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'Na aviação temos de ter um plano B'

No trabalho público, copiloto Peterson Ramos dos Santos recebe um terço do que ganhava

15 ago 2020
22h01
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"Como a aviação é muito sensível à economia, para a gente que busca uma carreira na área, é importante ter sempre um plano B", diz Peterson Ramos dos Santos, de 37 anos, que está sendo obrigado a recorrer a essa estratégia agora. No caso dele, o plano B é o trabalho como servidor público no governo do Distrito Federal, do qual havia se licenciado quando conseguiu um emprego como copiloto, em 2017.

No trabalho público, porém, Santos recebe um terço do que ganhava como piloto. Antevendo esse cenário, ele já se mudou para um apartamento menor, vendeu o carro e transferiu a filha para uma escola pública. A esposa também trancou a faculdade. "Na aviação, dizemos que temos de estar sempre à frente do avião, sempre preparados para tomar alguma atitude. Dentro dessa perspectiva, reduzi despesas e fui me preparando para um cenário mais difícil, que foi o que acabou acontecendo. Mas vamos conseguir passar por essa turbulência e se preparar para a retomada."

Santos diz estar otimista em relação ao futuro, já que o mercado doméstico brasileiro tem grande potencial. Mesmo assim, não vê uma retomada rápida nos próximos dois anos. "O momento agora é de deixar o tempo passar e continuar estudando", acrescenta ele, que pretende retomar o mestrado em Transporte - que havia parado por causa do trabalho - enquanto a aviação não se recupera.

"Por enquanto, a situação é muito complicada, mas cada um vai encontrando um caminho. Tem gente já trabalhando como motorista de aplicativo. A questão é que todo piloto quer voar. Quem é piloto nasceu para isso. O olhar está sempre voltado para o céu. Esse é sempre o objetivo."

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Estadão
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