam curar as divisões e recolocar o país nos trilhos após o trauma de 7 de outubro e das guerras em Gaza, no Líbano e no Irã, que afetaram a economia e a imagem internacional de Israel.
O que mais pode influenciar os eleitores?
Netanyahu enfrenta um julgamento por corrupção que já se arrasta há muito tempo. O presidente de Israel, Isaac Herzog, está mediando conversas para negociar um acordo judicial no caso - um desfecho que poderia levar Netanyahu, de 76 anos, a se aposentar da política como parte de qualquer acerto.
A possibilidade de tal acordo tem sido cogitada desde o início de seu julgamento, há seis anos, mas não está claro se o premiê o aceitaria.
A saúde de Netanyahu também pode ser um fator relevante. Ele revelou recentemente ter passado por um tratamento bem-sucedido de um câncer de próstata e, em 2023, recebeu um marca-passo.
Israel também tem estado em guerra com o Hamas em Gaza, o Hezbollah no Líbano e o Irã - frentes que permanecem voláteis, com possível impacto numa eleição.
Uma pesquisa realizada pela emissora pública de Israel colocou o Likud, partido de Netanyahu, em primeiro lugar nas intenções de voto, com uma pequena vantagem sobre o Juntos.
as (Reuters, DPA, AFP)
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