Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Brincadeira na areia identifica problemas de aprendizagem

11 dez 2010 - 15h13
Compartilhar

No armário, miniaturas dignas de uma casinha de bonecas. Nele, pequenos homenzinhos, mulherzinhas, comidas de todos os tipos e cenários variados dividem espaço entre as prateleiras. As miniaturas, que servem de acessório para um "jogo de areia", desenvolvido em 1935 na Inglaterra, vira moda em consultórios psiquiátricos e vem sendo usado para detectar as causas de problemas de aprendizagem.

A sandplay, ou caixa de areia, consiste em uma brincadeira sem regras que faz uso da criatividade do paciente. A ideia é montar histórias com as miniaturas em uma caixa de areia semelhante às das pracinhas. A disposição dos brinquedos funciona como uma ponte entre o mundo inconsciente e a realidade externa. Com isso, terapeutas prometem identificar as causas de problemas das crianças, inclusive na escola.

"Quando conheci o jogo de areia em um curso de especialização em Arteterapia, fiquei encantada com a possibilidade do sujeito construir seus cenários de forma absolutamente natural, lúdica e de poder simbolizar seus conflitos por meios destas construções", conta a psicopedagoga clínica e institucional Teresa Messeder Andion. Teresa se interessou tanto pelo método que escreveu um livro sobre a prática. O título "Jogo de Areia - Intervenção psicopedagógica à luz da teoria piagetiana na caixa de areia" explica que não é somente em uma construção de areia que o terapeuta irá identificar os problemas. O procedimento é realizado diversas vezes, e em todas elas o psicoterapeuta vai tirando fotos dos cenários montados para depois analisar o conjunto que formam.

Um exemplo é o de Clara*, que já não é mais criança, mas foi beneficiada pela prática. Filha única, de classe média e repetente, a garota de 15 anos foi levada para a terapia pelos pais. Os problemas de aprendizagem da estudante foram descobertos no jogo de areia, que também ajudou na melhora de concentração e atenção da jovem, paciente de Teresa. "O primeiro cenário que ela criou foi de comidas: cachorro quente, bolo, torta de morango, cheesburger, batata fritas, pizzas, refrigerantes. Todas essas miniaturas ela colocou no chão da caixa de areia seca, sem mesa, sem toalha, sem prato e sem talher. Parecia querer devorar toda aquela comida com as mãos de forma primitiva. Seu pensamento estava muito concreto, cristalizado e enrijecido pela sua condição afetiva", conta a terapeuta.

E em uma série de dez cenários, a constante entre todas as construções ficou clara: comida. "O que acontecia na verdade é que ela se sentia solitária, feia e gorda. A partir daí, Clara começou a dar sinais de estruturação mental, de organização e de planejamento prévio do que iria colocar na cena. Ela estava mais atenta e conseguia se concentrar cada vez mais e por mais tempo, aspecto que anteriormente ela não conseguia fazer", explica Teresa.

Porém, a psicopedagoga ressalta que o jogo só pode ser realizado por profissionais da área, treinados para aplicar o método. Pais e professores não devem tentar aplicar a "brincadeira". "O jogo de areia não é um jogo pedagógico ou didático, mas sim um método da psicologia junguiana e que somente pode ser utilizado em um contexto psicoterapêutico ou psicopedagógico, com acompanhamento de profissionais capacitados para o atendimento", explica.

Miniaturas servem de acessórios para um "jogo de areia" que está sendo usado para detectar problemas de aprendizagem
Miniaturas servem de acessórios para um "jogo de areia" que está sendo usado para detectar problemas de aprendizagem
Foto: Getty Images
Fonte: Redação Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra