Novo normal deve incluir EAD no ensino superior presencial, avalia entidade

Matrículas para EAD cresceram 16,9% de 2017 para 2018; no período de 2009 a 2018, o aumento foi de 145%

21 mai 2020
20h37
atualizado em 22/5/2020 às 15h22
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Com a reformulação das aulas e a necessidade de isolamento social por causa da pandemia do novo coronavírus, cursos de graduação precisaram se adaptar para evitar atrasos e evasão de alunos. O impacto disso é que, em um futuro próximo, a graduação pode seguir uma linha mista, de cursos presenciais com aulas virtuais e ensino a distância (EAD) com uma proposta mais interativa. A avaliação é do Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do País, que apresentou nesta quinta-feira, 21, o Mapa do Ensino Superior no Brasil.

O levantamento, baseado em números do Censo da Educação Superior, disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e referentes a 8,45 milhões de matrículas realizadas em 2018 - dado mais atualizado -, aponta que as matrículas para EAD cresceram 16,9% de 2017 para 2018. No período de 2009 a 2018, o aumento foi de 145%.

No caso das matrículas presenciais, houve queda de 2,1% no mesmo período. Na análise em dez anos, foi registrado um aumento de 24,3%.

Comparando os dados com a situação atual, Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, afirma que a pandemia vai impactar ambos os modelos, mas deve frear o crescimento acelerado de cursos de EAD.

"O ensino presencial vinha perdendo espaço pelo preço e pela questão da flexibilidade. O aluno vai, fica sentado, muitas vezes à noite, quando ele está cansado. Por causa da pandemia, o ensino presencial está se reinventando, o que o torna mais atrativo. Quando essa situação acabar, ele deve ser um misto de aulas expositivas de forma remota com aulas em grupo em laboratórios. Vai ser interessante, porque os alunos vão ter mais interatividade com os professores e, quando tiver o encontro presencial, vai ser mais rico."

Na avaliação do diretor-executivo da entidade, esse movimento vai fazer com que o modelo EAD com aulas gravadas e padronizadas também se reinvente e passe a ser mais interativo.

Mas desafios impostos pela doença terão de ser estudados pelas instituições que oferecem cursos presenciais. "Vai ser necessário conseguir tornar o preço mais atrativo. O grande custo é a folha de pagamento, que não vai ser reduzida. Em curto prazo, há um desafio grande, que é o que vai custar caro para as instituições, que é o retorno gradual e com menos alunos. Quanto vai custar abrir a estrutura para receber 20% dos alunos? Será que vai ter de oferecer EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e luvas? Dividir turmas de 100 alunos em cinco de 20?", questiona.

Capelato diz que a entidade vê com preocupação os impactos do avanço da doença na permanência de estudantes nos cursos de graduação. "Com a pandemia, estamos vendo as projeções e, infelizmente, os dados não são positivos. Houve uma queda de 13,9% dos novos alunos em 2020, visto que já tivemos o ingresso no primeiro semestre. No segundo semestre, (o ingresso) deve ser irrisório. Quem teve o ingresso em 2020, teve pouca aula e já precisou migrar para o ensino remoto, perdeu o contato com o câmpus. É difícil se engajar, porque esse aluno teve 15 dias de aula efetivamente. É um aluno que deve trancar o curso."

Isso interfere não só na situação das instituições de ensino superior, mas em metas do Plano Nacional de Educação (PNE), na possibilidade de conseguir um emprego e na remuneração dos profissionais, que costuma ser maior para quem tem a formação.

De acordo com o Mapa do Ensino Superior no Brasil, que está em sua décima edição, a taxa de escolarização líquida, índice de jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior em relação ao total de pessoas da mesma faixa etária, é de 17,9%, porcentual considerado baixo e ainda distante da meta estabelecida pelo PNE, que determina taxa líquida de 33% até 2024.

"É uma taxa tímida e complicada para um País que quer ser desenvolvido um dia. Isso precisa estar sempre no radar, porque temos uma grande perversidade de exclusão. Enquanto os jovens estiverem excluídos do ensino superior, o País vai continuar sendo desigual", avalia Capelato. Para quem tem curso superior, a taxa de desocupação é 54% menor.

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