Exercício sobre 'afinidades' de meninos e meninas causa polêmica

Material da editora Positivo pede para aluno listar itens que os meninos e as meninas têm mais afinidade. Entre os tópicos estão lavar louça e cuspir

24 out 2013
17h21
atualizado às 17h56
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O exercício de uma apostila da editora Positivo para alunos do 5º ano do ensino fundamental está causando polêmica nas redes sociais. O material, que pede que os alunos apontem as atividades que têm mais "afinidade" com meninos ou meninas, foi apontado por internautas como "machista" e "sexista".

Exercício de apostila da editora Positivo foi publicado no Facebook e causou polêmica entre internautas
Exercício de apostila da editora Positivo foi publicado no Facebook e causou polêmica entre internautas
Foto: Facebook / Reprodução

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Uma cópia da página do exercício foi publicada no Facebook na quinta-feira pelo perfil Mamatraca e até as 16h50 de hoje contava com mais de 2,8 mil compartilhamentos na rede social. A mensagem traz o relato da tia de uma menina, que teria recebido o exercício em uma escola particular e Natal (RN). "Minha irmã debateu com ela tópico por tópico, mas se horrorizou com o conteúdo e com a aceitação da escola", diz o texto.

O exercício traz uma lista de atividades e pede para os alunos relacionarem as que têm mais "afinidade" com meninos ou com meninas. Depois, ao lado dos tópicos, aparecem duas figuras com as indicações "meninas podem fazer" e "meninos podem fazer". Entre as tarefas que devem ser relacionadas estão: brincar de boneca, jogar futebol, brincar de carrinho, usar biquíni e sutiã, cuspir no chão, usar cabelo comprido, usar gravata, usar brinco, usar saia, lavar louça e ajudar a arrumar a casa.

Alguns internautas regiram com indignação à publicação: "Formando mentes preconceituosas!!? O que é isso?? Como estas crianças vão entender que na nossa sociedade não se admite qualquer preconceito de raça, cor ou sexo se aprendem na mais tenra infância a serem preconceituosas? Lamentável esse deseducador, esta não escola, este desorientador pedagógico", afirmou uma mulher. "Lavar louça e arrumar a casa?? Isso foi uma tentativa machista de dizer que lugar de mulher é na cozinha versão pra crianças? Que absurdo", escreveu um leitor da postagem.

No entanto, algumas pessoas apoiaram a publicação. "É difícil avaliar somente pelo desenho. Depende como a professora conduz a aula, esse material pode sim ajudar! Um menino ao assinalar que somente o sexo masculino pode brincar de carrinho a professora questiona: e por que não meninas? Ou lavar louças e arrumar a casa. A atividade não se resume ao 'ligue os pontos', mas sim uma conversa sobre os itens. Quanto ao cuspir no chão seria um bom link para falar de boa educação, nenhum dos dois deve cuspir ou jogar lixo no chão. Enfim... tudo depende como a professora conduz a aula", escreveu uma internauta.

Em nota, a editora Positivo disse que o material que será utilizado pelos alunos em 2014 já foi alternado para promover um “debate mais aprimorado sobre o tema".

Confira, na íntegra, a nota da editora:
"A Editora Positivo considera legítima a preocupação com o tema e a relevância da questão. Entretanto, esclarece que a finalidade do exercício apresentado não é impor padrões ou corroborar com estereótipos de gênero. A atividade é parte de um contexto onde o objetivo é justamente promover o debate para combater relações autoritárias e questionar a rigidez dos padrões.

O manual do professor, que acompanha todos os livros da coleção, contém orientações metodológicas (OMs) ao docente para conduzir essa atividade, com o objetivo de subsidiar a ação do professor e abrir a discussão a todas as possibilidades que possam surgir no decorrer da aula. 
Para conhecimento, seguem abaixo as orientações que acompanham essas atividades:

- Conduzir e acompanhar a conversa dos alunos, a fim de que seja mantido o respeito às opiniões, aos hábitos e personalidade de cada um.
- De acordo com os PCN Pluralidade Cultural e Orientação sexual (BRASIL, 2001) "A discussão sobre as relações de gênero tem como objetivo combater relações autoritárias, questionar a rigidez dos padrões de conduta estabelecidos para homens e mulheres e apontar para sua transformação. A flexibilização dos padrões visa permitir a expressão de potencialidades existentes em cada ser humano que são dificultadas pelos estereótipos de gênero. Como exemplo comum, pode-se lembrar a repressão das expressões de sensibilidade, intuição e meiguice nos meninos ou de objetividade e agressividade nas meninas. As diferenças não devem ficar aprisionadas em padrões preestabelecidos, mas podem e devem ser vividas a partir da singularidade de cada um, apontando para a equidade entre os gêneros".

Reiteramos que a Editora Positivo considera importante o debate sobre a questão e informa que o material que será utilizado pelos alunos em 2014 foi alterado a fim de promover um debate mais aprimorado entre os alunos sobre este tema".

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Fonte: Terra
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