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Diretora da Precisa contradiz governo sobre preço da Covaxin

No entanto, Medrades afirmou que toda a negociação foi lícita

14 jul 2021 14h11
| atualizado às 14h28
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A diretora técnica da Precisa Medicamentos, responsável por intermediar a compra da vacina indiana Covaxin, Emanuela Medrades, afirmou em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no Senado nesta quarta-feira (14) que a empresa nunca ofereceu o imunizante no valor de US$ 10.

Foto: Gabriela Biló / Estadão Conteúdo

O valor menor do que o contratado, que foi de US$ 15 por dose, a mais cara firmada pelo governo, constava em uma ata de memória do Ministério da Saúde, sobre uma reunião realizada em 20 de novembro de 2020, entre os diretores da Precisa, do governo federal e do laboratório indiano Bharat Biotech, responsável pelo desenvolvimento e produção do imunizante.

Questionada por mais de uma vez sobre o valor, Medrades afirmou que havia um "equívoco" no documento da pasta e que a política de preços "é 100% da Bharat Biotech". Segundo seu depoimento, foi ela quem tomou a iniciativa para negociar com o governo e ofertar a vacina.

"A Precisa recebeu oferta de US$ 18 e não repassamos ao Ministério da Saúde porque esse valor estava muito longe do que eu gostaria de ofertar ao Brasil. Se na memória de reunião constava US$ 10, é uma memória unilateral", disse aos senadores.

Orientada por seu advogado, Medrades, então, começou a falar que poderia "ser uma expectativa" o valor de US$ 10 ou menos.

Diversos senadores pediram que ela dissesse quem poderia ter falado o número e a diretora falou que não se lembrava, que poderia até ser ela, porque tinha o objetivo de conseguir a vacina com o menor valor possível.

Sobre a polêmica 'invoice' enviada pela Precisa solicitando o adiantamento de US$ 45 milhões dos valores de compra, Medrades disse que o procedimento era padrão da Bharat em todo o mundo e que fez a solicitação de maneira formal. A diretora ainda desafiou os servidores do Ministério da Saúde, William Santana e Luís Ricardo Miranda, a provarem que receberam o 'invoice' em 18 de março - ela sustenta que foi no dia 22 - e se dispôs a fazer uma acareação.

A estratégia tiraria o crime de prevaricação do presidente Jair Bolsonaro, mas é completamente oposta aos demais depoimentos já tomados pela CPI. Até mesmo a servidora Regina Célia Oliveira, fiscal do contrato da Covaxin, confirmou que foi enviado um arquivo por dropbox ao Ministério no dia 18 - mas disse que não sabia se a invoice estava lá.

Para Miranda, a nota estava repleta de irregularidades e, com o seu irmão, o deputado Luís Miranda (DEM-DF) foram até o presidente para fazer a denúncia no dia 20 de março. Desde então, Bolsonaro não negou a informação e chegou a dizer, em entrevista à Rádio Gaúcha no fim de semana, que "não pode" mandar investigar tudo que chega a ele. O presidente é alvo de inquérito pelo suposto crime.

Medrades está prestando depoimento nesta quarta após se negar a responder aos senadores na terça-feira (13), usando do benefício de um habeas corpus. Após se negar a confirmar seu cargo, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), interrompeu a sessão e foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir esclarecimentos sobre o que ela poderia falar ou não. Na noite da terça, o depoimento foi retomado, mas Medrades continuou a se negar a responder por estar "exausta".

Na retomada do depoimento nesta quarta, a diretora não se negou a responder nenhuma pergunta e adotou uma postura de confronto contra alguns senadores da oposição.

Ansa - Brasil   
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