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Orbia vê disparada das vendas online neste ano

São 170 mil agricultores cadastrados, ante 135 mil um ano antes. Para sustentar o salto, a Orbia está ampliando parcerias com empresas e agentes de crédito

15 fev 2021 05h37
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A Orbia, marketplace criado pela Bayer e Bravium no fim de 2019, prevê quintuplicar neste ano o volume de negócios com insumos e commodities agrícolas pela internet. Partindo de R$ 220 milhões no ano passado, quer atingir cerca de R$ 1 bilhão até dezembro. "Em 2020 quebramos a barreira que havia junto ao produtor, e ele agora passa a considerar mais um lugar de compra", explica Ivan Moreno, CEO da empresa. 

São 170 mil agricultores cadastrados, ante 135 mil um ano antes. Para sustentar o salto, a Orbia está ampliando parcerias com empresas e agentes de crédito. Além de Sicredi, que já oferece recursos para associados negociarem pela plataforma, há conversas avançadas com outras instituições financeiras, conta Moreno. "Estamos conversando com quase todos os bancos que atendem o agro de alguma maneira", diz.

Pulveriza

Para o resultado esperado, será essencial aumentar o número de revendas de insumos agrícolas que têm lojas virtuais na plataforma. Os 160 distribuidores hoje "plugados" na Orbia representam 15% do mercado nacional de insumos. Moreno quer abraçar de 25% a 35% até o fim deste ano. Essas empresas não só vendem seus produtos como financiam os produtores, aceitando receber meses depois, na colheita dos grãos. 

Troca

A possibilidade de venda da produção agrícola na Orbia ajuda nos planos. Em novembro, a Bunge ingressou no marketplace para comprar grãos. Neste semestre, uma outra parceria também com trading deve ser anunciada, desta vez para comércio de café. Outras estão em discussão.

Otimismo. Moreno acredita que até 2025 a plataforma poderá movimentar de R$ 25 a R$ 30 bilhões, entre insumos e commodities agrícolas. "Há maior receptividade do produtor a novos mecanismos de transação", diz o executivo. Grande parte do montante será por meio de barter, negociação em que empresas antecipam insumos ao agricultor em troca do produto agrícola que receberá na colheita. 

Pecuária aquecida

A Marcher Brasil fechou 2020 com aumento de receita de 60%, grande parte puxada pelo setor pecuário. Para este ano, a expectativa é de alta de 40%, conta Myriam Bado, CEO da fabricante de equipamentos para armazenar produtos agrícolas em silos-bolsa. Mais fazendas buscam embolsadoras de silagem, grãos e forragem para garantir alimento aos animais em épocas de menor oferta desses insumos.

Estrutura

A fábrica da Marcher em Gravataí (RS) está sendo ampliada e a partir de março deve atender também o aumento das exportações da empresa e do portfólio, que incluirá máquinas de grande porte. A companhia já tem pedidos que correspondem a 30% da meta fixada para o ano.

Em expansão

O volume de soja comercializada no mundo com a certificação RTRS, que atesta a sustentabilidade da produção, deve crescer 15% a 20% neste ano, segundo a Associação Internacional de Soja Responsável. A meta é alcançar ao menos 5 milhões a 5,5 milhões de toneladas, conforme Cid Sanches, consultor da RTRS no País. Em 2020, foram 4,750 milhões de toneladas, 20% mais do que em 2019.

À frente

Os números do Brasil ainda não estão fechados, mas Sanches estima que representem entre 75% e 85% desse total. No ano passado, o número de locais certificados para movimentação de soja RTRS no mundo aumentou quase 121%. "Das principais tradings, todas são membros da RTRS, mas até 2020 muitas não tinham nenhuma unidade certificada", diz Sanches. A situação mudou com a indicação de empresas de alimentos processados de que vão demandar soja certificada neste ano. 

Entendimento

A indústria de biodiesel vê avanços na discussão com o governo sobre o novo modelo de comercialização de biodiesel. "Houve uma sinalização positiva do Ministério de Minas e Energia (MME) de que a solução tributária em um novo modelo não pode gerar acúmulo de créditos de ICMS", diz Daniel Furlan Amaral, economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). O setor também pleiteia que no mínimo 90% das compras de biodiesel sejam de usinas com o selo biocombustível social - o governo avalia porcentual entre 80% e 90%.

Volta

O setor avícola comemora a reação das vendas de carne de frango para o Oriente Médio, após queda de 5,7% nos embarques para a região no ano passado, devido à covid-19. "Vimos um aumento no último trimestre de 2020 e pode melhorar mais", diz Luis Rua, diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Ele lembra que os Emirados Árabes Unidos são um dos países com mais alto índice de vacinação. Em janeiro, segundo dados da ABPA, as exportações de frango para a Arábia Saudita cresceram 4% ante igual mês de 2020, para 35,8 mil toneladas.

Presente

Representantes de dez empresas brasileiras viajam nesta semana para Dubai para participar da Gulfood. Estarão na maior feira de alimentos da região, além da ABPA e da Apex-Brasil, Agroaraçá, Aurora Alimentos, Bello Alimentos, BRF, Copacol, C.Vale, Granja Faria, Integra (Gt Foods), Naturovos e Netto Alimentos. / CLARICE COUTO, LETICIA PAKULSKI E AUGUSTO DECKER

Estadão
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