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Doria se nega a comentar ausência de Kassab, investigado, em cerimônia de posse

Aliado de primeira ordem de Doria, Kassab foi o responsável por montar a coligação que deu sustentação política à vitoria do tucano

2 jan 2019
14h32
atualizado às 18h32
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O governador João Doria (PSDB) se negou, na manhã desta quarta-feira, 2, a comentar a ausência de Gilberto Kassab (PSD) na cerimônia de posse dos secretários estaduais realizada no Palácio dos Bandeirantes na manhã desta terça. Apesar de ter faltado ao evento, Kassab foi nomeado secretário da Casa Civil de maneira separada pelo tucano, que o permitiu ainda pedir licença do cargo por tempo indeterminado.

Aliado de primeira ordem de Doria, Kassab foi o responsável por montar a coligação que deu sustentação política à vitória do tucano na eleição. A licença tirada no momento da posse se deve a investigações relacionadas à Operação Lava Jato. Kassab diz que precisa se dedicar à sua defesa - ele é suspeito de ter recebido R$ 58 milhões do grupo J&F e nega qualquer irregularidade.

Enquanto se mantém afastado do principal posto do primeiro escalão do governo, Kassab deixa em seu lugar Antonio Carlos Malufe, que já foi seu secretário quando comandou a Prefeitura.

Era ele que estava na primeira reunião do secretariado realizada nesta manhã. Na saída do encontro, o tucano escolheu os jornalistas a quem responderia e deixou a sala quando questionado sobre Kassab. Antes, criticou o agora ex-governador Márcio França (PSB), que deixou o governo sem definir a tarifa de metrô, que será reajustada. "Não foi um bom gesto. Quando você governa, governa, não protela."

Doria prometeu anunciar o novo valor da passagem até amanhã e completou dizendo que "faltou coragem" a França. A passagem de ônibus foi reajustada pelo prefeito Bruno Covas de R$ 4 para R$ 4.30 a partir do dia 7. A expectativa é que o metrô também alcance esse valor. A reportagem procurou França para comentar as críticas, mas ainda não obteve retorno.

Material escolar

Novo secretário da educação, Rossieli Soares afirmou que a gestão França não comprou material escolar nem pedagógico para o início do ano letivo, o que, segundo ele, vai prejudicar os alunos da rede. O ex-ministro da educação de Temer disse ainda que cerca de 60 mil estudantes podem ter de enfrentar falta de professores no dia a dia escolar em função do veto do Tribunal de Justiça de São Paulo para a contratação de professores temporários.

Já o secretário da Segurança Pública, general Campos, anunciou um "reforço" no policiamento ostensivo. Afirmou que 24 mil homens estão nas ruas desde o início da manhã para aumentar a sensação de segurança dos paulistas. Mas não soube dizer quantos PMs havia antes na função. "Não tenho ideia quanto tinha antes, mas, certamente, há elementos a mais."

Responsável pela pasta da Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles reafirmou que ainda está avaliando as contas do Estado e declarou que dará prioridade à busca por investidores para gerar empregos em São Paulo. "Se São Paulo crescer gera demanda para outros Estados e ajuda o Brasil", disse. Meirelles ainda se declarou favorável à manutenção pelo Estado do controle da Sabesp, afastando uma privatização completa da empresa.

Ao Estado, João Cury Neto, secretário da Educação da gestão Márcio França, disse que o contrato de kits de material escolar foi assinado na segunda quinzena de dezembro e que os itens começarão a ser entregues em 15 de janeiro.

Cury disse, ainda, que as gestões Doria e França decidiram em conjunto, no fim do ano passado, que o material pedagógica não seria encomendado para este semestre a fim de elaborar um novo adequado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a segunda metade de 2019. Além disso, afirmou que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) teria recorrido da decisão sobre a contratação de professores temporários." / COLABOROU PRISCILA MENGUE

Estadão

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