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Frente de esquerda não é realidade para eleições em capitais

Cenários traçados pelos cinco principais partidos de esquerda indicam que as siglas não estarão juntas em nenhuma das 26 capitais

24 mar 2020
09h11
atualizado às 09h54
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Cenários traçados hoje pelos cinco principais partidos de esquerda - PT, PSB, PDT, PCdoB e PSOL - mostram que, se for mantido o quadro atual, as legendas não estarão juntas em nenhuma das 26 capitais brasileiras no primeiro turno das eleições 2020 para prefeito deste ano.

Apesar das divisões e divergências, os dirigentes disseram que a unidade na oposição ao governo Bolsonaro no Congresso não será prejudicada
Apesar das divisões e divergências, os dirigentes disseram que a unidade na oposição ao governo Bolsonaro no Congresso não será prejudicada
Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil / Estadão Conteúdo

Cláusula de barreira, projetos distintos para 2022, sequelas do impeachment de Dilma Rousseff e da ascensão do bolsonarismo e disputas pela hegemonia do chamado campo progressista estão entre os motivos apontados pelos dirigentes para que a propalada frente de esquerda não aconteça nas disputas pelas principais cidades.

A única capital onde os cinco partidos poderiam estar juntos, Florianópolis (SC), no estado onde Bolsonaro teve o maior porcentual de votos em 2018, caminha para uma divisão entre o PSOL, cujo pré-candidato Professor Elson, segundo colocado nas pesquisas, tem apoio do PT, PSB e PDT; e o PC do B, que deve lançar Janaína Deitos, vinda do Pátria Livre - legenda que se fundiu aos comunistas em 2019.

No caso do PCdoB, que deve lançar entre 17 e 19 candidatos nas capitais, encabeçar chapas no maior número de cidades possível é parte da estratégia para driblar a cláusula de barreira. "Se introduziu uma variável muito limitadora que é o fim das coligações proporcionais combinado com a cláusula de barreira, disse Walter Sorrentino, vice-presidente e coordenador do comitê eleitoral do PCdoB.

O PT, maior partido da oposição, estima ter entre 19 e 23 candidatos a prefeitos de capitais neste ano, o maior número em décadas. A estratégia obedece à ordem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que orientou o partido a lançar nomes onde for possível nas cidades com segundo turno e onde vai haver horário eleitoral no rádio e TV. O objetivo é usar as eleições municipais para fazer a defesa do partido e do próprio Lula com vistas à eleição presidencial de 2022.

"Depois da falência dos partidos pós eleição do Bolsonaro as legendas estão se rearticulando e cada uma delas quer se apresentar como alternativa", disse o deputado José Guimarães (PT-CE), coordenador do grupo de trabalho eleitoral do PT.

Segundo ele, a ordem no primeiro turno é nacionalizar as disputas, de forma a levar Bolsonaro para o centro do debate, ancorar as candidaturas na imagem de Lula e apresentar programas de governo factíveis.

A estratégia traçada por Lula já está causando abalos no partido. No últimos final de semana a direção nacional do PT decidiu intervir no diretório municipal de Recife. Os dirigentes locais defendem apoio a João Campos (PSB), mas Lula quer que o PT lance a deputada Marília Arraes (PT-PE).

Para o presidente do PSB, Carlos Siqueira, a atitude de Lula tem grande peso na desunião da esquerda nestas eleições. ¨Conversei com a Gleisi (Hoffmann, presidente do PT). Ela me procurou e colocamos Recife como questão central. Os diretórios municipal e estadual são a favor de João Campos. Vamos tomar (a intervenção em favor de Marília) como sendo contra o PSB", disse ele. "O principal dificultador é o PT", completou Siqueira. Segundo ele, o PSB projeta ter candidaturas próprias em 17 capitais.

Para o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, as divergências no primeiro turno são naturais e o caminho é a unidade da esquerda nas principais cidades no segundo turno. "O que a gente tem feito é administrar essas divergências, e com sucesso. Ainda não tivemos conversas, mas o ambiente na sociedade vai acabar exigindo e impondo a unidade no segundo turno", disse ele.

O PSOL deve ter entre 15 e 22 candidaturas próprias em capitais. O partido enfrenta dificuldades em algumas das principais delas, como Rio e São Paulo, onde os pré-candidatos como Marcelo Freixo e Guilherme Boulos terão que enfrentar prévias com setores minoritários.

Para Medeiros, os projetos próprios de cada legenda para 2022 perpassam as estratégias para 2020. "Alguns partidos estão ensaiando já em 2020 composições e articulações para 2022 como deixou claro o Ciro (Gomes, do PDT) em declaração recente", disse o dirigente.

Em entrevista ao Roda Viva na última segunda-feira, Ciro admitiu que é pré-candidato à Presidência em 2022. De acordo com o presidente do PDT, Carlos Lupi, os diferentes projetos para as eleições presidenciais têm impacto somente nas grandes cidades como Rio (onde o PDT deve lançar a deputada estadual Martha Rocha) e São Paulo (onde o partido apoia Márcio França, do PSB). O PDT deve ter candidatos em ao menos 15 capitais. "A direita também não vai estar unida. É uma eleição em dois turnos. Sempre foi assim", disse Lupi.

Apesar das divisões e divergências nas eleições das principais cidades do Brasil, os dirigentes disseram que a unidade na oposição ao governo Bolsonaro no Congresso não será prejudicada. "Bolsonaro nos une", resumiu José Guimarães.

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Estadão
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