Matança de cangurus ajuda a entender ecossistemas
A maior população de cangurus-cinza já registrada em Canberra, capital da Austrália, nos últimos 100 anos, pode aparecer na sua prova de Biologia do vestibular. Nesta semana, o governo australiano anunciou que cogita patrocinar o abate de parte da população de seu mascote nacional. Segundo autoridades daquele país, o grande número de cangurus está prejudicando o ecossistema, já que os marsupiais destroem o habitat de outras espécies em perigo de extinção, como lagartos e insetos.
De acordo com Rocco Francisco Di Leone, professor de Biologia do Mottola Pré-Vestibular, em Porto Alegre, o ecossistema é formado pela interação dos seres bióticos (seres vivos) com os seres abióticos (seres sem vida, como água, solo e ar). Essa interação permite a manutenção das condições ambientais. Assim, estabelece-se um ecossistema em equilíbrio (homeostase).
"Nessa relação de equilíbrio, observamos a transferência de matéria e de energia por meio das cadeias e teias alimentares que vão se formando ao longo do tempo. Existe um grande número de seres produtores (plantas e algas fotossintetizantes) que dão início à transferência de matéria e energia. Surge, após, um grande número de animais formando os níveis de consumidores. E, finalmente, surgem os decompositores (bactérias e fungos), permitindo o retorno de matéria ao ambiente. Por isso que se diz que a matéria é cíclica", detalha o professor.
Di Leone explica que o número de predadores, em relação às presas, deve ser sempre menor. Caso contrário, se houvesse mais predadores do que presas, em pouco tempo esses predadores não teriam mais alimento. No caso da Austrália, diz o professor, o principal problema está na falta do predador natural do canguru - o dingo, da família dos lobos - naquele ambiente.
"O canguru é, e sempre foi, protegido pelo governo, por ser o símbolo nacional, e pela população. Com a falta de seu inimigo natural no ambiente, ele se multiplicou muito. Agora, formando uma superpopulação, está comprometendo a vegetação, que não tem tempo suficiente de se recuperar e, o pior, está invadindo plantações, por todas as regiões, tornando-se uma praga. A safra de grãos, verduras, legumes e outros vem sendo comprometida severamente. E, mais uma vez, o homem encontra a solução patética. Para resolver o problema, não cria soluções que evitem o crescimento exagerado dos cangurus, mas resolve matá-los", diz.